Com foco no setor de infraestrutura, a Refinaria de Duque de Caxias apresenta um plano de expansão da Petrobras no início de julho, um pacote de obras e ampliações no estado do Rio de Janeiro que ultrapassa os R$ 30 bilhões, com geração estimada de mais de 38 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
O ponto mais simbólico do pacote é a conexão operacional entre a Refinaria Duque de Caxias e o Complexo Boaventura, estrutura que se originou do antigo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. A proposta central é criar uma cadeia de refino e petroquímica integrada, com potencial para produzir volumes mais expressivos de diesel, lubrificantes, querosene de aviação e derivados de combustíveis com menor dano ambiental.
Além disso, o projeto prevê refino de lubrificantes usados e a ampliação da capacidade de processamento de gás natural, que passará a chegar à Reduc por meio do novo complexo. A expectativa é de uma operação mais eficiente, com aumento da oferta interna de combustíveis e maior estabilidade no fornecimento energético.
Expansão petroquímica e modernização industrial
O plano de obras contempla também uma expansão da planta industrial da Braskem em Duque de Caxias, com valor previsto superior a R$ 4 bilhões. A unidade, que já é uma das referências mundiais no setor petroquímico, ampliará sua capacidade de produção de polietileno, resina amplamente utilizada em embalagens, componentes industriais e produtos de uso cotidiano.
A ampliação deverá criar mais de 7 mil postos de trabalho, com expectativa de movimentação direta em segmentos logísticos e operacionais. A Petrobras, que possui quase metade do capital votante da Braskem, reforça com essa operação sua atuação no campo da química básica e sua interligação com a cadeia do refino.
Além do investimento em novas estruturas, o pacote prevê também paradas técnicas programadas e manutenção da Refinaria Duque de Caxias. Esse movimento envolve quase R$ 2,5 bilhões para atualização de sistemas e reforço de normas técnicas, com foco em estabilidade e segurança industrial. Já a construção de uma nova usina termelétrica movida a gás natural dentro da mesma unidade reforça a autonomia energética da região, em obra estimada em R$ 860 milhões.
Qualificação profissional e reindustrialização local
Com a previsão de mobilização de milhares de trabalhadores em diferentes fases do projeto, a Petrobras firmou parceria com a Firjan para capacitar mão de obra técnica. Ao todo, 6.200 profissionais serão formados em áreas como soldagem, caldeiraria e elétrica, para atendimento às demandas do projeto.
Esse movimento educacional pretende mitigar a carência de técnicos especializados, que vem sendo um gargalo frequente em obras industriais de grande porte no país. O programa prevê oferta de cursos, treinamentos práticos e encaminhamento profissional, com foco em autonomia e renda para trabalhadores locais.
Complexo industrializante no eixo metropolitano
O eixo entre a Reduc e o Complexo Boaventura forma agora um corredor de infraestrutura energética e petroquímica com capacidade de articulação nacional. As unidades operam integradas, com transferência direta de insumos, sinergia logística e consolidação de uma malha de apoio com fornecedores e prestadores de serviço especializados.
Além de contribuir para uma matriz energética mais equilibrada, o pacote amplia a capacidade nacional de refino e contribui para o abastecimento interno com maior regularidade. O uso do gás natural como base para geração elétrica reforça o movimento de diversificação da matriz, em linha com os compromissos ambientais firmados nos últimos anos.
A cadeia envolvida nas obras abrange empresas de engenharia, serviços industriais, logística, construção civil pesada e fornecimento de equipamentos. Os contratos, licitações e parcerias que surgirão com a execução do plano tendem a movimentar uma extensa rede de empreiteiras e prestadores de serviço com experiência em infraestrutura energética.
FAQ – Perspectivas técnicas e operacionais
1 – Quais são os principais ganhos operacionais com a integração da Reduc e do Complexo Boaventura? A conexão direta entre as unidades reduz etapas logísticas, aproveita estruturas pré-existentes e amplia a eficiência da produção e do escoamento de derivados, como diesel e lubrificantes. O uso compartilhado de infraestrutura também permite melhor aproveitamento de insumos e de pessoal técnico qualificado.
2 – A ampliação da Braskem impacta diretamente em quais setores? A produção ampliada de polietileno beneficia diretamente a indústria de embalagens, construção civil, agronegócio e o setor automotivo. A medida também tende a reduzir a dependência de importações e a fortalecer fornecedores nacionais de matéria-prima plástica.
3 – Como o setor de infraestrutura pode se preparar para demandas semelhantes? Empresas do setor precisam estar atentas aos movimentos de reindustrialização e formação de pólos integrados, investindo em qualificação técnica, sistemas de gestão ágeis e parcerias locais. Projetos com alta densidade técnica demandam prontidão em contratação, logística e segurança operacional.
