Um encontro reuniu representantes do Brasil, China, Coreia do Sul, Paraguai e Chile para discutir os efeitos da nova ligação rodoviária entre o oceano Atlântico e o oceano Pacífico sobre as exportações brasileiras.
O debate ocorreu no Hangar Fontoura, em Ribeirão Preto (SP), e reuniu cerca de 150 participantes entre executivos, produtores e investidores ligados ao agronegócio.
A obra em questão, conhecida como Rota Bioceânica, é um corredor rodoviário com mais de 3 mil km de extensão que vai conectar portos do Pacífico à produção agrícola do centro-oeste brasileiro.
A expectativa é que o novo trajeto corte entre 14 e 20 dias do tempo necessário para enviar mercadorias brasileiras ao mercado asiático, hoje dependente majoritariamente da navegação pelo Canal do Panamá ou pelo Cabo da Boa Esperança.
Trecho binacional já está pronto
Na fronteira entre Brasil e Paraguai, a ponte internacional sobre o rio Paraguai, que liga Porto Murtinho-MS a Carmelo Peralta, já está concluída.
Do lado brasileiro, as obras de acesso à estrutura têm início previsto para 2027, segundo informações apresentadas por um representante do Ministério das Relações Exteriores e coordenador nacional dos corredores rodoviário e ferroviário bioceânicos durante o encontro.
Diversificação de mercado motiva debate
Representantes de entidades como a UDOP – União Nacional da Bioenergia e a CCIBC – Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China discutiram o volume crescente de investimentos chineses no Brasil, incluindo projetos industriais e fundos voltados ao mercado brasileiro.
A Coreia do Sul, representada por uma consultoria ligada ao Ministério da Justiça e ao Ministério das Relações Exteriores daquele país, defendeu levar a pauta comercial além das commodities, incluindo tecnologia e componentes industriais.
A Câmara de Comércio Chile-Brasil destacou vantagens como segurança jurídica e um sistema tributário próprio, além da presença já estabelecida de produtos como salmão, vinho e frutas no mercado brasileiro. Com a nova rota, a expectativa é que o Chile ganhe relevância como ponto logístico de escoamento para o comércio exterior brasileiro.
Mato Grosso do Sul se prepara para o fluxo
O corredor deve atravessar o Mato Grosso do Sul, e a Semadesc participou do debate detalhando os preparativos locais para receber a nova infraestrutura viária.
O evento também contou com apoio da Secretaria de Turismo e Viagens do Governo do Estado de São Paulo, que aproveitou a ocasião para apresentar produtores regionais paulistas aos convidados.
- Entre os pontos discutidos, alguns fatores aparecem como relevantes para o setor:
- Redução no tempo de trânsito de mercadorias entre Brasil e Ásia
- Diversificação dos destinos de exportação do agronegócio brasileiro
- Maior participação de Paraguai e Chile como pontos de passagem logística
- Aumento dos investimentos chineses e sul-coreanos no país
O evento foi promovido pela AGX Estratégias de Comunicação, responsável pela realização do Agrotalk Business, com mediação a cargo de representantes da Harven Agribusiness School e da Markestrat Agribusiness, instituições voltadas ao ensino e à consultoria em agronegócio.
FONTE: AgroRevenda.
Dúvidas frequentes
1 – O que é a Rota Bioceânica? É um corredor rodoviário de mais de 3 mil quilômetros que vai conectar o Brasil a portos do oceano Pacífico, passando pelo Paraguai e pelo Chile, para facilitar o escoamento de produtos brasileiros ao mercado asiático.
2 – Quando as obras de acesso no lado brasileiro devem começar? Segundo informações apresentadas durante o debate em Ribeirão Preto, o início das obras de acesso no território brasileiro está previsto para 2027.
3 – Quanto tempo a nova rota deve economizar nas exportações para a Ásia? A estimativa apresentada é de uma redução de 14 a 20 dias no prazo de entrega de mercadorias brasileiras ao continente asiático, em comparação com as rotas marítimas atualmente utilizadas.
