A Gerdau estuda participar de uma oferta pelo Porto Sudeste, terminal marítimo localizado em Itaguaí, no Rio de Janeiro, e enxerga na compra uma saída para colocar mais minério de ferro no mercado quando a produção própria crescer.
A siderúrgica trabalha na proposta com parceiros, entre eles a Vale, mas os atuais donos do ativo ainda não sinalizaram que pretendem vender, o que mantém a negociação em fase de sondagem e sem prazo certo para terminar.
Consórcio estuda a compra do Porto Sudeste
Além de Gerdau e Vale, a GIP – Global Infrastructure Partners, gestora de fundos controlada pela BlackRock, participa das conversas sobre o terminal, que pertence hoje à gestora de investimentos Mubadala e à trader de commodities Trafigura.
A posição da companhia foi apresentada durante o Congresso Aço Brasil 2026, evento do Instituto Aço Brasil realizado em São Paulo, e deixou claro que a vontade de produzir mais minério ainda está em fase de estudos, com decisão esperada ao longo dos próximos meses.
Minas Gerais e a saída pelo mar
A Gerdau já conta com bons direitos minerários em regiões tradicionais de Minas Gerais e colocou capital na mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto, que passa agora pela fase de aceleração da produção e deve chegar à capacidade plena nos próximos trimestres.
Uma parcela do minério abastece a usina de Ouro Branco, também mineira, e o restante fica disponível para clientes no Brasil e no exterior, com a possibilidade de ajustar o volume em troca de um produto com teor de ferro mais alto.
A logística portuária costuma definir a margem de uma operação de mineração, já que o custo por tonelada depende do caminho percorrido entre a mina, o pátio e o embarque. Ter participação em um porto dá previsibilidade de acesso, de janelas de carregamento e de capacidade de armazenagem, itens que dificilmente se garantem apenas com contratos de prestação de serviço.
Por isso, a empresa trata o terminal como um apoio importante para o crescimento, ainda que não o classifique como condição obrigatória para tirar o plano do papel, nesse contexto, alguns pontos ajudam a medir o andamento da negociação:
- A decisão dos proprietários do Porto Sudeste sobre vender ou manter o ativo;
- A composição final do grupo comprador, com Vale e GIP ao lado da Gerdau;
- O ritmo de produção da mina de Miguel Burnier ao longo dos próximos meses;
- A divisão do minério entre consumo próprio, mercado interno e exportação;
- As condições de acesso ao terminal e a capacidade de embarque disponível.
Infraestrutura como condição para crescer
O caso mostra que a conversa sobre escoamento de minério deixou de ficar restrita às mineradoras tradicionais e chegou a empresas de aço que querem controlar mais etapas da cadeia.
Vale observar que um terminal bem localizado, com operação eficiente e acesso garantido, pode valer tanto quanto a própria jazida, já que determina a quem o minério chega e a que preço.
A Gerdau afirma que a expansão ainda é um desejo, não um projeto aprovado, e é com essa cautela que o mercado deve tratar as informações até que os donos do Porto Sudeste decidam o rumo do ativo.
Informações do Diário do Comércio.
Dúvidas frequentes
1. Onde fica o Porto Sudeste e quem são os donos? O terminal fica em Itaguaí, no Rio de Janeiro, e pertence à gestora de investimentos Mubadala e à trader de commodities Trafigura.
2. A Gerdau já comprou o terminal? Não. A empresa trabalha em uma oferta com parceiros, entre eles Vale e GIP, mas os proprietários ainda não decidiram vender o ativo.
3. Por que um porto interessa a uma siderúrgica que produz minério? Porque o acesso ao embarque influencia o custo e a competitividade das vendas de minério de ferro, principalmente do volume que excede o consumo das próprias usinas.
