A Alupar confirmou um plano de investimento em infraestrutura de R$ 10 bilhões a ser executado até 2031. Os recursos serão direcionados a 14 novos empreendimentos, sendo 4 no Brasil e 10 distribuídos entre Peru, Colômbia e Chile. A empresa afirma que a expansão não deve alterar o pagamento de proventos aos acionistas.
Caixa acumulado sustenta os novos projetos
Nos últimos anos, a companhia optou por reter parte do dinheiro gerado pelas operações já existentes na holding, em vez de distribuí-las integralmente. O resultado é uma reserva de aproximadamente R$ 1,15 bilhão, que agora será usada como capital próprio nos empreendimentos em implantação.
A parcela restante do financiamento será obtida dentro de cada sociedade de propósito específico, a SPE, criada individualmente para cada obra. Essa divisão permite separar o risco financeiro de cada projeto do balanço geral da holding.
No mercado brasileiro, a companhia recorre principalmente a debêntures de infraestrutura. Fora do país, onde esse instrumento não existe, a dívida é levantada diretamente no mercado internacional, sobretudo em dólar.
Dividendos seguem sem cortes
A política de remuneração aos acionistas prevê distribuição mínima de 50% do lucro regulatório, com pagamentos trimestrais desde 2022.
Entre 2017 e 2025, o valor pago em dividendos cresceu de cerca de R$ 150 milhões para R$ 355 milhões, mais que o dobro no período. Em anos sem oportunidades de reinvestimento consideradas atrativas, a empresa chegou a distribuir a totalidade do lucro aos investidores.
Em agosto, o conselho de administração aprovou R$ 69,2 milhões em novos dividendos, referentes ao segundo trimestre, equivalentes a R$ 0,07 por ação ordinária ou preferencial e R$ 0,21 por unit.
Financiamento internacional reduz risco cambial
Os contratos firmados fora do Brasil são dolarizados, e a companhia busca financiar cada obra na mesma moeda das receitas geradas, o que diminui o descasamento entre entradas e saídas em moeda estrangeira.
Quando todos os 14 projetos estiverem concluídos, a expectativa é que cerca de 18% da receita consolidada da Alupar esteja atrelada a moedas fortes. Juntos, os empreendimentos devem adicionar aproximadamente R$ 1,3 bilhão em Receita Anual Permitida, a RAP, ao faturamento da companhia. Entre os empreendimentos estão a TECP – Transmissora de Energia Central Paulistana no Brasil, e a TCN, no Peru.
A proteção contra inflação também aparece distribuída entre os contratos:
- 58% das receitas corrigidas pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA;
- 24% pelo Índice Geral de Preços do Mercado, o IGP-M;
- 18% associados a índices internacionais.
- Balanço do segundo trimestre
No segundo trimestre de 2026, a receita líquida regulatória subiu 10,3% na comparação anual, somando R$ 946 milhões. No acumulado do semestre, o total chegou a R$ 1,94 bilhão, alta de 13,3% ante igual período de 2025. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, o Ebitda regulatório, somou R$ 1,52 bilhão nos seis primeiros meses.
O lucro líquido do trimestre, porém, caiu 14,6%, para R$ 159 milhões, pressionado principalmente pelo resultado financeiro. Pela contabilidade societária, que incorpora os efeitos dos aportes em obras de transmissão, o cenário foi distinto: o lucro líquido semestral somou R$ 614,7 milhões, alta de 38,6%. A relação entre dívida líquida e Ebitda regulatório fechou junho em 3,2 vezes, ante 3,4 vezes um ano antes.
Informações da Exame.
Perguntas frequentes
1 – Quanto a Alupar pretende investir até 2031? A companhia prevê aportes de R$ 10 bilhões para viabilizar 14 novos projetos de energia no Brasil e em três países da América Latina.
2 – O investimento vai afetar o pagamento de dividendos? Segundo a empresa, não. A política de distribuição mínima de 50% do lucro regulatório, com pagamentos trimestrais, deve ser mantida.
3 – Quais países recebem os novos projetos, além do Brasil? Peru, Colômbia e Chile concentram dez dos 14 empreendimentos previstos no plano de expansão.
