O armazenamento de energia nas redes de distribuição elétrica no Brasil saiu do papel. Pela primeira vez, um sistema BESS foi instalado e colocado em operação diretamente no segmento de distribuição, aquele que leva energia até residências, comércios e indústrias. O projeto está localizado em Coronel Vivida, no Paraná, e foi desenvolvido pela Matrix Energia em parceria com a Pacto Energia Distribuição Paraná.
O que é um sistema BESS?
BESS – Battery Energy Storage System, ou sistema de armazenamento de energia por baterias, é um conjunto de baterias de grande capacidade conectado à rede elétrica com a função de absorver energia nos momentos de sobra e liberá-la quando a demanda sobe.
Diferente de um gerador, ele não produz energia, mas armazena e gerencia o que já foi gerado. A tecnologia usa, majoritariamente, baterias de íon de lítio, as mesmas presentes em veículos elétricos e equipamentos eletrônicos, mas em escala industrial.
Um sistema BESS é composto por módulos de baterias, inversores de frequência, sistemas de gerenciamento de energia e software de controle operacional, tudo integrado para responder em tempo real às variações da rede. No setor elétrico, ele pode atuar na geração, na transmissão ou, como acontece em Coronel Vivida, diretamente na distribuição de energia.
Guardar energia para usar depois
O sistema conta com dez baterias e capacidade de 20 MWh. Em operação desde fevereiro de 2025, ele armazena energia elétrica nos períodos de geração excedente, como durante o pico de produção solar, e a devolve à rede nos momentos de maior demanda. Em vez de desperdiçar o excedente ou sobrecarregar linhas, o sistema funciona como um reservatório de eletricidade, injetando até 10 MW de potência quando a rede mais precisa.
A rede elétrica brasileira
O Brasil convive, ao mesmo tempo, com risco de apagões em determinadas condições e com excesso de energia renovável em outros períodos do dia. Esse desequilíbrio é um efeito direto da expansão acelerada da geração distribuída, especialmente a energia solar fotovoltaica.
Com mais painéis instalados em telhados e pequenas usinas espalhadas pelo país, a oferta de energia passou a oscilar de forma que a infraestrutura tradicional de distribuição não consegue absorver com eficiência.
A chegada do BESS na distribuição responde exatamente a esse problema ao atuar no ponto de encontro entre geração e consumo, o sistema oferece flexibilidade operacional sem a necessidade imediata de obras civis ou expansão de subestações.
Quem já operava com baterias no Brasil
Até este projeto, as iniciativas de armazenamento por baterias no país estavam concentradas em três frentes:
- Usinas de geração de grande porte.
- Sistemas de transmissão de energia.
- Instalações industriais e comerciais, no modelo behind-the-meter (atrás do medidor, dentro do próprio consumidor).
Em 2025, a ISA Energia instalou o primeiro projeto de larga escala no litoral sul paulista, com foco na transmissão. A WEG está construindo uma fábrica dedicada à produção de sistemas BESS para atender à demanda industrial.
Operar bem é tão difícil quanto instalar
A Matrix Energia mantém um Centro de Operações Integrado próprio para monitorar e controlar os sistemas em tempo real. Essa estrutura permite ajustar o uso das baterias conforme as variações da rede, da geração e do consumo ao longo do dia.
O plano é dobrar sua capacidade instalada de armazenamento de energia até o fim de 2026, saindo dos atuais cerca de 120 MWh para aproximadamente 250 MWh. A entrada no segmento de distribuição representa uma expansão significativa do escopo de atuação no setor elétrico.
No plano regulatório, o governo federal prepara para junho de 2025 um leilão de capacidade que pode incluir sistemas de baterias, abrindo espaço para que o armazenamento de energia ganhe escala no mercado nacional.
Fonte consultada: exame.com.
Perguntas do setor elétrico
1 – O que é BESS e por que ele importa para a distribuição? BESS é um sistema de armazenamento de energia por baterias. Na distribuição, ele permite que a operadora armazene energia excedente e a utilize nos momentos de pico, reduzindo oscilações, evitando sobrecargas e melhorando a qualidade do fornecimento sem depender de novas obras de infraestrutura.
2 – Por que o Brasil demorou tanto para adotar baterias na distribuição? A concentração dos investimentos em geração e transmissão, aliada ao custo ainda elevado das baterias, direcionou os primeiros projetos para outros segmentos da cadeia.
3 – O leilão de capacidade previsto para 2026 pode mudar o cenário? Sim. Um leilão de capacidade com espaço para sistemas BESS criaria um sinal de mercado claro para distribuidoras e investidores, acelerando a contratação e a instalação de baterias na rede elétrica em escala nacional.
