O Metrô de São Paulo permanecerá sob controle público, segundo o governo estadual. A informação foi dada em entrevista ao vivo, na qual o comando do Executivo paulista tratou também dos planos de investimento em saneamento básico para os próximos anos.
Linha vermelha concentra falhas do sistema
Questionado sobre a hipótese de repasse da operação do metrô à iniciativa privada, o governo foi direto ao negar qualquer intenção nesse sentido. A gestão pública destacou que qualquer mudança no modelo de operação de ativos de mobilidade urbana segue critérios técnicos, e não uma diretriz automática de transferência ao setor privado.
A Linha 3-Vermelha, que integra o sistema metroferroviário paulistano e opera sob gestão e operação públicas, foi a que mais registrou falhas no primeiro semestre deste ano, um dado usado para argumentar que a sobrecarga da linha, e não o modelo de gestão, explica boa parte dos problemas enfrentados pelos usuários.
O sistema de trens urbanos de São Paulo é hoje operado por uma combinação de linhas públicas, como as administradas pelo próprio Metrô e pela CPTM, e trechos concedidos à iniciativa privada em anos anteriores.
Recursos bilionários para universalizar o saneamento
No mesmo evento, o governo detalhou a previsão de aporte de R$ 70 bilhões até 2029 destinados a obras de saneamento no território paulista, valor associado à meta de universalização do abastecimento de água e da coleta de esgoto no Estado.
A Sabesp, concedida à iniciativa privada nos últimos anos, foi citada como um dos vetores centrais para viabilizar essa carteira de obras. O governo argumentou que a concessão da companhia não seguiu um critério genérico, mas buscou destravar a capacidade de investimento necessária para alcançar índices de universalização ainda distantes da realidade de grande parte dos municípios paulistas.
Entre as frentes de investimento previstas para o período estão:
- Ampliação de redes de coleta e tratamento de esgoto em municípios ainda sem cobertura;
- Obras de abastecimento de água em regiões metropolitanas e no interior do Estado;
- Modernização de estações de tratamento já existentes.
- Contexto fiscal também entrou na pauta
O governo aproveitou a entrevista para comentar o cenário fiscal do país, afirmando que o Estado de São Paulo, por concentrar parcela relevante da produção industrial nacional, acompanha de perto os efeitos de eventuais desequilíbrios nas contas públicas sobre a capacidade de investimento em infraestrutura.
Reportagem do Revista Ferroviária.
Perguntas frequentes
1 – O Metrô de São Paulo será privatizado? Não. O governo estadual afirmou que não há plano de privatização do Metrô e que qualquer decisão sobre o modelo de gestão de um ativo segue critérios técnicos.
2 – Qual linha do sistema metroferroviário teve mais falhas em 2026? Segundo o governo, a Linha 3-Vermelha, sob gestão e operação públicas, concentrou o maior número de falhas no primeiro semestre do ano.
3 – Quanto será investido em saneamento em São Paulo até 2029? A previsão anunciada é de R$ 70 bilhões em investimentos voltados à universalização do abastecimento de água e da coleta de esgoto no Estado.
