O Brasil concentra uma das maiores reservas minerais do planeta, mas converter essa vantagem em produção efetiva ainda depende de uma peça pouco discutida, a infraestrutura de escoamento.
Sem ferrovias, portos e rodovias dedicados ao transporte de minério, boa parte do potencial mineral do país permanece fora das cadeias produtivas que dependem dos chamados minerais críticos, categoria que inclui as terras raras.
Mapeamento geológico segue incompleto
Levantamentos conduzidos pelo SGB – Serviço Geológico do Brasil indicam que uma parcela relevante do subsolo brasileiro ainda segue sem mapeamento geológico detalhado.
Diante da extensão territorial do país, o trabalho segue em ritmo gradual, e cada nova área mapeada amplia a compreensão sobre onde estão concentradas as jazidas de maior interesse comercial.
Estados como Bahia, Minas Gerais e Goiás concentram boa parte dos pedidos de pesquisa mineral protocolados junto à ANM – Agência Nacional de Mineração nos últimos dois anos.
Nessas regiões, no entanto, a malha ferroviária e a capacidade portuária dedicada a minérios ainda são limitadas. É nesse ponto que o tema deixa de ser apenas geológico e passa a interessar diretamente ao setor de engenharia e infraestrutura.
Os elementos de terras raras sustentam a fabricação de itens do cotidiano e de setores de ponta, como:
- Carros elétricos
- Celulares
- Turbinas eólicas
- Equipamentos hospitalares
- Robótica industrial
Pesquisa Científica Tenta Reduzir Custo De Extração
Na UFCAT – Universidade Federal de Catalão, o CPMin – Centro de Processamento Mineral concentra parte da pesquisa nacional voltada à separação desses elementos, que costumam aparecer misturados a outros materiais em concentrações baixas.
A legislação ambiental brasileira, cada vez mais rigorosa quanto ao uso de reagentes químicos, pressiona por métodos de extração mais limpos e econômicos, algo que a mineração de minerais críticos ainda precisa equacionar em maior escala.
A questão também tramita no Congresso Nacional. Um projeto de lei voltado à regulamentação dos minerais críticos já foi aprovado na Câmara dos Deputados e aguarda análise no Senado Federal. A proposta busca criar condições para que o país beneficie parte da matéria-prima extraída, hoje exportada em sua maioria sem processamento adicional.
A China concentra a maior reserva mundial do mineral e domina a produção, mas o interesse por novas fontes de fornecimento tem levado investidores de diferentes países, incluindo o Brasil, a buscar certificação e identificação de novas jazidas em território nacional.
O momento coloca em pauta uma discussão menos comentada que o mineral em si, a de como o país pretende transportar, processar e vender aquilo que descobre. Sem investimento paralelo em ferrovias, portos e plantas de beneficiamento, a reserva mineral brasileira corre o risco de permanecer, em grande medida, no subsolo.
Informações apuradas do g1.globo.com.
Perguntas frequentes
1 – O que são minerais críticos? São elementos considerados indispensáveis para tecnologias de ponta, como veículos elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos, e que têm oferta concentrada em poucos países produtores.
2 – Por que o Brasil produz pouco apesar da reserva? Grande parte do subsolo ainda não foi mapeada em detalhe, e o país carece de estrutura de beneficiamento e de escoamento capaz de viabilizar a extração em escala comercial.
3 – Que tipo de infraestrutura falta para viabilizar a produção? Faltam principalmente ferrovias e terminais portuários dedicados ao transporte de minério nas regiões onde estão concentrados os pedidos de pesquisa mineral, além de plantas de processamento próximas às jazidas.
