A Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo, o monotrilho que liga o Aeroporto de Congonhas a bairros da zona sul, tem nova data para funcionar por completo.
Segundo o cronograma da companhia, a extensão até as estações Jabaquara e São Paulo-Morumbi deve ser concluída em 2034, mais de duas décadas após o prazo original.
Trajeto original previa dezoito estações
O projeto do monotrilho nasceu com 18 estações e prazo para ficar pronto em 2013, a tempo da Copa do Mundo sediada no Brasil em 2014. Ao longo dos anos, o traçado foi reduzido e apenas oito paradas foram erguidas na primeira etapa, entregues entre março e a semana passada.
O trecho funciona hoje em fase de testes, com operação parcial das 9h às 16h, de segunda a sexta-feira. O restante do trajeto está dividido em duas novas fases:
- Fase dois: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista;
- Fase três: Estádio Morumbi, São Paulo-Morumbi, Vila Babilônia, Cidade Leonor, Hospital Sabóia e Jabaquara.
O governo paulista deve abrir a licitação para adequar o projeto original da fase dois e elaborar o projeto executivo da obra, processo que deve durar dois anos. Depois disso, viria a licitação para a construção, prevista para 2028, com início das obras em 2029 e conclusão em três anos.
A meta é colocar o trecho em operação em 2032. A companhia pretende iniciar os trâmites da fase três ainda durante as obras da fase dois, para entregar todo o percurso até 2034.
Origem do atraso remonta a 2010
O monotrilho foi anunciado em janeiro de 2010, quando a sede das partidas da Copa no Morumbi ainda era considerada.
Depois, a organização do torneio trocou o local pelo Estádio do Corinthians, em Itaquera, e o projeto perdeu financiamento federal. Em 2014, as construtoras responsáveis pela obra, Odebrecht e Andrade Gutierrez, foram atingidas pela Operação Lava Jato, e o contrato foi rescindido em 2016.
As obras ficaram paradas por anos, até serem retomadas em 2020, já com novas empresas contratadas.
Em 2010, o projeto completo, com 18 estações, era orçado em R$ 2,9 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 7,1 bilhões corrigidos pela inflação.
Já o custo da primeira etapa, com as 8 estações entregues até agora, somou R$ 5,97 bilhões, valor que inclui estruturas para todo o traçado e despesas de contratos paralisados ao longo do caminho. A passagem do monotrilho custa R$ 5,40.
Contrato de operação pode ser revisto
O governo do estado de São Paulo estuda rever o contrato com a concessionária Motiva, responsável por operar a Linha 17 depois da fase de testes com o Metrô.
A avaliação é que o trecho pode gerar mais gastos do que receitas com bilhetagem. Uma possível saída seria retirar a linha do contrato da Motiva e direcionar os recursos para melhorias em outras linhas concedidas à empresa, como as ferrovias 8-Diamante e 9-Esmeralda e as linhas de metrô 4-Amarela e 5-Lilás. Qualquer mudança, porém, dependeria de interesse da própria concessionária, sem prazo definido para uma decisão.
Dados consultados pela Revista Ferroviária.
Perguntas frequentes
1 – Quando a Linha 17 deve ficar pronta por completo? O Metrô estima concluir toda a extensão até o Jabaquara e o entorno do Estádio do Morumbi em 2034, com a fase dois entrando em operação antes, em 2032.
2 – Quantas estações terá o monotrilho ao final das obras? Ao todo, serão dezoito estações, as oito já entregues mais dez novas paradas distribuídas entre a fase dois e a fase três.
3 – Por que o contrato de operação da linha pode mudar? O governo paulista avalia que a Linha 17 pode ser deficitária e estuda retirá-la do contrato da Motiva para direcionar recursos a outras linhas concedidas à empresa.
