As más condições das rodovias em Minas Gerais oneram o transporte em 34,8%. Esse valor extra não fica no bolso do caminhoneiro, ele percorre toda a cadeia produtiva e chega ao prato de quem mora no estado.
A CNT – Confederação Nacional do Transporte aponta que 65,4% das rodovias mineiras estão em estado regular, ruim ou péssimo. Apenas 4,5% do pavimento foi classificado como ótimo. Com números dessa ordem, o custo operacional explode em combustível extra, manutenção acelerada de veículos e tempo perdido no trajeto.
O efeito na cesta básica
Mais de 90% dos alimentos e bebidas consumidos no Brasil circulam por estradas. A Fundação Dom Cabral estima que, no ritmo atual, quase 85% do setor continuará dependente das rodovias nos próximos dez anos. Essa dependência torna o preço dos alimentos vulnerável a cada buraco no asfalto.
Em 2025, as estradas mineiras consumiram 176,9 milhões de litros de diesel a mais do que seria necessário com pavimento em boas condições. O prejuízo financeiro ultrapassa R$ 1,05 bilhão. O dano ambiental soma 460,41 mil toneladas de gases de efeito estufa lançados na atmosfera sem qualquer necessidade.
O IPCA
O IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo mede a inflação oficial do Brasil, mas subestima o peso do diesel na cesta de consumo. Enquanto a gasolina pesa 5% no indicador, o diesel representa apenas 0,2%. Essa distorção mascara o verdadeiro custo logístico dos alimentos.
O preço da comida é resultado de uma cadeia de custos de transporte. Quando o diesel sobe, quando há congestionamentos ou quando a produção agrícola não escoa com fluidez, o acréscimo é repassado ao consumidor. Produtos perecíveis, como frutas, verduras e hortaliças, são os mais sensíveis a essas variações.
Gargalo estrutural
O Brasil dispõe de poucas ferrovias para escoar a produção. O é caro por natureza. A diversificação modal, com maior uso de transporte rodoviário trens e hidrovias, poderia reduzir o custo de circulação de mercadorias e amortecer o efeito dos combustíveis sobre os preços.
Gargalos estruturais de infraestrutura geram pressão inflacionária persistente. Estradas degradadas, integração ferroviária fraca, portos limitados e custos logísticos elevados reduzem a produtividade do país e tornam bens e serviços mais caros do que deveriam ser.
O debate atual
- Segurança: 765 mortes em rodovias mineiras em 2025, segundo a PRF.
- Economia: R$ 1,05 bilhão em diesel desperdiçado por causa do pavimento ruim.
- Meio ambiente: 460,41 mil toneladas de CO₂ emitidas desnecessariamente.
- Inflação: custo adicional de 34,8% no transporte que chega ao preço dos alimentos.
Investimentos em infraestrutura não são apenas política de crescimento. São instrumentos diretos de controle inflacionário e de aumento da competitividade da economia brasileira. Enquanto oscilações de combustíveis causam choques temporários de preços, gargalos estruturais mantêm a inflação alta de forma contínua.
A modernização do setor exige concessões, integração modal e planejamento de longo prazo. O seminário O TEMPO, que ocorre em Belo Horizonte no dia 11 de junho, reunirá autoridades, investidores e empresários para debater exatamente esses temas.
Fonte: portal O TEMPO.
Perguntas frequentes
1 – Por que o preço dos alimentos sobe mesmo quando o diesel não? Porque gargalos estruturais de infraestrutura mantêm custos logísticos permanentemente elevados. O preço do combustível é apenas uma das variáveis.
2 – O IPCA não captura o custo real do transporte? Não completamente. O diesel pesa apenas 0,2% na cesta do IPCA, enquanto a gasolina representa 5%. Essa diferença subestima o impacto logístico nos alimentos.
3 – Ferrovias resolveriam o problema sozinhas? Não sozinhas, mas ajudariam muito. A diversificação modal reduziria a dependência das estradas e baratearia o custo de circulação de cargas.
