Por Márcia Castro, a Diretora de Comunicação do Portal INFRANEWS
Antes de falar de concessões, PPPs, editais e tribunais, vale contar que este foi um fim de semana de reencontro entre amigas. Dois dias de descanso, conversa boa e aquele ritmo mais lento que às vezes a vida pede.
O destino foi a Serra do Cipó. E, como não poderia deixar de ser, lá fui eu pela MG-010 observando a estrada, suas curvas, seus detalhes e me perguntando por que um trecho tão importante segue sem solução para sua concessão.
A resposta apareceu depois, na pesquisa. A concessão da MG-010, e das vias do Vetor Norte está paralisada por decisões do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
O projeto previa a concessão de 124 km de rodovias, incluindo a MG-424 e a LMG-800, com implantação de pedágios. Os órgãos de controle apontaram inconsistências nos cálculos tarifários, falta de transparência no edital e problemas nas audiências públicas exigidas por lei. Também pesaram as preocupações com o impacto das tarifas para moradores e usuários frequentes da região, especialmente da Serra do Cipó, além da resistência de prefeitos e lideranças municipais.
Mas, de volta à estrada.
Quem mora em Belo Horizonte conhece bem a LMG-800, o famoso “caminho da roça” que leva a Confins. Conhece também a MG-424, alternativa para visitar a família quando a BR-040 não ajuda.
Já a MG-010 é diferente. Ela tem personalidade própria.
A estrada passa dentro de Lagoa Santa, cruza paisagens que parecem resistir ao tempo, enfrenta o conhecido gargalo do viaduto de mão única sobre o Rio Cipó e, mais adiante, encontra a pista estreita de intertravados na Serra, onde carros, ônibus e turistas disputam espaço em períodos de maior movimento.
E lá no alto continua o Juquinha, observando tudo como faz há décadas. Sim, esse caminho precisa de melhorias. Precisa de mais segurança, fluidez e capacidade. Mas também merece algo raro em projetos de infraestrutura: sensibilidade.
Porque algumas estradas não são apenas ligações entre cidades. Elas carregam memórias, hábitos, histórias e um jeito de viver.
Os Caminhos de Minas têm um pouco disso. Que a modernização venha. Mas que venha sem apagar o que faz dessa terra um lugar tão singular.
Daqui, seguimos torcendo — e trabalhando — para que seja possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
