O segundo dia do Congresso Paulista de Iluminação e Cidades Inteligentes (CPIIC 2026), realizado no Parque Tecnológico de Santo André (SP), foi marcado por debates sobre conectividade, Internet das Coisas (IoT), eficiência energética, qualidade da iluminação pública e segurança urbana. O evento reúne representantes de todas as regiões do Brasil e convidados internacionais, incluindo especialistas do Chile, para discutir soluções que estão transformando a gestão das cidades. Ao longo da manhã, os painéis mostraram que o futuro urbano passa pela integração entre tecnologia, planejamento, eficiência energética e monitoramento inteligente


No painel “Transformação Digital nas Cidades: o papel da conectividade e do IoT”, especialistas discutiram os avanços e os desafios para ampliar a digitalização dos municípios brasileiros. Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Guilherme de Paula Corrêa destacou que o Brasil possui os elementos necessários para avançar na transformação digital, mas ainda precisa melhorar a articulação entre os diferentes atores envolvidos. “O que falta é uma maior orquestração entre os agentes para que essa caminhada aconteça de forma mais rápida”, afirmou.
A avaliação foi compartilhada por Roberval Tavares, CEO do Instituto Constanta Industrial. Segundo ele, o país reúne condições para fortalecer a indústria tecnológica e ampliar a competitividade internacional. “Temos competência, políticas públicas, benefícios fiscais e conhecimento. Sabemos trabalhar e temos potencial para competir com o que vem de fora. Vejo o mercado se fortalecendo a cada dia e acredito muito na indústria nacional”, destacou.
Já Rogério Moreira, presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC), ressaltou o trabalho desenvolvido pela entidade na construção do ecossistema nacional de IoT e na elaboração de marcos regulatórios para o setor. “Temos comitês horizontais e verticais discutindo a evolução desse ecossistema. Ainda há espaço para melhorias, mas já existe um conjunto importante de oportunidades”, afirmou.
Eficiência energética – No painel “Eficiência Energética nas Cidades Sustentáveis e Inteligentes”, os participantes reforçaram que economizar energia vai muito além da redução de custos e passa pela adoção de tecnologias e modelos de gestão mais eficientes.
O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (ABESCO), Sérgio de Oliveira, destacou a capacidade brasileira de desenvolver soluções próprias para os desafios energéticos. “Eficiência não significa apenas comprar energia mais barata. Significa desenvolver tecnologia, inovar e criar soluções. O Brasil tem enorme capacidade técnica, como demonstra o agronegócio, que alcança níveis de produtividade diferenciados em relação a outros países”, observou.
Durante o debate, Roberto Mendes, especialista em eficiência energética da Vitális Energia, defendeu que o primeiro passo para qualquer município é compreender profundamente sua própria realidade. “Mais importante do que pensar em energia é pensar em eficiência. A primeira coisa que os municípios precisam fazer é se conhecer, realizar um diagnóstico e entender onde estão suas oportunidades. A partir daí é possível se organizar para buscar recursos e implementar projetos”, explicou.


Wilcar Junho, vice-presidente da Ledstar, acrescentou que a iluminação pública tem impacto direto na redução de acidentes e nos indicadores de segurança. Os resultados melhoram significativamente quando a cidade adota sistemas inteligentes de iluminação”, afirmou.
Qualidade da iluminação pública – Ainda durante a manhã, especialistas participaram do painel “Infraestrutura de Qualidade na Iluminação Pública”, que abordou a importância da normatização, certificação e fiscalização para garantir a eficiência e a segurança dos sistemas de iluminação urbana.
O debate contou com a participação de Mario Esper, presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); Marcos Guerson, presidente do Instituto de Pesos e Medidas de São Paulo (IPEM-SP); Emerson Cardoso, diretor de Operações da Tecnowatt Iluminação e membro da ABILUX; e Jefferson Carvalho, vice-presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (ABRIQ).
Os participantes destacaram que a adoção de normas técnicas e critérios de qualidade é fundamental para garantir maior durabilidade dos equipamentos, eficiência energética e melhor retorno dos investimentos públicos.
Encerrando a programação da manhã, o painel “Cidades Mais Seguras e Conectadas: Integração entre Mobilidade, IA e Monitoramento” apresentou experiências e tecnologias voltadas ao aumento da segurança e da eficiência na gestão urbana.
Com mediação de Carlos Secco, secretário-adjunto de Segurança de Santo André, o debate reuniu Claile Oppenheimer, CEO da Ixion Soluções Urbanas Inteligentes; David Niño, Head de Sistemas de Tráfego da Kapsch TrafficCom América Latina; e Diego Viacelli Cabral, secretário de Inovação e Tecnologia de Santo André.
Os especialistas mostraram como a integração entre inteligência artificial, monitoramento em tempo real, gestão de tráfego e análise de dados vem contribuindo para tornar as cidades mais seguras, eficientes e preparadas para os desafios do crescimento urbano.
Para saber mais sobre o CPIIC, acesse: www.cpiic.com.br.
