O TCP – Terminal de Contêineres de Paranaguá, no litoral paranaense, recebeu 25% mais carga cheia pela ferrovia no acumulado de janeiro a setembro de 2026, enquanto a chegada de trens ao pátio cresceu apenas 3%.
A diferença entre os dois números sugere composições mais carregadas, embora a empresa não tenha detalhado se houve mais vagões por trem ou melhor ocupação de cada um.
Pelos trilhos chega cerca de 19% da tonelagem exportada pelo terminal, quase uma tonelada em cada cinco, o que coloca o transporte ferroviário de cargas como parte relevante da logística portuária do Paraná e da infraestrutura de exportação do Sul do país.
Frango, celulose e a rota dos trilhos
A carne de frango congelada vem de Cambé e Cascavel, no Norte e no Oeste do estado, e o papel e a celulose partem de Ortigueira. Como as exportações de carnes respondem por quase metade da tonelagem embarcada no TCP, a ferrovia funciona como corredor de entrada para um terminal cada vez mais voltado ao frio.
O frango segue para China, Emirados Árabes Unidos e África do Sul, a carne bovina tem a China como maior compradora, seguida de Estados Unidos e Rússia, e a carne suína, ainda em volume menor, cresceu bastante rumo a Filipinas, Costa do Marfim e Libéria.
Tomadas para contêineres refrigerados
Carne congelada exige energia desde a chegada ao pátio até o embarque no navio, e por isso o Porto de Paranaguá prepara uma expansão dos contêineres refrigerados.
O terminal pretende entregar 220 novas tomadas ainda em 2026, levando o pátio de 5.280 para 5.500 pontos de conexão, e uma segunda etapa deve chegar a 6 mil até o fim de 2027.
A empresa não informou o valor investido, e há informações que ajudariam a medir o alcance da obra, como mostra a lista a seguir.
- Investimento previsto para as duas etapas de tomadas.
- Ocupação média do pátio refrigerado ao longo do ano.
- Uso da capacidade nos períodos de pico das safras.
- Parcela da alta ferroviária explicada por vagões mais cheios.
Recorde mensal e calado maior
Em setembro, o terminal operou 152.347 TEUs, o maior resultado mensal de sua história e 2,5% acima do recorde anterior, de outubro de 2025.
Contribuíram as cargas de carne, madeira, papel e celulose, o crescimento dos bens de consumo desembarcados e os navios desviados de outros terminais da região por fechamentos de barra, parcela que o TCP não quantificou.
Também ajudou o calado operacional de 13,30 metros, homologado em novembro de 2025, que permite receber navios mais carregados. No acumulado do ano, foram 1,279 milhão de TEUs, cerca de 4% a mais que no mesmo período de 2025, e a projeção da companhia é fechar em 2026 com 5% de alta.
O caso de Paranaguá indica que a infraestrutura portuária rende mais quando o acesso por trilhos, o pátio refrigerado e a profundidade do canal crescem juntos. Um terminal com tomadas de sobra, mas sem trem regular, perde tempo de caminhão na fila, e um terminal com ferrovia eficiente, mas sem energia para o frio, deixa a carne esperando.
Fonte: Transporte Moderno.
[h2] Perguntas frequentes
1 – Quanto da exportação do TCP chega por ferrovia? Cerca de 19% da tonelagem exportada pelo terminal entre janeiro e setembro de 2026 chegou pelos trilhos.
2 – Para que servem as tomadas do pátio? Elas alimentam os contêineres refrigerados que guardam carnes e congelados até o embarque, mantendo a temperatura da carga.
3 – Quando as novas tomadas entram em operação? As primeiras 220 estão previstas para 2026, e o total de 6 mil pontos de conexão deve ser atingido até o fim de 2027.
