Executivos de grandes empresas de mineração e transporte se reuniram em agosto, durante a EXPOSIBRAM 2026, para discutir os principais entraves ligados ao escoamento da produção mineral brasileira e à dependência do país em relação a insumos vindos de fora.
O painel reuniu representantes da Vale Metais Básicos, da MRS Logística, da Mineração Usiminas, da MRN – Mineração Rio do Norte e da Potássio do Brasil, com mediação de um executivo da Porto Sudeste do Brasil.
O transporte do minério
Um dos pontos centrais foi a concorrência internacional na produção de bauxita. O representante da MRN observou que a Guiné, com apoio de investimentos chineses, vem colocando volumes crescentes do minério no mercado, em ritmo mais acelerado do que o observado no Brasil.
Para lidar com esse cenário, a companhia aposta na qualidade do minério nacional, na diversificação de mercados e no projeto Minas Novas, voltado à continuidade da extração no oeste do Pará.
A Vale Metais Básicos apresentou iniciativas para melhorar o transporte de cobre, incluindo novos pontos de conexão ferroviária e soluções que reduzam o efeito ambiental das operações. Na Mineração Usiminas, o foco recai sobre a conexão entre minas e portos, especialmente diante das oscilações do frete marítimo internacional, que podem elevar custos e afetar a competitividade dos produtos minerais.
A MRS Logística tem buscado maior integração com clientes ao longo de toda a cadeia, da mina ao transporte marítimo.
Como a expansão de novas linhas se tornou mais cara e demorada, a companhia avalia composições ferroviárias mais longas, capazes de carregar mais carga por viagem sem novos trilhos. Condições naturais também entraram no debate, com a oscilação do nível dos rios na região amazônica interferindo diretamente na navegação e exigindo mais planejamento e monitoramento.
A dependência externa de fertilizantes
A Potássio do Brasil trouxe outro ângulo do problema, a dependência brasileira de fertilizantes importados. A companhia detalhou o projeto Autazes, no Amazonas, voltado à produção de cloreto de potássio a partir de reservas locais.
Segundo a empresa, mesmo sendo uma potência na produção de alimentos, o Brasil ainda importa a maior parte dos fertilizantes usados no campo, com dependência praticamente total no caso do potássio, cuja oferta externa se concentra em poucos países envolvidos em cenários de tensão geopolítica.
Diante disso, o projeto Autazes é apresentado como um caminho para diversificar as fontes de abastecimento. A companhia também destacou o Profert – Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, como incentivo para atrair novos investimentos e fortalecer a produção nacional do insumo.
Planejamento para o setor
Ao final do painel, houve consenso sobre uma perspectiva positiva para a próxima década, condicionada à combinação entre investimento contínuo, planejamento de longo alcance e maior coordenação entre os agentes da cadeia mineral.
O uso de hidrovias, a incorporação de novas tecnologias e soluções que conectem minas, ferrovias e portos foram citados como caminhos para reduzir custos e ampliar o alcance da produção brasileira nos mercados nacional e internacional.
A discussão reforçou a relevância da infraestrutura de transporte para cadeias essenciais à economia brasileira, incluindo a produção de alimentos.
Informações do ibram.org.
Perguntas frequentes
1 – Por que a logística é tão importante para a mineração brasileira? Porque o custo e a eficiência do transporte, da mina até o porto, definem em boa parte a competitividade do minério brasileiro frente a concorrentes internacionais.
2 – Qual é o principal obstáculo do transporte de bauxita hoje? O crescimento acelerado da produção em outros países, associado a investimentos externos, que pressiona o Brasil a buscar ganhos de eficiência e novos mercados.
3 – O que muda com o projeto Autazes para o potássio brasileiro? A iniciativa busca reduzir a dependência de importações do insumo, produzindo cloreto de potássio a partir de reservas localizadas no Amazonas.
