Com a promessa de conectar a cidade de São Paulo à Baixada Santista e outras localidades do litoral sul paulista, um novo projeto ferroviário interestadual está sob avaliação do Governo Federal. A proposta integra o chamado Trem Intercidades Eixo Sul e surge como parte da carteira do PPI-Programa de Parcerias de Investimentos. Apesar de seu potencial para reestruturar o sistema de transporte intermunicipal, o projeto tem previsão de amadurecimento que pode se estender por até 30 anos.
Os estudos de viabilidade estão em andamento e devem ser concluídos somente em 2027. A proposta, ainda em estágio inicial, divide-se em seis fases, sendo que a primeira, a qualificação no PPI, já foi finalizada.
O Trem Intercidades Eixo Sul está projetado para percorrer entre 80 e 130 km, com uma estimativa de tempo de trajeto em torno de 90 minutos. Essa conexão sobre trilhos pretende oferecer uma alternativa ao tráfego intenso do Sistema Anchieta-Imigrantes, responsável pelo escoamento rodoviário entre a metrópole e o litoral.
Trajetos sob análise
Há pelo menos duas possibilidades em avaliação para a implantação da linha. A primeira delas propõe o reaproveitamento da atual Linha 10 – Turquesa da CPTM, com ramal até Rio Grande da Serra e, de lá, seguindo por uma ferrovia já existente em direção a Paranapiacaba. Essa rota exige a retomada e modernização do antigo sistema de cremalheira, que venceria o trecho da Serra do Mar, originalmente planejado para atender ao transporte de carga e passageiros.
Essa proposta utiliza uma infraestrutura já disponível, o que teoricamente facilitaria a implantação do serviço. Contudo, a presença de sistemas antigos, a necessidade de readequação de traçado e os altos custos de modernização indicam complexidade técnica elevada.
A segunda possibilidade nasce na Zona Sul da capital paulista, com duas alternativas de origem, uma pela Rodovia dos Imigrantes e outra pela Linha 9 – Esmeralda, com extensão até uma linha ferroviária desativada que passa por Parelheiros. Ambas as rotas ainda carecem de estudos detalhados sobre viabilidade técnica, ambiental e operacional.
Etapas futuras
O cronograma estimado, divulgado pelo próprio PPI, prevê o encerramento da fase de estudos no primeiro semestre de 2027. Na sequência, será realizada audiência pública, abertura de edital e, se não houver atrasos, o leilão poderá ocorrer no final do mesmo ano. A assinatura do contrato com o operador vencedor da futura concessão está prevista para 2028.
Apesar da longevidade estimada até a conclusão total, a proposta já projeta a geração de aproximadamente 13 mil postos de trabalho diretos e indiretos, somando esforços públicos e privados. Os investimentos iniciais são estimados em torno de R$ 15 bilhões.
Fase da obra e pressões regionais
Mesmo sem qualquer obra iniciada, o projeto já movimenta discussões técnicas e políticas. Há forte expectativa por parte de setores ligados ao transporte e à logística, principalmente na Baixada Santista, que há décadas aguarda uma alternativa ferroviária eficiente e permanente para passageiros.
A morosidade, no entanto, segue sendo uma marca registrada de obras ferroviárias em território nacional. Embora planos como esse sejam necessários, há sempre o risco de os projetos se prolongarem além do previsto, como ocorreu com diversas outras iniciativas que ainda não saíram do papel.
Caminho longo até o início das obras
Diante do atual estágio, é possível afirmar que o Trem Intercidades Eixo Sul ainda enfrenta um longo caminho até a concretização. A dependência de estudos complexos, os trâmites legais, ambientais e regulatórios, além da própria realização do leilão e posterior assinatura de contrato, fazem do cronograma uma projeção incerta.
O projeto, apesar de relevante, pode seguir os mesmos percalços enfrentados por outros modais ferroviários que demoraram décadas para chegar à execução. O desafio, neste caso, é manter a proposta tecnicamente viável, economicamente atrativa e socialmente defensável ao longo de um horizonte tão estendido.
FAQ sobre o projeto ferroviário
1 – Qual é a função principal do Trem Intercidades Eixo Sul? A proposta visa estabelecer uma conexão ferroviária de passageiros entre a cidade de São Paulo e a Baixada Santista, como alternativa à saturação do Sistema Anchieta-Imigrantes.
2 – O projeto está aprovado para execução? Ainda não. Encontra-se em fase de estudos de viabilidade, com previsão de conclusão apenas em 2027. Só após essa etapa serão realizadas audiências, leilão e assinatura contratual.
3 – Há previsão de uso de tecnologia de controle moderno? Sim. O projeto pretende incorporar o ETCS, um sistema europeu de controle automático de trens, que melhora a segurança operacional e a eficiência dos trajetos.
