O sistema de hidrelétricas no rio Teles Pires apresentou falhas no reservatório e instabilidade nas barragens, assim o MPF–Ministério Público Federal abriu uma investigação para avaliar os riscos de rebaixamento do nível da água e suas consequências diretas sobre povos indígenas e comunidades tradicionais. O caso da Usina de Colíder, inaugurada em 2019.
Comunidades em alerta permanente
As populações indígenas do baixo Teles Pires relatam viver sob tensão diária. Líderes da Associação Dace, que representam os Munduruku, denunciam a ausência de comunicação adequada de empresas e órgãos públicos sobre oscilações bruscas no nível do rio.
Casas, plantações e rotinas foram afetadas por cheias repentinas seguidas de queda acelerada das águas. Além disso, relatos apontam mortandade de peixes, redução da pesca e ameaça à reprodução de tartarugas, elementos centrais para a segurança alimentar das aldeias.
Cadeia de usinas em risco
O temor não se limita a uma única barragem. Documentos oficiais alertam para o risco de efeito em cascata envolvendo quatro grandes empreendimentos: Sinop, Colíder, Teles Pires e São Manoel. Uma falha grave em qualquer uma delas poderia comprometer a estabilidade do conjunto, com consequências incalculáveis para o ecossistema e para as populações ribeirinhas.
Nesse contexto, o MPF exige a implementação imediata de um Plano de Ação Emergencial que inclua as aldeias no sistema de monitoramento e garanta medidas de segurança mais amplas.
Direitos e consulta ignorados
Para os povos indígenas, a exclusão de decisões que afetam diretamente suas vidas é uma violação de direitos históricos.
A ausência de diálogo transparente entre empresas do setor elétrico, órgãos reguladores e comunidades amplia a sensação de abandono. Segundo levantamentos do Inesc–Instituto de Estudos Socioeconômico, 16 das 23 hidrelétricas em operação na Amazônia afetam terras indígenas, e mais de 30% das Terras Indígenas da região podem sofrer interferência de novos projetos.
Um dilema de grandes proporções
As hidrelétricas são importantes para o abastecimento energético, no entanto, a pressão sobre territórios tradicionais e ecossistemas frágeis levanta questionamentos sobre os limites dessa matriz.
A Amazônia não pode ser tratada apenas como reservatório de energia. É um espaço habitado por culturas milenares que resistem, mesmo diante de ameaças permanentes. O equilíbrio entre geração elétrica e proteção de povos tradicionais é hoje um dos maiores dilemas da infraestrutura nacional.
Fonte: informações do portal O Eco.
FAQ Hidrelétricas e comunidades em risco
1 – Como as falhas em barragens podem afetar diretamente as aldeias? Oscilações repentinas do nível do rio podem alagar casas, destruir plantações, reduzir a oferta de peixes e colocar vidas em risco imediato.
2 – Quais hidrelétricas são consideradas mais vulneráveis na região? As de Sinop, Colíder, Teles Pires e São Manoel são citadas como pontos críticos devido à proximidade e conexão estrutural entre si.
3 – Que medidas estão sendo exigidas pelas comunidades indígenas? Inclusão nos planos emergenciais, respeito à consulta prévia, ações de proteção à pesca e apoio imediato para famílias afetadas.
