O caminho para a construção de cidades inteligentes passa cada vez mais pela capacidade de utilizar a tecnologia e resolver problemas reais da população. Essa foi uma das conclusões do painel “Cidades Inteligentes por Elas”, realizado durante o CPIIC 2026, em Santo André (SP). Com exemplos nacionais e internacionais, especialistas mostraram que inovação urbana vai muito além da digitalização de serviços e deve estar diretamente conectada à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.
Um dos destaques foi o caso de Ponta Grossa (PR), considerada uma das referências brasileiras em governo digital. A cidade implantou o programa Conecta, que oferece internet gratuita em 180 pontos públicos e registra mais de 5 mil acessos diários. O município também digitalizou mais de 317 mil processos administrativos, economizando cerca de 400 mil folhas de papel e reduzindo significativamente o tempo de resposta aos cidadãos. A estratégia inclui ainda iniciativas voltadas à sustentabilidade, segurança inteligente, turismo e inclusão social, como a criação de endereços digitais para moradores de áreas sem regularização formal.
Outro exemplo apresentado foi Canoas (RS), uma das principais cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre. A secretária adjunta de Parcerias e líder de PPPs da prefeitura, Larissa Junckes, destacou a importância da Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP), instrumento previsto no artigo 149-A da Constituição Federal que permite aos municípios financiar projetos de iluminação pública e, após a reforma tributária, também financiará sistemas de monitoramento voltados à segurança pública. Segundo ela, esse mecanismo tem ampliado a capacidade dos municípios de investir em infraestrutura urbana moderna.
A visão de que cidades inteligentes precisam colocar as pessoas no centro das decisões foi reforçada por Regiane Relva Romano, diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da VIP-Systems e coordenadora do MBA da Facens. Para ela, o conceito vai muito além da instalação de redes Wi-Fi ou luminárias LED. “A cidade inteligente é aquela que coloca o cidadão no centro e utiliza a tecnologia como ferramenta para melhorar sua qualidade de vida”, afirmou.
Regiane compartilhou ainda experiências observadas recentemente em Singapura, considerada uma das maiores referências mundiais em inovação urbana. Segundo ela, o país construiu seu modelo ouvindo a população e identificando suas necessidades reais antes de implantar soluções tecnológicas. Entre os exemplos citados estão os sistemas de iluminação pública com controle inteligente de consumo, o reaproveitamento de água em larga escala e a obrigatoriedade de coleta e reutilização da água da chuva em empreendimentos privados, criando uma cultura permanente de sustentabilidade.
A moderadora do painel, Raquel Cardamone, CEO da Bright Cities, disse que a tecnologia deve ser utilizada como ferramenta de gestão e planejamento, apoiada por indicadores e diagnósticos capazes de orientar decisões mais eficientes. Os exemplos apresentados por Ponta Grossa, Canoas e Singapura demonstram que, independentemente do porte ou localização, as cidades do futuro serão aquelas que conseguirem integrar inovação, sustentabilidade e participação cidadã para gerar resultados concretos para a população.
