A dragagem de manutenção no Rio Tapajós continua parada, a hidrovia que leva soja e milho do Centro-Oeste aos portos paraenses pode ficar sem navegação regular a partir de novembro, se o El Niño previsto para o fim de 2026 se confirmar.
Enquanto isso, a obra segue travada por uma discussão que reúne infraestrutura, meio ambiente e direitos de comunidades ribeirinhas.
A rota da safra até o porto
Os grãos saem de Sorriso e de municípios vizinhos, em Mato Grosso, e descem pela BR-163 até Miritituba, distrito de Itaituba, no Pará. Ali, as Estações de Transbordo de Cargas recebem a produção dos caminhões e a passam para comboios de barcaças.
Os comboios seguem pelo Tapajós até Santarém, Rurópolis e Barcarena, na região do porto de Vila do Conde. Essa é uma das portas do Arco Norte, e ela só funciona com calado suficiente no canal de navegação HN-106.
Dois lados, uma mesma calha
A FIEPA – Federação das Indústrias do Pará e o MoveInfra defendem uma dragagem de manutenção. Segundo o grupo, a retirada de sedimentos não muda o leito e dispensaria licenciamento. Se o rio parar, a carga volta para as estradas, o frete sobe e as emissões dos caminhões crescem.
Para representantes indígenas, o volume previsto excede a sedimentação anual dos trechos, parte dos pontos nunca foi dragada e a análise da obra de 2024 não cobriu todos eles.
Lembram ainda que um corredor mais barato atrai lavouras e desmatamento. Citam estudo da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, sobre a integração do corredor Tapajós-Xingu com a Ferrogrão.
O acordo
O DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, e a ABANI – Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior, formalizaram um acordo de cooperação para uma dragagem emergencial paga pela iniciativa privada. A conversa foi interrompida depois da reação de ambientalistas e indígenas.
Para moradores de comunidades como Alto Jary, em Santarém, o Canal do Jari, braço do Amazonas, faz o papel de rodovia.
É por ele que chegam combustível, alimento e acesso a hospitais. Na estiagem, o transporte encurta e a qualidade da água cai. Alguns moradores defendem que a prioridade seja conter queimadas, agrotóxicos e derrubadas nas margens, que assoreiam o leito.
Pontos sem acordo
- Se a limpeza do canal é manutenção ou aprofundamento
- Se a obra pode dispensar licenciamento ambiental
- Quem deve ser ouvido, e quando, antes da execução
A seca ocorre em meses, e o licenciamento e a consulta às comunidades corre devagar. Estudos por ponto de intervenção, diálogo prévio com os moradores e um plano rodoviário de contingência reduzem o risco de decisões tomadas às pressas, seja a favor da obra, seja contra ela.
Fonte: timesbrasil.com.br
Perguntas frequentes
1. O que é dragagem de manutenção? É a remoção de sedimentos acumulados no fundo do rio para recuperar a profundidade necessária à navegação segura das barcaças.
2. Por que o El Niño preocupa a navegação? Ele provoca estiagem na Região Norte entre setembro e março, e o Tapajós pode ficar sem condições de navegar a partir de novembro.
3. O que acontece com a carga se a hidrovia parar? Os grãos voltam para as rodovias, com mais caminhões, frete mais alto e mais emissões.
