Em abril de 2026, máquinas de terraplenagem começaram a operar em Vinhedo, no interior de São Paulo, ao lado de trilhos com décadas de uso. O sinal físico marcou a virada do projeto Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas, que por muito tempo existiu apenas em documentos.
Esse é o primeiro trem de média velocidade do Brasil, com velocidade máxima de 140 km/h e tempo estimado de 64 minutos para percorrer os 101 km do trajeto. O investimento total previsto é de R$ 14,2 bilhões, com abrangência em 11 municípios e projeção de atender até 15 milhões de pessoas na região metropolitana.
Concessão prevê três frentes de operação
O projeto do eixo Norte, nome técnico da ligação São Paulo-Campinas, foi concedido ao consórcio C2 Mobilidade sobre Trilhos EIC Trens, formado pelo grupo Comporte e pela fabricante ferroviária chinesa CRRC. O contrato, com prazo de 30 anos, foi assinado cerca de 90 dias após o leilão realizado na B3, e o que torna esse projeto complexo é sua estrutura em três frentes simultâneas:
- Linha 7 Rubi, modernização das estações e substituição de dormentes de madeira por concreto entre Barra Funda e Jundiaí, mantendo a operação de passageiros e carga durante as obras. A concessão foi transferida para a TIC Trens a partir de 2026.
- TIM – Trem Intermetropolitano, novo serviço parador de 44 km entre Jundiaí e Campinas, com paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos, tempo estimado de 33 minutos e início de operação previsto para 2029.
- Trem Intercidades expresso, serviço direto com três estações (Barra Funda, Jundiaí e Campinas), capacidade para até 860 passageiros por viagem e 15 composições de 10 carros cada, somando 150 vagões no corredor.
Engenharia de alta complexidade
O trecho entre São Paulo e Jundiaí concentra os maiores desafios de engenharia. Estão previstos 17 sidings, estruturas de cruzamento que permitem a passagem de trens em sentidos opostos em vias simples sem bloquear a circulação. A solução é fundamental para um corredor que, além de passageiros, é a artéria logística do agronegócio e da indústria paulista.
A convivência entre trens de carga e de passageiros exige separação física das vias, com linhas paralelas dedicadas. Onde o espaço urbano é mais restrito, as intervenções demandam adaptações específicas de traçado. O início das obras nesse trecho está previsto para abril de 2027.
O preço médio estimado da passagem gira em torno de R$ 64, posicionando o serviço acima dos ônibus convencionais, mas com ganho de tempo e previsibilidade de horário como diferenciais centrais. Se a projeção de 672 mil passageiros por dia se confirmar, o Trem Intercidades eixo Norte vai movimentar mais pessoas diariamente do que o metrô de várias capitais brasileiras.
Barra Funda receberá ampliação
A estação Barra Funda, ponto de partida em São Paulo, receberá mais do que uma reforma. A TIC Trens ficará responsável pela modernização e ampliação da estação Água Branca, com projeto de integrá-la a linhas da CPTM, linhas do metrô, o Trem Intercidades eixo Norte e o futuro TIC eixo Oeste, criando um dos maiores pontos de integração modal da cidade.
Outros eixos do programa
O eixo Oeste, ligação entre São Paulo e Sorocaba, já está em planejamento. O projeto inclui sete túneis, três pontes e 33 viadutos, com aproveitamento parcial do leito original da Estrada de Ferro Sorocabana. O governo paulista assumiu diretamente a construção de 279 km de novos trilhos nesse eixo, com estimativa de R$ 10,3 bilhões e obras brutas a partir de 2029.
O programa SP nos Trilhos reúne mais de 40 projetos, incluindo o eixo Leste em direção a São José dos Campos e o eixo Sul em direção à Baixada Santista, com leilão previsto para 2027. O conjunto soma investimentos estimados em R$ 194 bilhões e mais de 1.000 km de novos trilhos.
Cidades menores no mapa da mobilidade
Para municípios como Vinhedo, Valinhos e Louveira, a obra representa uma mudança de posição no mapa de mobilidade regional. Cidades até então funcionais como satélites de Campinas passam a ter uma ligação ferroviária direta com São Paulo, o que altera o raio de deslocamento tolerado por moradores e trabalhadores da região.
O mercado imobiliário ao longo do corredor já começa a incorporar essa nova realidade em suas projeções, e empresas que dependem de acesso ao mercado de trabalho da capital consideram cidades a 60 minutos de trem como alternativas operacionais viáveis.
Fonte de referência: Click Petróleo e Gás.
Dúvidas sobre o Trem Intercidades SP-Campinas
1 – Quanto custará a passagem do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas? O valor médio estimado da passagem é de R$ 64. O preço será definido pela concessionária TIC Trens conforme a regulação contratual da concessão de 30 anos.
2 Quando o Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas começa a operar? O TIM – Trem Intermetropolitano, serviço parador entre Jundiaí e Campinas, tem previsão de início para 2029. O trem expresso entre São Paulo e Campinas tem cronograma de obras escalonado até a conclusão da concessão.
3 – Quais cidades serão atendidas pelo Trem Intercidades eixo Norte? O projeto cobre 11 municípios, com paradas confirmadas em Barra Funda (São Paulo), Jundiaí e Campinas para o expresso. O TIM inclui ainda Louveira, Vinhedo e Valinhos como pontos de parada intermediários.
