A decisão de preparar a licitação da Malha Sul em três lotes recoloca o debate sobre eficiência, cobertura territorial e atratividade no transporte ferroviário brasileiro. O Ministério dos Transportes sinaliza que o modelo atual não será mantido e que a concessão operada pela Rumo Logística caminha para não ser renovada, abrindo espaço para um redesenho operacional em Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Uruguaiana, Cruz Alta, Santa Maria, Cacequi, Rio Grande e outras áreas diretamente ligadas às ferrovias.
A proposta, apresentada dentro da Política Nacional de Concessões Ferroviárias, sugere uma futura concorrência estruturada em trechos independentes, cada um com perfil e desafios próprios. A Infra finaliza estudos que definirão como esses lotes serão apresentados ao mercado, mantendo elevada a expectativa de investidores, consultores e gestores públicos.
Lotes com vocações diferentes e disputas complexas
A segmentação em três trechos cria novos cenários:
- Ligação do norte gaúcho ao porto de Rio Grande, priorizando rotas agrícolas e industriais.
- Corredor entre São Paulo e Argentina via Uruguaiana, ampliando a integração entre interior produtivo e fronteira.
- Eixo ferroviário entre Paranaguá e São Francisco do Sul, foco em exportações e competitividade portuária.
Cada lote exige avaliações econômicas, jurídicas e operacionais. Essa construção requer leitura madura por parte dos investidores e atenção dos governos estaduais, principalmente no Rio Grande do Sul, onde parte expressiva da malha aguarda definições sobre reconstrução de trechos afetados pelas chuvas de 2024.
Cuidados do setor com trechos ociosos e com a retirada de trilhos
Entidades ferroviárias já manifestam preocupação com a possibilidade de baixa procura em trechos específicos. A região de Cruz Alta–Santa Maria–Cacequi–Rio Grande, hoje operada com poucas composições semanais, é um exemplo citado com frequência.
A situação se tensiona ainda mais com a retirada de trilhos em áreas desativadas. Houve movimentações em Santa Tereza e, mais recentemente, em Restinga Sêca, com materiais sendo deslocados para Santa Catarina e Paraná. O Ministério Público Federal acompanha o caso e avalia medidas para impedir danos adicionais ao patrimônio ferroviário.
O leilão projetado e a leitura estratégica dos investidores
A previsão inicial indica editais em setembro de 2026 e leilão em dezembro do mesmo ano. A declaração oficial, porém, ressalta que a confirmação depende da conclusão dos estudos da Infra e do encerramento das conversações com a Rumo Logística, cujo contrato atual expira em 2027.
O setor privado acompanha com cautela. A divisão da malha amplia oportunidades para empresas especializadas que buscam rotas com vocação operacional clara. Ao mesmo tempo, exige atenção à viabilidade dos trechos menos movimentados e ao potencial de revitalização da conectividade ferroviária no Sul.
Uma reconfiguração que exige maturidade e planejamento público
As ferrovias do Sul carregam relevância histórica e econômica. A reorganização da Malha Sul demanda análise técnica criteriosa, segurança jurídica e comunicação transparente com os estados afetados. A boa leitura desse processo será vital para atrair capital, proteger áreas vulneráveis e ampliar a competitividade logística da região.
Matéria do D.Diário de Santa Maria.
FAQ
1 – O que muda com a divisão da Malha Sul em três lotes? A mudança amplia as possibilidades de concorrência e busca ampliar o interesse de diferentes grupos, cada um focado em rotas específicas.
2 – Há risco de trechos ficarem sem operação? A preocupação existe, especialmente em áreas de baixa movimentação. Setores locais acompanham atentamente esses desdobramentos.
3 – Os trilhos retirados de áreas desativadas prejudicam o processo? A retirada pressiona ainda mais trechos fragilizados, e o Ministério Público Federal monitora a situação para evitar perdas irreversíveis.
