O governo federal incluiu o trem Brasília–Luziânia na nova carteira de ferrovias que pretende devolver ao uso, apresentada em setembro pelo Ministério dos Transportes na B3. O trecho, com cerca de 60 km entre o Distrito Federal e Goiás, entra no grupo das shortlines, ferrovias curtas que serão oferecidas à iniciativa privada por chamamento público, mas ainda não há obra iniciada nem data para início.
Projeto consta em estudos federais há anos
A ANPTrilhos já havia apontado o corredor como o mais maduro entre as primeiras concessões ferroviárias de passageiros, a Infra S.A. estudava outras 5 ligações, entre elas Salvador–Feira de Santana e Fortaleza–Sobral.
Em junho, o Ministério dos Transportes disse que o pacote seria enviado ao TCU com o Corredor Ferroviário Leste-Oeste, a Malha Sul e a ligação Açailândia–Barcarena.
Linha usada para cargas pode receber passageiros
A CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos mantém acordo de cooperação para estudar um VLT na faixa entre Luziânia e a Rodoferroviária de Brasília. Hoje, essa linha está concedida à VLI Multimodal e carrega cargas e insumos.
Aproveitar a infraestrutura ferroviária existente poupa o custo mais pesado de qualquer ferrovia, que é obter terreno e construir tudo do zero. Mas o investimento continua alto. Sinalização, sistemas de segurança, plataformas, estações, cruzamentos e a convivência entre trens de carga e de passageiros precisam de análise antes de qualquer autorização comercial.
Carteira reúne 7 shortlines
A carteira apresentada na B3 reúne cerca de 10 mil km de ferrovias subutilizadas. 7 deles foram classificados como shortlines e poderão receber cargas ou passageiros, conectados à malha principal:
- General Carneiro–Miguel Burnier, entre Sabará e Ouro Preto
- Aguaí–Bauxita, no ramal de Poços de Caldas
- Brasília–Luziânia
- Campina Grande–Cabedelo
- Roncador Novo–Jardim Ingá
- Santo Ângelo–Santa Rosa
- Cruz Alta–Santo Ângelo
Assim, o trem do Entorno deixa de depender de um estudo isolado de mobilidade e passa a disputar atenção dentro de um programa maior de recuperação de ferrovias.
Tarifa pode não cobrir o custo da operação
Operar um trem de passageiros regional exige gastos permanentes com material rodante, energia, manutenção e equipes, e a tarifa sozinha pode não bastar para atrair um concessionário.
Os estudos já discutiram uma receita adicional com a exploração imobiliária de áreas ligadas ao corredor, prática comum no exterior, onde a chegada da ferrovia valoriza o entorno das estações.
O modelo das shortlines também prevê que o interessado tenha até dois anos para apresentar um Plano de Requalificação da Malha. A discussão, portanto, inclui quem recupera a linha, quem investe e como o contrato fecha a conta.
Moradores de Luziânia, Valparaíso e Cidade Ocidental não têm, por ora, nenhuma garantia de prazo. Estudos, consulta pública, modelagem econômica, análise do TCU e edital ainda precisam ser concluídos, e cada um pode mudar o cronograma. O sinal positivo é que o projeto reapareceu com um desenho contratual definido e um corredor com demanda diária conhecida.
Fonte consultada: Click Petróleo e Gás.
Dúvidas frequentes
1 – O trem Brasília–Luziânia já tem obras ou leilão marcado? Não. O trecho foi incluído na carteira de shortlines e deve passar por chamamento público, mas as obras não começaram e não existe data confirmada para licitação ou operação.
2 – Por que usar uma linha que já existe? Porque a faixa ferroviária já está pronta e hoje atende cargas. Isso evita a construção de uma ferrovia nova, embora exija adaptações de segurança, sinalização e estações para receber passageiros.
3 – O que são shortlines? São ferrovias de menor extensão, ociosas ou subutilizadas, que o Ministério dos Transportes pretende oferecer a empresas interessadas em operar cargas ou passageiros, conectadas à malha principal.
