O transporte aquaviário de cabotagem na região Nordeste movimentou 1,82 milhão de toneladas durante o mês de janeiro de 2026. Os dados, divulgados pela Antaq – Agência Nacional de Transportes Aquaviários e compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, revelam uma distribuição geográfica concentrada em quatro estados que respondem pela quase totalidade do volume regional.
Maranhão, Bahia, Pernambuco e Ceará lideram as movimentações
O Maranhão ocupou a primeira posição com 1,24 milhão de toneladas, distanciando-se dos demais competidores regionais. A Bahia registrou 1,14 milhão de toneladas, Pernambuco alcançou 1,07 milhão e o Ceará completou o grupo dos líderes com 892 mil toneladas.
Esses quatro estados concentram a essência da navegação costeira nordestina, movimentando cargas que sustentam desde a indústria petroquímica até o comércio internacional de commodities.
Pelos portos nordestinos
A composição das cargas transportadas revela a vocação produtiva da região. O petróleo bruto liderou com 950 mil toneladas, seguido pela bauxita, matéria-prima essencial para a indústria de alumínio, com 875 mil toneladas. Os derivados de petróleo sem óleo bruto somaram 867 mil toneladas, enquanto os contêineres alcançaram 613 mil toneladas, demonstrando a diversificação entre granéis líquidos e carga geral.
Esta pauta de mercadorias garante o escoamento da produção regional, assegura o abastecimento de insumos industriais e oferece logística eficiente para contêineres e granéis líquidos que abastecem a população e as cadeias produtivas locais.
O Programa BR do Mar e os estímulos regulatórios
A Lei nº 14.301/2022, que instituiu o Programa BR do Mar, modificou o cenário da cabotagem brasileira. A legislação estabeleceu a isenção do AFRMM – Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante para cargas com origem ou destino em portos do Norte e Nordeste, reduzindo diretamente o custo do frete marítimo na região. Outro dispositivo importante autorizou operadoras a afretar embarcações estrangeiras a casco nu, ampliando a disponibilidade de navios sem exigir a construção imediata em estaleiro brasileiro.
A estabilidade regulatória introduzida pelo programa criou segurança jurídica para investidores e operadores, permitindo o planejamento de rotas e a expansão da navegação entre portos brasileiros. Isto representa a possibilidade de integrar modais, reduzir custos logísticos e oferecer alternativa competitiva ao transporte rodoviário.
Benefícios da navegação costeira para o nordeste
A cabotagem oferece vantagens mensuráveis para a região:
- Menor emissão de CO² comparada ao transporte rodoviário;
- Custos por tonelada reduzidos em médias e longas distâncias;
- Menor risco de avarias nas cargas transportadas;
- Integração logística entre estados nordestinos;
- Conexão da produção regional a mercados estratégicos nacionais e internacionais.
Ao concentrar grandes volumes no transporte marítimo, a cabotagem contribui para equilibrar a matriz de transportes brasileira, diminuindo a pressão sobre as rodovias e aumentando a segurança no fluxo de mercadorias essenciais.
Perspectivas para 2026
O Ministério de Portos e Aeroportos não divulgou metas específicas de volume para 2026, mas o cronograma do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, prevê ampliações em terminais nordestinos que, uma vez concluídas, elevarão a capacidade de atracação nos complexos regionais.
Com a continuidade das políticas públicas e o amadurecimento do setor, a navegação marítima costeira deve ampliar sua participação na matriz de transporte, contribuindo para uma logística mais eficiente e conectada entre as regiões brasileiras.
Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos.
Dúvidas sobre o transporte aquaviário
1 – O que é cabotagem? Cabotagem é o transporte marítimo de cargas ou passageiros entre portos localizados no mesmo país, sem atravessar águas internacionais. No Brasil, o modal conecta a costa brasileira e integra regiões economicamente distintas.
2 – Quais produtos dominam a cabotagem nordestina? Petróleo bruto, bauxita, derivados de petróleo e contêineres lideram as movimentações. Estas cargas atendem às refinarias, à indústria de alumínio e ao comércio diversificado da região.
3 – Como o Programa BR do Mar beneficia a região? A legislação reduz custos operacionais através da isenção do AFRMM e amplia a oferta de navios disponíveis para operação, tornando a cabotagem mais competitiva frente a outros modais de transporte.
