O governo de São Paulo optou por manter operacional o sistema de balsas entre Santos e Guarujá mesmo após a inauguração do primeiro túnel imerso do Brasil, previsto para o início de 2030. A decisão integra uma estratégia de mobilidade multimodal na região, onde mais de 21 mil veículos cruzam diariamente o canal do Porto de Santos. O empreendimento, orçado em R$ 6,8 bilhões e concedido à Mota-Engil, promete reduzir o tempo de travessia para cinco minutos, mas não eliminará a alternativa aquaviária, que continuará atendendo pedestres, ciclistas e motoristas em horários de pico.
Manutenção do sistema aquaviário
A travessia hidroviária entre as duas cidades não será desativada. Pelo contrário, ela será preservada como alternativa complementar ao túnel, absorvendo demandas que o novo modal sozinho não conseguiria atender. Atualmente, além dos 21 mil veículos, o sistema transporta 7,7 mil ciclistas e 7,6 mil pedestres por dia, públicos que demandam flexibilidade operacional que uma estrutura fixa, por mais moderna que seja, não oferece com a mesma elasticidade.
A lógica por trás da manutenção das embarcações reside na vulnerabilidade do canal portuário. A passagem de navios e as condições climáticas interferem diretamente na fluidez de qualquer travessia. Ter dois modais disponíveis funciona como uma rede de segurança operacional: quando um enfrenta restrições, o outro mantém a circulação. O governo estadual explicitou que as balsas permanecerão ativas sem indicação de encerramento, descartando especulações sobre a extinção do serviço.
Contrato e especificações técnicas
A PPP do túnel foi sacramentada em janeiro de 2026, após leilão vencido pelo grupo português Mota-Engil. O contrato prevê 30 anos de concessão e uma obra complexa: 870 metros de extensão submersa, três faixas por sentido, passagem para pedestres e ciclistas, além de galeria de serviços. Os módulos serão fabricados fora do canal e depois imersos, técnica inédita no país.
O calendário oficial indica:
- 2026 dedicado a projetos executivos e estudos complementares.
- 2027 marcando o início da mobilização e obras iniciais.
- 2028 reservado à fabricação dos elementos do túnel.
- Imersão das estruturas e conclusão previstas para o início dos anos 2030.
Renovação das travessias hídricas
Enquanto o túnel avança em fase de projeto, o sistema de balsas passa por uma renovação própria. Em novembro de 2025, o consórcio Acqua Vias SP venceu a concessão de 20 anos para operar 14 linhas hidroviárias no estado, com investimentos de R$ 2,5 bilhões. O pacote inclui a aquisição de mais de 40 embarcações novas, predominância de modelos 100% elétricos, requalificação de 20 terminais e instalação de centros de controle operacional.
Na linha Santos-Guarujá, a gratuidade para ciclistas permanece garantida. As tarifas vigentes seguem sob regulamentação estadual, sem alterações anunciadas.
Relevância econômica da região
A Baixada Santista concentra atividades que respondem por R$ 79 bilhões do PIB paulista. Essa magnitude explica por que o estado insiste em uma solução que não aposta tudo em uma única alternativa. O PLI-SP 2050, plano de longo prazo apresentado em fevereiro de 2026, elege a região como prioridade para integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.
Nesse cenário, o túnel não surge como substituto, mas como peça adicional de um quebra-cabeça logístico. Em vez de forçar uma migração total para um modal novo, o governo prefere somar capacidades, distribuir riscos operacionais e garantir que a mobilidade entre Santos e Guarujá resista a imprevistos técnicos ou climáticos.
A aposta é que, com as duas opções funcionando, o congestionamento crônico que hoje pode consumir quase uma hora em deslocamentos rodoviários será diluído. O motorista terá a escolha de pagar pelo túnel e ganhar velocidade, ou manter a balsa e, eventualmente, enfrentar as variáveis do mar. O pedestre e o ciclista, por sua vez, mantêm um serviço gratuito e adaptado às suas necessidades.
Fonte: Portal CPG.
FAQ
1 – O túnel vai eliminar as filas das balsas? Não necessariamente. A proposta é distribuir o fluxo, não concentrá-lo. O túnel absorverá parte dos 21 mil veículos diários, mas as embarcações continuam essenciais para picos de demanda, condições climáticas adversas e usuários que optarem pelo modal aquaviário.
2 – Quanto tempo levará a travessia pelo túnel? A estimativa oficial é de aproximadamente cinco minutos, contra quase uma hora em congestionamentos rodoviários atuais ou o tempo variável das balsas, que dependem de condições portuárias e meteorológicas.
3 – Por que o governo não optou por substituir totalmente as balsas? A decisão técnica preserva a flexibilidade operacional. O canal do Porto de Santos tem restrições de navegação que afetam qualquer travessia. Manter os dois modais garante alternativa imediata em caso de interrupções no túnel ou nas embarcações.
