A ligação ferroviária entre São Paulo e Curitiba existe, por ora, apenas no papel, e as perspectivas de execução apontam para horizontes que vão além de uma geração. A CPTM incluiu essa conexão no PEF-SP – Plano Estratégico Ferroviário do Estado de São Paulo, documento que estabelece premissas para projetos de longo alcance na malha ferroviária estadual. O plano completo deve ser entregue no segundo semestre de 2026.
Da Baixada Santista ao Paraná
Antes de qualquer ramal ferroviário chegar até Curitiba, é necessário acontecer a reativação do trecho entre Santos e Cajati, no Vale do Ribeira. São 233,6 km de via já existente, mas fora de uso, com 13 estações previstas. A CPTM projeta o uso desse ramal tanto para passageiros quanto para cargas, o que amplia o apelo econômico da operação.
Só após a conclusão dessa etapa é que o traçado em direção à capital paranaense entraria em cena.
Greenfield no Vale do Ribeira
O trecho de Cajati até Curitiba é classificado como obra greenfield, ou seja, uma ferrovia a ser construída do zero, sem infraestrutura prévia que possa ser aproveitada. O percurso passaria por pelo menos três municípios:
- Barra do Turvo – SP.
- Campina Grande do Sul – PR.
- Colombo – PR.
Em parte do traçado, a linha seguiria paralelamente à BR-116, a principal rodovia entre as duas capitais. Na chegada a Curitiba, dependendo das especificações técnicas da linha, haveria possibilidade de conexão com o ramal que serve o porto de Paranaguá, criando, na teoria, um corredor ferroviário entre Santos e Paranaguá.
O que o PEF-SP representa
O PEF-SP não é um cronograma de obras, mas um instrumento de planejamento de infraestrutura de transportes que orienta investimentos e decisões de políticas públicas de mobilidade. Ele identifica corredores prioritários, analisa traçados, custos de implantação e operação, e funciona como base para decisões que envolvem recursos públicos e concessões privadas.
Documentos dessa natureza são fundamentais para o setor ferroviário brasileiro, que historicamente enfrenta descontinuidade entre planejamento e execução. Ter um plano publicado e detalhado até 2050 é o primeiro passo para que projetos como esse saiam da esfera conceitual e entrem em processos formais de licenciamento, financiamento e licitação.
2050 no horizonte
A CPTM trabalha com o ano de 2050 como referência para a implantação do ramal São Paulo-Curitiba, um prazo que reflete a complexidade de uma obra greenfield em território com relevo acidentado, cruzando dois estados e exigindo articulação entre governos federal, estadual e municipal, além de licenças ambientais e modelos de financiamento ainda a serem definidos.
O projeto não tem previsão oficial de início, o que existe, até aqui, é um estudo de viabilidade inserido em um plano de Estado, com dados de traçado, custo e premissas operacionais.
Fonte consultada: Tribuna do Paraná
Principais dúvidas sobre o projeto ferroviário São Paulo-Curitiba
1 – O projeto já tem financiamento aprovado? Não. O que existe é um estudo dentro do PEF-SP, sem fonte de recursos definida, sem licitação aberta e sem parceiro privado confirmado. O detalhamento do plano está previsto para o segundo semestre de 2026.
2 – Por que o ramal começa em Cajati e não diretamente em São Paulo? Porque o trecho entre Santos e Cajati já possui infraestrutura ferroviária existente, ainda que desativada. A lógica do projeto é aproveitar essa base antes de construir qualquer extensão nova em direção ao Paraná.
3 – A ligação ferroviária entre Santos e Paranaguá é viável? É uma possibilidade mapeada no plano, mas depende da integração entre diferentes ramais, da definição do traçado final e da compatibilidade técnica entre as linhas dos dois estados. Não há estudo conclusivo sobre esse corredor até o momento.
