A mineração contemporânea opera em um ambiente de alta complexidade técnica e institucional. Diferentemente de períodos anteriores, em que a prioridade estava centrada na expansão da produção e na exploração de novas jazidas, hoje o setor deve atender a exigências regulatórias rigorosas, reduzir impactos ambientais e ampliar a eficiência operacional.
Nesse cenário, as empresas de mineração têm buscado alinhar suas práticas a padrões internacionais de governança e sustentabilidade. Em suas obras de infraestrutura, buscam reduzir riscos geotécnicos e ambientais e garantir maior confiabilidade das estruturas.
Modelagem numérica avançada, instrumentação remota, métodos construtivos baseados em desempenho e critérios de projeto que consideram o ciclo de vida das obras tornam-se cada vez mais presentes, almejando um equilíbrio entre produtividade, segurança e sustentabilidade.

Geossintéticos: aliados técnicos da mineração
Os geossintéticos despontam como ferramentas técnicas essenciais. Materiais poliméricos desenvolvidos para funções de reforço, separação, dessecagem, drenagem e barreira em obras geotécnicas, trazem benefícios diretamente relacionados às demandas da mineração atual.
Têm a capacidade de reduzir volumes de materiais naturais empregados, otimizar recursos e áreas de implantação, aumentar a durabilidade das estruturas e contribuir para menor impacto ambiental.
Na mineração, os geossintéticos são aplicados em diferentes tipos de obras: alteamento de barragens de rejeito, estabilização de estruturas de britagem, construção de estradas de acesso, disposição e confinamento de rejeitos, além de revestimentos de lagoas e lagos de contenção.

Reforço em ambiente químico severo
Na planta da Alcoa em Poços de Caldas, foi implantada a Área de Disposição de Resíduos nº 7 para armazenar resíduos fluidos contaminados com soda cáustica. O projeto previa alteamento da barragem em até 50 m.
O solo de aterro utilizado na barragem foi obtido do corte interno da própria lagoa, buscando sempre um balanço otimizado entre volumes de corte e aterro. Essa estratégia reduziu a necessidade de transporte de materiais, minimizou o impacto ambiental e evitou a ocupação de áreas adicionais. Em função do relevo acidentado e da necessidade de preservar a vegetação natural, foram previstos muros de contenção em solo reforçado na face externa da barragem, solução que permitiu garantir o volume útil requerido sem comprometer o entorno.
Esses muros foram executados com geogrelhas Fortrac® de PVA, escolhidas pela elevada resistência química e pelo alto módulo de rigidez, fundamentais para suportar contato com soda cáustica e cargas operacionais. O envelopamento da face com geogrelhas, biomantas e hidrossemeadura assegurou controle de erosão e integração paisagística. O monitoramento da obra registrou baixíssimos deslocamentos de face, confirmando a eficiência da solução. O resultado foi um aumento da capacidade operacional em mais de 1,5 milhão m³, conciliando desempenho estrutural, resistência química e sustentabilidade.

Aterro reforçado para TCLD
Na ampliação da transportadora de correia de longa distância em Vargem Grande, foi necessário construir uma estrada de acesso para caminhões de 150 t.
O desafio era vencer o desnível até o novo britador com segurança e otimização de espaço. A solução foi executar um aterro em solo reforçado com o Sistema Quadratum®, que utiliza gabaritos metálicos galvanizados e geogrelhas Fortrac® de 300 kN/m.
O aterro inicial de 6 m foi seguido por sete camadas de Quadratum®, totalizando 10,8 m de altura. O uso de solos locais reduziu emissões de carbono e atividades de terraplenagem, resultando em uma obra mais econômica, sustentável e rápida com resistência estrutural e durabilidade para operação contínua da mina.

Muros de contenção para estruturas de britagem
Para suportar aterros de aproximação às estruturas de britagem, a Mina do Pico implantou dois muros de contenção de grande porte, submetidos a sobrecargas superiores a 50 t.
Com 12 m de altura e 130 m de comprimento, os muros foram projetados em concreto e reforçados com geogrelhas Fortrac®. O solo utilizado foi a canga de minério, abundante no local. Essa solução reduziu escavações, custos e garantiu estabilidade estrutural.
O emprego das geogrelhas Fortrac possibilitou menor tempo de execução e compatibilidade com os solos disponíveis, demonstrando a eficiência dos geossintéticos em obras críticas de mineração.

Soluções integradas em solos moles – Polo Itaboraí
A Estrada de Acesso Principal ao Polo Petroquímico de Itaboraí, com 8 km de extensão, foi construída sobre solos extremamente moles, com até 18 m de espessura. O desafio era permitir o tráfego de equipamentos UHOS, de dimensões e peso excepcionais, em prazo reduzido e com segurança. Para atender às condições geotécnicas desfavoráveis, foram combinadas três soluções distintas com geossintéticos.
Na fase inicial, o geotêxtil Basetrac Woven® foi utilizado para formar a plataforma provisória de trabalho, atuando como separador entre solos moles e colchão de areia. Em seguida, colunas encamisadas Ringtrac® foram aplicadas para melhorar a capacidade de suporte do subleito: o geotêxtil tubular confinava o material granular das colunas, garantindo rigidez e controle de recalques.
Nos encontros de pontes, foram empregados aterros estaqueados reforçados com geogrelhas Fortrac de PVA, posicionadas em camadas cruzadas para transmitir cargas às estacas e evitar recalques diferenciais. Por fim, em trechos principais, aterros de pré-carga reforçados com geogrelhas de até 600 kN/m anteciparam deformações, assegurando estabilidade global.
O resultado foi uma obra emblemática, que demonstrou a eficiência dos geossintéticos em solos moles e viabilizou o acesso seguro ao polo petroquímico.

Tubos geotêxteis em gestão de rejeitos
Em uma mina de ferro em Minas Gerais, foi implantado sistema de disposição de rejeitos com desaguamento em tubos geotêxteis SoilTain® DW.
Essas geoformas são confeccionadas com tecidos de polipropileno de alta resistência, estabilizados contra UV e projetados para combinar elevada tração com permeabilidade controlada e abertura de poros adequada.
O processo consiste em bombear a polpa de rejeitos para o interior dos tubos, onde ocorre filtragem, consolidação e evaporação, reduzindo seu teor de umidade.
Ensaios laboratoriais definiram o uso de polímero catiônico, garantindo retenção eficiente de sólidos.
O sistema permitiu manuseio mais seguro dos rejeitos, já que o material seco é mais estável e fácil de transportar; possibilitou reaproveitamento da água filtrada e abriu a perspectiva de reprocessamento do material seco para obtenção de ferro ou uso em obras de terra.
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