Uma nova movimentação no setor de infraestrutura aeroportuária reacende o interesse do mercado em ativos regionais. No início de julho, investidores reuniram-se no escritório da Invest RS em São Paulo para acompanhar a apresentação do projeto de concessão dos aeroportos de Passo Fundo e Santo Ângelo. A proposta, estruturada na modalidade de concessão patrocinada, representa mais um passo do governo estadual no sentido de ampliar a rede de colaborações com o setor privado.
O evento foi conduzido pela Serg-Secretaria da Reconstrução Gaúcha e sinaliza um momento de abertura institucional para diálogo com agentes de mercado. Mais do que uma apresentação técnica, a reunião em São Paulo funcionou como um termômetro do interesse do setor pela operação, manutenção e modernização dos dois terminais pelo período de trinta anos.
Dois terminais aéreos no centro das atenções
O Aeroporto Sepé Tiaraju, em Santo Ângelo, e o Aeroporto Lauro Kortz, em Passo Fundo, foram os protagonistas da agenda com investidores. Ambos são considerados estratégicos para a mobilidade regional do norte e noroeste do Estado. Os projetos preveem melhorias estruturais, desde a ampliação dos terminais de passageiros até o aprimoramento dos pátios e sistemas de abastecimento.
Em Santo Ângelo, a proposta inclui aumento da área de embarque, modernização das instalações operacionais e requalificação do fluxo de aeronaves. Em Passo Fundo, estão previstos ajustes de capacidade nos espaços de atendimento, expansão das áreas técnicas e aperfeiçoamento das operações de abastecimento. São obras que exigem planejamento logístico, execução especializada e sinergia com os requisitos da aviação civil.
Concessão trinta anos para além da operação
Com previsão de investimentos superiores a R$ 100 milhões, a concessão patrocinada estabelece que parte da receita virá de pagamentos públicos periódicos, enquanto a empresa vencedora deverá executar os aportes em infraestrutura e operar os aeroportos com qualidade comprovada. Isso exige capacidade financeira, conhecimento do setor e responsabilidade técnica.
A abertura de envelopes está marcada para setembro na B3, em São Paulo, onde também será realizado o leilão. O critério de julgamento será o maior desconto sobre a contraprestação, o que reforça a disputa pelo projeto entre grupos que possam oferecer equilíbrio entre tarifa competitiva e excelência operacional.
A assinatura contratual, caso o cronograma seja mantido, está prevista para janeiro de 2026. Até lá, as etapas regulatórias, as audiências e as diligências técnicas deverão caminhar em paralelo à aproximação de potenciais proponentes.
FAQ – Infraestrutura Aeroportuária e Parcerias no Sul do País
1 – Quais são os principais objetivos da concessão dos aeroportos de Passo Fundo e Santo Ângelo? O projeto visa garantir operação qualificada, modernização dos terminais, ampliação da capacidade e eficiência na gestão aeroportuária, com participação direta da iniciativa privada.
2 – Quem está conduzindo esse processo e por que em São Paulo? A Serg, em parceria com a Invest RS, lidera o processo. A escolha por São Paulo decorre do interesse em alcançar investidores estabelecidos no principal centro financeiro do país.
3 – O modelo de concessão patrocinada é viável para aeroportos regionais? Sim, especialmente quando há contrapartidas públicas bem estruturadas e um plano de modernização que valorize o ativo ao longo dos anos de concessão.
