A EMAE formalizou o contrato para a construção da PCH Edgard de Souza, em Santana de Parnaíba, interior de São Paulo. O projeto marca a reconversão de um ativo histórico da empresa em uma fonte ativa de geração de energia renovável, sem a necessidade de novas intervenções no leito do Rio Tietê.
A execução ficará a cargo de um consórcio formado pelas empresas Hidroenergia, responsável pelos equipamentos e pela parte tecnológica, e SEEL Engenharia, que conduzirá as obras civis. O empreendimento aguarda a emissão da Licença Ambiental de Instalação para dar início às obras.
O que é uma PCH e por que ela importa
Uma Pequena Central Hidrelétrica, ou PCH, é uma usina de geração de energia elétrica a partir da força da água, com capacidade instalada entre 1 MW e 30 MW. Diferentemente das grandes hidrelétricas, as PCHs operam em menor escala, com menor área alagada e impacto ambiental reduzido.
Por isso, são consideradas fontes de energia limpa e firme, ou seja, geração contínua e previsível, ao contrário de fontes intermitentes como solar e eólica.
No caso da PCH Edgard de Souza, a planta aproveitará a barragem já existente, construída em 1901 pela antiga Light, sem demandar novos desvios ou grandes escavações no Rio Tietê.
18 MW e três turbinas no coração do Tietê
A PCH Edgard de Souza terá capacidade instalada de 18 MW, com garantia física de 13,44 MW médios, volume suficiente para abastecer cerca de 65 mil residências. A planta será composta por três unidades geradoras equipadas com turbinas Kaplan verticais, tecnologia amplamente utilizada em rios de baixa queda e alto volume d’água, além de geradores síncronos, subestação elevadora dedicada e sistemas de automação.
O projeto integra o SIN – Sistema Interligado Nacional, a malha elétrica que conecta praticamente todo o país, o que garante que a energia produzida chegue diretamente à Região Metropolitana de São Paulo.
Leilão histórico como porta de entrada
A viabilização desse projeto teve início no Leilão de Energia Nova A-5, realizado pela ANEEL em 2025. A EMAE venceu o certame e garantiu o direito de comercializar a energia que será produzida pela PCH, conferindo viabilidade econômica ao empreendimento.
Para a Hidroenergia, o contrato representa continuidade de uma relação já estabelecida com a estatal paulista. A empresa já atua em obras de retrofit na Usina Rasgão, também operada pela EMAE, o que coloca o consórcio em terreno conhecido ao assumir mais um projeto relevante da companhia.
Infraestrutura centenária como recurso produtivo
O aproveitamento de estruturas já existentes é uma das linhas mais eficientes do setor elétrico brasileiro. A barragem Edgard de Souza foi a primeira grande obra do gênero construída no Brasil, inaugurada há mais de 120 anos como parte do sistema de abastecimento e controle hídrico da região.
Reconverter esse ativo para geração de energia hidrelétrica representa um modelo de gestão que une longevidade de infraestrutura com demandas contemporâneas por energia limpa. A lista de benefícios diretos do projeto inclui:
- Aproveitamento de barragem já licenciada e operante.
- Ausência de novos desvios no Rio Tietê.
- Geração de energia firme próxima a grandes centros de consumo.
- Menor complexidade de licenciamento ambiental em relação a obras greenfield.
- Fortalecimento da cadeia produtiva nacional de PCHs.
São Paulo na geração renovável
A Região Metropolitana de São Paulo é o maior polo de consumo de energia do país. Ter geração local, ainda que em escala de PCH, contribui para a resiliência do sistema elétrico e reduz a dependência de transmissão de longas distâncias. A PCH Edgard de Souza se soma a um conjunto de iniciativas que buscam diversificar a matriz energética do estado com fontes limpas e de baixo risco ambiental.
Fonte: portal Cenário Energia.
Dúvidas sobre PCHs e infraestrutura
1. Uma PCH pode ser construída sobre infraestrutura antiga sem novo licenciamento completo? Não necessariamente. Mesmo utilizando uma barragem já existente, o projeto precisa obter licenças específicas para a atividade de geração, como a Licença Ambiental de Instalação. O aproveitamento da estrutura facilita o processo, mas não o elimina.
2. Qual a diferença entre garantia física e capacidade instalada em uma PCH? A capacidade instalada representa o máximo que a usina pode gerar em condições ideais. Já a garantia física é o volume de energia que o projeto pode, de fato, comprometer em contratos, calculada com base em estudos hidrológicos. Na PCH Edgard de Souza, a capacidade instalada é de 18 MW e a garantia física é de 13,44 MW médios.
3. O que são turbinas Kaplan e por que são usadas em rios como o Tietê? As turbinas Kaplan são equipamentos projetados para operar em locais com baixa queda d’água e alto volume de fluxo, características típicas de rios de planície como o Tietê. Suas pás ajustáveis permitem eficiência mesmo com variações de vazão, tornando-as ideais para PCHs nesse tipo de ambiente.
