O Porto de Aratu, na Bahia, passou a contar com um terminal inédito para exportação de granéis sólidos vegetais, mudando o fluxo logístico de uma das regiões agrícolas mais produtivas do país.
A CS Portos, controlada pela CS Infra, concluiu investimentos que superaram R$ 900 milhões nos terminais ATU 12 e ATU 18, e o segundo entrou em operação nos primeiros meses de 2026. O reflexo imediato foi sentido no escoamento de cargas do Matopiba, fronteira agrícola formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Antes da entrada do ATU 18, cerca de 1,2 milhão de toneladas produzidas no oeste baiano deixavam o estado por portos de outras unidades da federação. Com a nova estrutura, parte desse volume passou a ser direcionada diretamente para Aratu, encurtando rotas e reduzindo custos.
800 km a menos no trajeto
A comparação com o Porto de Itaqui, no Maranhão, uma das principais alternativas de escoamento para cargas do Matopiba, ilustra a diferença gerada pela nova rota. O trajeto via Aratu representa uma redução de cerca de 800 km, com queda estimada de R$ 20 por tonelada no custo do frete. Além da economia direta, o tempo de transporte também diminui, aliviando corredores rodoviários já saturados no Nordeste.
As primeiras operações do ATU 18 incluíram o embarque de sorgo e soja oriundos do oeste baiano, confirmando que a rota é viável e competitiva. A infraestrutura do terminal foi projetada para atender a picos de safra com previsibilidade, inclusive em condições climáticas adversas.
Capacidade instalada e diferenciais operacionais
O ATU 18 começou as operações com uma estrutura robusta de armazenagem dentro da área alfandegada. Confira os números do complexo:
- ATU 12: capacidade de até 6 milhões de toneladas/ano, com produtividade de até 15 mil toneladas/dia.
- ATU 18: capacidade estática de 120 mil toneladas, com potencial de movimentar até 3 milhões de toneladas de grãos em 2026.
- Silos: quatro unidades de 30 mil toneladas cada, totalizando 120 mil toneladas de capacidade estática.
O projeto original previa três silos, mas durante a obra, a empresa optou por incluir uma quarta unidade diante da demanda identificada no mercado. A armazenagem dentro da área alfandegada permite retirar a produção das fazendas e organizar o fluxo logístico com mais eficiência, sem pressão sobre o cais nos períodos de pico.
Os equipamentos do terminal são eletrificados, incluindo descarregadores e correias transportadoras, o que reduz o consumo de combustíveis fósseis e aumenta a eficiência energética da operação.
Modal rodoviário ainda domina, mas há mitigação
A dependência do transporte rodoviário ainda é uma realidade, e a ferrovia que serve o porto, operada pela FCA, apresenta limitações operacionais que restringem a integração multimodal. Para organizar o fluxo de caminhões e reduzir tempos de espera, a CS Portos estruturou um pátio de triagem a cerca de 8 km do porto, medida que tem contribuído para desobstruir o acesso ao terminal.
Além do escoamento de grãos, a companhia passou a oferecer o serviço de ensacamento de fertilizantes dentro da área alfandegada, uma novidade na região que permite a distribuição direta para o destino final sem reembalagem externa.
Expansão além da Bahia
A CS Infra não limita sua atuação ao complexo de Aratu, a empresa também venceu o leilão de um terminal em Santana, no Amapá, com vocação para movimentação de grãos e cavaco de madeira.
O porto fica às margens do Rio Amazonas, com acesso ao Oceano Atlântico, e é considerado um dos principais corredores logísticos do Arco Norte, com proximidade de mercados na América do Norte, Europa e África.
Em 2025, o porto de Santana movimentou 3,6 milhões de toneladas, crescimento de 17,3% em relação ao ano anterior, conforme dados da Antaq.
Fonte de referência: portal transporte moderno.
Três perguntas frequentes
1. O que é o Matopiba e por que ele importa para o setor portuário? O Matopiba é uma região agrícola formada por partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Nos últimos anos, tornou-se uma das fronteiras de maior crescimento na produção de grãos do Brasil, pressionando a infraestrutura logística de toda a região Norte e Nordeste.
2. Qual a diferença prática da nova rota pelo Porto de Aratu? A rota via Aratu reduz em cerca de 800 km o trajeto em relação a alternativas como o Porto de Itaqui, no Maranhão. Isso representa uma queda estimada de R$ 20 por tonelada no custo do frete, com reflexos diretos na competitividade das exportações do oeste baiano.
3. O terminal ATU 18 já está em operação plena? O ATU 18 iniciou as operações em 2026 com capacidade estática de 120 mil toneladas e potencial declarado de movimentar até 3 milhões de toneladas de grãos no ano. Os primeiros embarques confirmaram a viabilidade operacional da rota.
