O Brasil embarca minério em grande escala e compra de volta parte dos produtos fabricados com ele, de ímãs para motores elétricos a fertilizantes que abastecem a lavoura.
Os números do primeiro semestre de 2026, reunidos pelo Ibram – Instituto Brasileiro de Mineração, colocam o minério de ferro na frente da pauta exportadora, enquanto a ANM – Agência Nacional de Mineração mapeia os materiais que ainda chegam ao país como ligas, compostos refinados e insumos industriais, o que torna a mineração no Brasil um tema de balança comercial e também de infraestrutura.
Cadeia incompleta
A estrutura montada para escoar minério, com ferrovias dedicadas, terminais de grande calado e pátios de estocagem, funciona bem para quem vende matéria-prima a granel.
O gargalo aparece nas fases em que o material ganha pureza, forma e aplicação industrial, justamente onde o preço por tonelada sobe e onde o país ainda recorre a fornecedores estrangeiros. A exportação de minério segue forte, e a importação de insumos de maior valor convive com ela na mesma balança.
O nióbio
O nióbio é o exemplo mais favorável, já que o Brasil detém a maior fatia das reservas e da oferta mundial e vende sobretudo ferronióbio, uma liga metálica, além de óxidos de alta pureza. Parte do trabalho de agregar valor acontece em território nacional, com investimento em novos produtos e aplicações, e a experiência indica que uma cadeia produtiva completa depende da decisão de investir tão perto da mina quanto do porto.
O país tem potencial geológico para grafita, níquel, lítio e terras raras, mas compra do exterior parte do que a indústria de baterias e de motores elétricos exige. No lítio, a produção nacional de carbonato e hidróxido existe, ainda em pequena escala, e a maior parte da exportação continua na forma de concentrado de espodumênio.
Em Lagoa Santa, em Minas Gerais, o CIT SENAI ITR mantém um laboratório-piloto que pesquisa a separação e o refino de terras raras e a fabricação de ímãs permanentes, produto que o Brasil ainda adquire quase todo de fornecedores externos.
Entre os itens vendidos em estado bruto ou intermediário e comprados já processados, estão:
- Grafita esferoidizada e materiais anódicos para baterias;
- Compostos químicos e insumos para baterias derivados do níquel;
- Carbonato e hidróxido de lítio em volume industrial;
- Ímãs permanentes feitos com terras raras;
- Ligas especiais e metais de alta pureza.
- Fertilizantes e a conta do frete
O Brasil figura entre os maiores consumidores de fertilizantes potássicos e compra do exterior a maior parte do potássio que usa, na forma de cloreto de potássio, com Rússia, Belarus e Canadá entre os principais fornecedores.
A guerra entre Rússia e Ucrânia expôs o risco de depender de poucas origens, e os projetos da região amazônica, que poderiam responder por uma parcela maior da oferta nacional, esbarram em um licenciamento ambiental lento e complexo. No fósforo, a produção de rocha fosfática é relevante, porém insuficiente, o que obriga a importar fertilizantes fosfatados já processados.
Infraestrutura decide
Refinar e processar exige energia firme, água, acesso ferroviário, terminais para insumos e licenças em prazo previsível, ou seja, infraestrutura antes de qualquer planta industrial.
É preciso olhar o mapa dos minerais críticos com atenção dada ao minério de ferro, porque a logística portuária de fertilizantes e de insumos de bateria pode exigir novos acessos e mais área de armazenagem.
A pergunta que fica para o setor é onde o Brasil quer fazer o processamento, e a resposta depende de obra, regulação e financiamento caminhando ao mesmo tempo.
Informações do portal Itatiaia.
FAQ
1 – Brasil é dependente ou exportador de minerais? Os dois. O país exporta grandes volumes de minério e de ligas, como o ferronióbio, e importa produtos de maior valor, como ímãs permanentes, materiais para baterias e fertilizantes processados.
2 – Quais materiais o país mais compra do exterior? Os destaques são o cloreto de potássio, os fertilizantes fosfatados processados, os ímãs permanentes, a grafita esferoidizada e compostos químicos usados em baterias.
3 – Que infraestrutura o processamento mineral exige? Energia firme, água, ferrovias e terminais com capacidade para receber insumos e escoar produtos, além de licenciamento ambiental com prazos previsíveis.
