O risco financeiro é a principal preocupação de quem comanda obras e concessões no Brasil. Uma pesquisa da KPMG ouviu cem presidentes, conselheiros e executivos do setor de infraestrutura, e 41% deles apontaram a questão financeira como a que mais tira o sono. A explicação vem da taxa de juros elevada que desmotiva investimentos e diminui a industrialização.
Investimentos em infraestrutura são de longo prazo. Quando as taxas sobem, a previsão de recursos dos projetos sofre impactos importantes.
A preocupação ganha corpo com os recentes pedidos de recuperação extrajudicial divulgados neste mês de março, como o caso da Raízen e do grupo varejista GPA. Empresas que apostaram em projetos de longo prazo agora enfrentam um cenário onde o custo do capital se tornou um adversário tão desafiador quanto o terreno acidentado de uma obra.
O que mais inquieta os líderes
A pesquisa “Infraestrutura: perspectivas e oportunidades de investimentos” revelou outras preocupações entre os entrevistados:
- Questões regulatórias — 32%
- Incertezas trabalhistas e falta de mão de obra qualificada — 29%
- Cenário político — 27%
- Cadeia de suprimento — 20%
- Riscos climático e cambial — 10% cada
- Licenciamento ambiental — 7%
- Risco cibernético — 2%
A lista mostra um setor atento a múltiplas frentes, mas onde a questão financeira se destaca com folga.
O desafio do contexto político e econômico
O “contexto político e econômico” foi considerado o principal desafio do segmento, recebendo 31% das menções, sendo o pipeline de projetos grande e o ano eleitoral sempre gera incertezas.
O volume de R$ 700 bilhões incluídos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) mostra o tamanho da oportunidade, mas também dos riscos. O país avançou na regulação, mas a modelagem é toda baseada em capital privado, gerando alto risco para os investidores.
Outros desafios importantes incluem:
- Financiamento — 27%
- Licenciamento ambiental — 14%
O perfil dos entrevistados revela a composição do setor de construção civil, rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
Quanto ao tipo de atuação, 70% das empresas participantes se identificaram como prestadoras de serviço, 16% como investidores, 10% como concessionárias e apenas 3% como representantes do setor público.
Fonte: CNN Brasil
Perguntas que os investidores estão fazendo
1. Por que o risco financeiro superou as questões regulatórias nesta edição da pesquisa? A taxa de juros elevada tornou o custo do capital um problema imediato. Enquanto regulação é uma preocupação constante, a alta dos juros afeta a viabilidade de projetos em tempo real, exigindo renegociações e ajustes de fluxo de caixa.
2. Como o cenário eleitoral afeta os projetos de infraestrutura? Anos eleitorais geram incertezas sobre continuidade de políticas públicas, alterações no PAC e mudanças em agências reguladoras. Investidores costumam adotar postura de espera até que o novo governo se estabilize.
3. O que diferencia esta edição da pesquisa da KPMG? A segunda edição do levantamento trouxe uma amostra de cem tomadores de decisão, com 82% ocupando cargos c-level. A participação majoritária de prestadores de serviços (70%) contrasta com a pequena representação do setor público (3%), mostrando uma visão predominantemente privada dos desafios.
