A experiência da primeira PPP (parceira público privada) de cidade inteligente do Brasil, na pequena Carmo do Cajuru, em Minas Gerais, foi também compartilhada com destaque no Congresso Paulista de Iluminação e Cidades do Futuro, o CPIIC 2026. Ex-prefeito da cidade por dois mandatos, o arquiteto e urbanista Edson Vilela relatou que é possível aliar o interesse público e a viabilidade econômica a serviço de mais investimentos para a população de pequenas cidades brasileiras.


Vilela atribui o sucesso da PPP a um longo processo de modelagem contratual, considerando as características locais e a junção de outros serviços de utilidade pública ao parque de iluminação, incluindo fibra ótica, wi-fi em praças públicas e videomonitoramento, como atrativos à captação de investimentos da iniciativa privada.
“Somos uma cidade pequena, onde mostramos que a transformação também é possível. Tínhamos 4.500 pontos de IP, na época. Fomos trabalhando a modelagem da PPP e chegamos num denominador de respeito e equilíbrio entre o poder concedente, a iniciativa privada e a população”, destaca o ex-prefeito de Carmo do Cajuru.
No caminho da viabilidade de novas PPPs, a associação de pequenos municípios em regimes de consórcio pode ser a ponte mais rápida para a oferta de mais serviços à comunidade. Participante do painel “O poder das parcerias do setor público com a iniciativa privada para o fomento de cidades inteligentes”, Márcio Pinto, gestor das PPPs do Consórcio Luz da Alta Mogiana (COMAM), expôs avanços em políticas públicas comemorados pelo pool atual de 16 municípios.
O especialista destaca que o processo de construção de PPPs fomenta o amadurecimento técnico, gerencial e político em diferentes municípios. “O gestor público brasileiro, muitas vezes, se fecha no seu ciclo político. Quando falamos em regulamentar a nova Cosip, garantir recursos, depara-se em alguns casos com a dificuldade na continuidade da gestão, com a perspectiva de outro gestor dar continuidade. Por isso, vemos na figura dos consórcios um movimento importante de orientação, estabilidade e consolidação de investimentos, incluindo o uso do FPM”, observa o gestor.
