O sistema metroviário de Pernambuco começou a operar, no dia 10 de julho, o primeiro de seis trens usados pela CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos junto ao Metrô BH. A composição entrou em serviço comercial na Linha Sul do metrô do Recife cerca de dois meses após chegar ao estado, prazo usado para montagem, inspeções e testes de comissionamento.
Uma composição com história
O trem faz parte da antiga Série 900, produzida pela Cobrasma ainda na década de 1980. O detalhe curioso é que essas unidades já haviam rodado antes pela própria CBTU, no Recife, antes de serem enviadas a Belo Horizonte, onde seguiram em uso até a concessão do sistema mineiro à iniciativa privada. Agora, o ciclo se fecha com o retorno das composições ao litoral pernambucano.
Um segundo trem do lote já foi despachado para o Recife, e as quatro unidades restantes têm chegada prevista para os próximos meses, completando o grupo de seis composições negociadas pela CBTU.
Por que a escolha recaiu sobre Minas Gerais
Antes de fechar negócio com Belo Horizonte, a CBTU chegou a avaliar trens usados de outros dois sistemas do país, a CPTM, em São Paulo, e a Trensurb, em Porto Alegre. Alguns fatores pesaram na decisão final:
- Os trens paulistas eram mais modernos e contavam com ar-condicionado, mas exigiam reformas, incompatíveis com a urgência da operação.
- As unidades gaúchas também demandariam intervenções consideradas demoradas.
- As composições mineiras estavam em condição de uso mais rápido, o que favoreceu o cronograma da CBTU.
A compra do lote de seis trens somou cerca de R$ 60 milhões, valor que cobre aquisição, transporte entre Belo Horizonte e Recife, revisões técnicas, capacitação de equipes e suporte à operação.
Frota reduzida pressionava a Linha Sul
Nos últimos meses, o sistema pernambucano enfrentou restrições na oferta de viagens em razão da falta de trens disponíveis, quadro agravado por um descarrilamento que também afetou a Linha Sul.
A chegada gradual das novas composições deve ajudar a recompor a frota de trens e reduzir a dependência de um número limitado de unidades em operação.
Ainda assim, as composições recebidas não vêm sem ressalvas. Por serem unidades originais dos anos 80, não possuem ar-condicionado, item que usuários do transporte metroviário de Pernambuco cobram há tempos.
A expectativa da CBTU é que, com a entrada progressiva das seis unidades, seja possível ampliar a oferta de viagens e dar mais estabilidade à operação, enquanto seguem as conversas sobre os rumos da gestão do metrô na região metropolitana do Recife.
Informações do portal MetrôCPTM.
Perguntas frequentes sobre os novos trens
1 – De onde vieram os trens que chegaram ao Recife? As composições pertenciam ao Metrô BH e foram fabricadas pela Cobrasma na década de 1980, tendo rodado anteriormente pela própria CBTU.
2 – Quantos trens fazem parte do lote comprado pela CBTU? São seis unidades ao todo. A primeira já está em operação comercial e a segunda já foi enviada ao Recife, com as demais previstas para os próximos meses.
3 – Os novos trens têm ar-condicionado? Não. Por serem unidades originais dos anos 80, os trens não contam com climatização, o que segue sendo uma demanda recorrente dos usuários do sistema.
