A região metropolitana de Porto Alegre aparece entre as piores do país em avaliações recentes sobre mobilidade urbana. O problema não está na falta de dinheiro disponível para o setor, mas na ausência de um comando único capaz de organizar ônibus, trens e demais modais de transporte coletivo dentro de uma rede coerente.
Uma rede desintegrada
Quem depende do transporte público na região enfrenta tarifas cobradas separadamente a cada troca de veículo, terminais mal conectados entre si e itinerários que se sobrepõem sem lógica de complementaridade.
A desorganização encarece o deslocamento diário, alonga o tempo de viagem e reduz a qualidade do serviço oferecido à população.
A raiz do problema está na inexistência de uma autoridade metropolitana de fato, um órgão com poder de coordenar municípios, operadores privados e o Governo do Estado em torno de um plano único de deslocamento.
Programa nacional passa ao largo da capital
O BNDES, em parceria com o Ministério das Cidades, deu início a um levantamento de diagnósticos voltado às maiores regiões metropolitanas do país, batizado de ENMU.
A iniciativa mapeia carências de infraestrutura de transporte em áreas com mais de um milhão de habitantes e deve orientar a destinação de recursos públicos nos próximos anos.
A região metropolitana de Porto Alegre, porém, não figura entre as áreas contempladas pela primeira etapa do programa, o que adia planos como a extensão de linhas de metrô ligando a capital a municípios vizinhos.
Um único cartão ou aplicativo que permite trocar de ônibus para trem ou metrô sem pagamento extra reduziria os custos para o usuário e melhoraria a previsibilidade das viagens.
Entre os ganhos observados em experiências desse tipo estão:
- Redução do custo total de deslocamento para o passageiro;
- Menor tempo de espera entre conexões;
- Menos veículos circulando em rotas sobrepostas;
- Diminuição da emissão de poluentes por passageiro transportado;
- Empresas públicas gaúchas em segundo plano.
As duas estruturas públicas centrais que seguem para viabilizar essa articulação, são a METROPLAN e a TRENSURB, ambas, podem definir um projeto amplo de integração com os sistemas municipais de ônibus.
Artigo publicado no portal Sul21.
Perguntas frequentes
1 – Por que a região metropolitana de Porto Alegre não entrou no programa nacional de mobilidade? Porque a primeira etapa do levantamento priorizou diagnósticos de outras regiões metropolitanas com mais de um milhão de habitantes, deixando a capital gaúcha fora do recorte inicial de investimentos.
2 – O que muda para o passageiro com uma integração tarifária completa? Menos gasto por trajeto, já que hoje cada troca de veículo costuma gerar nova cobrança, além de conexões mais rápidas entre ônibus, trens e demais modais.
3 – Quem seria responsável por coordenar essa integração no Rio Grande do Sul? Uma autoridade metropolitana de mobilidade, formada pelo Governo do Estado em conjunto com os municípios, teria a atribuição de organizar tarifas, rotas e investimentos de forma unificada.
