A Atlas Critical Minerals conectou duas áreas de grafite no nordeste de Minas Gerais, criando um corredor mineralizado contínuo superior a 11 km. A operação expandiu a área total do projeto para cerca de 2.822 hectares, um salto de aproximadamente 124%. A empresa também obteve resultados recorde em amostragens, com teor máximo de 19,4% de carbono grafitizado, superando o anterior recorde de 15,4%.
O novo corredor
A aquisição do novo direito mineral permitiu à Atlas formar uma zona contínua de mineralização. Essa configuração geológica rara oferece vantagens operacionais, pois permite planejar extração em escala com infraestrutura integrada. O depósito apresenta amostras com concentrações entre 10,5% e 15,5% de carbono grafitizado, indicando continuidade robusta do minério.
Levantamentos geofísicos preliminares detectaram anomalias até 215 metros de profundidade, sugerindo que o sistema mineralizado estende-se bem além das zonas superficialmente mapeadas. Essa característica posiciona o ativo entre os poucos projetos de grafite natural no Brasil com potencial para operação de longa vida útil.
Do laboratório ao reator
O diferencial técnico do projeto da Atlas reside na qualidade excepcional do material. Testes realizados em laboratórios especializados nos Estados Unidos demonstraram que o grafite está classificado como um produto adequado para aplicações nucleares, onde especificações rigorosas excluem a maioria dos fornecedores globais.
O grafite natural representa a principal matéria-prima para ânodos de baterias de íons de lítio, componente indispensável na fabricação de veículos elétricos. Com a China dominando mais de 60% da mineração e 85% do refino de terras raras, a pressão por cadeias de suprimento alternativas nunca foi tão intensa.
A companhia planeja intensificar campanhas de perfuração para converter os alvos de exploração em recursos mensuráveis. A compatibilidade do minério com flotação convencional reduz a complexidade técnica e os custos de processamento.
Fonte: Veja Negócios.
Perguntas que o setor está fazendo
1 – Por que o Brasil aparece como alternativa à China em minerais críticos? O Brasil hospeda os segundos maiores depósitos mundiais de terras raras e grafite, além de estabilidade geopolítica e marco regulatório maduro para mineração. Com restrições chinesas à exportação de terras raras e concentração de processamento em poucos polos globais, nações ocidentais diversificam parcerias com fornecedores brasileiros.
2 – Por que o grafite é essencial para baterias de veículos elétricos? As baterias de íons de lítio utilizam grafite como material de ânodo, responsável por armazenar e liberar energia durante ciclos de carga e descarga.
