A qualidade dos serviços de água e esgoto está diretamente relacionada à conservação dos destinos turísticos e às condições de funcionamento das cidades.
Em Mato Grosso do Sul, a relação entre infraestrutura de saneamento, preservação ambiental e atividade turística integra as projeções econômicas para os próximos anos, especialmente em municípios cuja atratividade depende da conservação de rios, nascentes e paisagens naturais.
Um estudo sobre os benefícios econômicos da expansão do saneamento no estado, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a Ex Ante Consultoria Econômica, estima que o turismo poderá obter ganhos de renda de R$ 2,25 bilhões entre 2025 e 2040.
A projeção chama a atenção para uma dimensão da infraestrutura que vai além do atendimento domiciliar, envolvendo as condições ambientais necessárias à continuidade de atividades econômicas ligadas à natureza.
Recursos naturais e atividade econômica
O turismo de natureza depende de condições ambientais que permitam a visitação e a conservação dos atrativos. Em destinos conhecidos pelas águas cristalinas, grutas e cachoeiras, a coleta e o tratamento de esgoto integram as medidas de proteção dos recursos hídricos, importantes tanto para a população quanto para os empreendimentos que recebem visitantes.
Essa relação pode ser observada em Bonito, município de Mato Grosso do Sul reconhecido pelo ecoturismo. A atividade turística movimenta serviços de hospedagem, alimentação, transporte, comércio e passeios, formando uma cadeia econômica vinculada à conservação dos ambientes naturais.
Bonito recebeu aproximadamente 293 mil visitantes em 2025. No mesmo período, os serviços relacionados ao turismo registraram saldo positivo de empregos formais, evidenciando a dimensão econômica da atividade para o município.
Nesse contexto, a infraestrutura de esgoto integra as condições necessárias à proteção ambiental. A cobertura informada para Bonito é de 99%, enquanto uma obra conduzida pela Ambiental MS Pantanal prevê uma nova estrutura para transportar o efluente tratado até outro ponto de lançamento, no Córrego Mutum, mais distante da área turística e da zona urbana.
Obras sanitárias e proteção hídrica
A intervenção contempla uma estação elevatória de esgoto tratado, com capacidade de 80 litros por segundo, e um emissário com cerca de 22 km. A estrutura substituirá o emissário existente e modificará o local de lançamento do efluente tratado.
A medida está relacionada à gestão dos recursos hídricos em uma região na qual a conservação ambiental tem relação direta com a experiência dos visitantes. Rios, nascentes, aquíferos e biodiversidade fazem parte dos atributos naturais que sustentam o ecoturismo e precisam ser considerados no planejamento da infraestrutura urbana.
Além de Bonito, municípios como Aquidauana, Miranda e Jardim também apresentam relações importantes entre turismo, recursos naturais e saneamento. Nesses territórios, a qualidade dos serviços de água e esgoto deve ser analisada em conjunto com o ordenamento urbano, a proteção ambiental e a capacidade de atendimento à população flutuante.
A cobertura de serviços
Na capital sul-mato-grossense, a infraestrutura sanitária atende a uma população urbana expressiva e acompanha as necessidades de moradores, empresas e visitantes, indicando cobertura de 95% para o esgotamento sanitário e abastecimento de água tratada para 99,8% da população.
A operação envolve redes coletoras, estações de tratamento e controles de qualidade da água distribuída. Em 2026, segundo os dados fornecidos, foram implantados mais de 180 km de novas redes de esgoto, enquanto o monitoramento da água incluiu centenas de milhares de análises até agosto.
Esses serviços compõem uma infraestrutura essencial à saúde pública e à conservação dos recursos naturais. A coleta e o tratamento de efluentes reduzem a quantidade de esgoto lançada sem tratamento adequado no ambiente, enquanto o controle da água distribuída permite acompanhar sua conformidade com os padrões aplicáveis.
Investimentos e planejamento territorial
A atuação da Aegea, por meio da Águas Guariroba e da Ambiental MS Pantanal, abrange serviços de saneamento em Campo Grande e em municípios do interior do estado.
A Ambiental MS Pantanal iniciou suas operações em 2021 e, desde então, contribuiu para evitar que grandes volumes de esgoto chegassem a rios, córregos e mananciais.
O conjunto de informações indica que o planejamento da infraestrutura sanitária precisa considerar as características de cada município, a distribuição da população, a expansão urbana e a sensibilidade dos ecossistemas. Em destinos turísticos, essa análise também envolve a capacidade de preservar os atrativos naturais que sustentam negócios e postos de trabalho.
A projeção econômica atribuída ao estudo do Instituto Trata Brasil situa o saneamento entre os fatores que podem contribuir para a atividade turística em Mato Grosso do Sul. Os resultados, contudo, dependem da execução dos investimentos, da operação adequada dos sistemas e da manutenção dos recursos naturais que atraem visitantes ao estado.
Fonte: Enfoque MS.
Perguntas frequentes
1 – Como o saneamento pode beneficiar o turismo? A coleta e o tratamento de esgoto contribuem para a proteção dos recursos hídricos e para a conservação ambiental, condições importantes em destinos que dependem de rios, cachoeiras e outros atrativos naturais.
2 – Qual é a projeção econômica para o turismo em Mato Grosso do Sul? O estudo do Instituto Trata Brasil, elaborado com a Ex Ante Consultoria Econômica, estima ganhos de renda de R$ 2,25 bilhões para o turismo entre 2025 e 2040 associados à expansão do saneamento.
3 – Quais municípios exemplificam essa relação? Bonito, Jardim, Aquidauana e Miranda são exemplos de municípios nos quais a atividade turística mantém relação com a conservação dos recursos naturais e a prestação de serviços de saneamento.
