O Brasil encerrou 2025 com 1.144,7 km de malha metroferroviária operacional, resultado de um crescimento que, na prática, não chegou a uma décima parte do que especialistas consideram necessário para acompanhar a dinâmica das grandes cidades.
O ganho registrado no período foi de apenas 7,2 km de novos trilhos urbanos, número que contrasta com um portfólio ativo de 20 projetos em construção ou estruturação espalhados pelo país.
Os dados integram o Balanço Anual do Setor Metroferroviário 2025, publicado pela ANPTrilhos – Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos, em abril de 2026. O documento compila indicadores de desempenho, extensão de rede, volume de passageiros e resultados econômicos dos sistemas de metrô, trem urbano e VLT – Veículo leve sobre trilhos.
2,59 bilhões de passageiros por ano
Em 2025, os sistemas metroferroviários transportaram 2,59 bilhões de passageiros, com média de 8,7 milhões de embarques por dia útil, distribuídos em 73 municípios e cerca de 49,8 milhões de usuários atendidos.
Os benefícios calculados pelo setor chegam a R$ 44,6 bilhões em ganhos econômicos e sociais, entre eles a economia de 1,6 bilhão de horas em deslocamentos, redução de 900 milhões de litros de combustível e a mitigação de 1,9 milhão de toneladas de emissões de poluentes.
Obras em andamento e o que está previsto
O portfólio ativo soma 138,7 km em construção e 123 novas estações e paradas, distribuídos em nove regiões metropolitanas, com previsão de entregas entre 2026 e 2028. Entre os projetos em execução estão:
- Expansão das linhas de metrô em Belo Horizonte, incluindo as Linhas 1 e 2.
- Linha 6–Laranja e Linha 17–Ouro em São Paulo.
- Implantação de VLTs em diferentes capitais.
- Novos sistemas em cidades como Salvador, Campina Grande e Arapiraca.
- Projetos em modelagem ou licitação em Curitiba e Brasília, além de iniciativas de trens intercidades e ligações regionais.
O volume de obras planejadas é expressivo, mas o problema, como o próprio balanço aponta, é o ritmo de conversão entre projeto e entrega.
Decisão política
A ANPTrilhos é direta ao identificar que o setor precisa de políticas públicas consistentes, financiamento estável e melhor coordenação entre os entes federativos. O crescimento recente da malha fica abaixo do que foi registrado em ciclos anteriores de investimento, o que indica que o gargalo não é de demanda, nem de projeto, mas de decisão e continuidade.
Em um ano eleitoral, o debate sobre mobilidade urbana tende a ganhar mais espaço nas plataformas políticas do que nas ordens de serviço.
A sistematização de dados como os do balanço serve, nesse contexto, como ferramenta de pressão, já que quando os números estão organizados e disponíveis, fica mais difícil postergar escolhas que afetam diretamente a rotina de quase 50 milhões de pessoas.
Infraestrutura que não espera
A expansão dos sistemas metroferroviários no Brasil é uma necessidade operacional imediata em cidades que crescem mais rápido do que a capacidade das redes de transporte. Os 7,2 km adicionados em 2025 são um retrato dessa defasagem.
É preciso reconhecer os avanços, quantificar os benefícios e apontar o caminho, mas deixar claro que, sem decisões consistentes e continuidade de investimento em infraestrutura, o portfólio de obras permanece como promessa, não como entrega.
Fonte de referência: ANPTrilhos.
Dúvidas sobre trilhos urbanos no Brasil
1. Por que o Brasil cresce tão pouco em trilhos mesmo tendo obras em andamento? A existência de obras não garante entrega. Projetos metroferroviários dependem de licenciamentos, repasses federais e decisões políticas que, quando descontinuadas, paralisam canteiros e atrasam inaugurações por anos.
2. O que é VLT e por que ele aparece tanto nos novos projetos brasileiros? O VLT é uma solução de média capacidade indicada para corredores urbanos que não justificam metrô pesado. Tem custo de implantação menor e integração mais fácil com o tecido urbano existente, o que explica sua presença nos planos de várias capitais.
3. Como os benefícios econômicos dos trilhos são calculados? A metodologia considera variáveis como tempo médio de deslocamento economizado, redução no consumo de combustível por modal substituído, queda nas emissões de poluentes e redução de acidentes. O resultado é convertido em valor monetário para comparação com o custo de implantação e operação.
