Presentes ao longo de boa parte do litoral brasileiro e das várzeas do país, os depósitos de solos moles impõem um desafio recorrente à engenharia de infraestrutura: viabilizar a construção de aterros com segurança sem que o tratamento do terreno comprometa o orçamento ou o cronograma do projeto.
Formado por sedimentos depositados ao longo de milhares de anos em ambientes de baixa energia hidrodinâmica, como antigos mangues e estuários, esse tipo de solo costuma exigir tratamentos que, dependendo da técnica escolhida, podem elevar significativamente o custo da obra e levar meses ou anos até atingir a estabilidade necessária.
Regiões como a Baixada Santista, a Baixada Fluminense, o litoral do Nordeste e as várzeas amazônicas concentram algumas das maiores ocorrências desse tipo de solo no país. Nesses locais, a escolha da técnica de tratamento é o que separa uma obra segura e dentro dos limites adequados de recalques a longo prazo ou até rupturas de aterros.
O caso mais conhecido é o dos prédios inclinados de Santos (SP), apoiados em uma fina camada de areia seguida por dezenas de metros de argila marinha: os edifícios da orla se inclinaram por recalques diferenciais, lembrando a importância de compreender o comportamento desse tipo de solo e selecionar as técnicas de tratamento adequadas.
Do ponto de vista geotécnico, os solos moles são formações sedimentares recentes, predominantemente argilosas, saturadas e, com frequência, ricas em matéria orgânica. Suas características mais críticas são a baixa permeabilidade e a elevada compressibilidade, com resistência não drenada inferior a 50 kPa. Os valores de Nspt variam entre 0 e 4, e o CBR fica abaixo de 2%, números que evidenciam uma capacidade de suporte muito limitada. Na prática, isso significa recalques importantes, baixa resistência ao cisalhamento e dificuldades construtivas em regiões de grande relevância econômica e urbana.

Geossintéticos: tecnologia em constante evolução
É nesse cenário que os geossintéticos se consolidam como solução técnica de referência na engenharia de obras de infraestrutura. Utilizados em contato direto com o solo ou outros materiais, estão entre as tecnologias mais avançadas do mundo, em processo contínuo de aprimoramento. O controle de qualidade industrial garante confiabilidade em produtos capazes de suportar solicitações extremas, que permitem executar obras mais econômicas, mais rápidas e também mais seguras, tanto para o meio ambiente quanto para os carregamentos aplicados.
Da estabilização de subleitos rodoviários a fundações de grandes aterros, as aplicações dos geossintéticos em solos moles são tão diversas quanto os desafios da engenharia brasileira. A seguir, casos reais mostram os resultados dessas soluções.

ETA Xerém: colunas de brita e geogrelhas estabilizam recalques
Construir uma Estação de Tratamento de Água em Xerém (RJ) exigiu lidar com camadas de argila mole intercaladas com areia fofa e pedregulhos, chegando a 19 m de espessura, condição que tornava inviável a solução convencional de aterro.
Como o adensamento natural levaria quase quatro anos para atingir 95% dos recalques previstos, e a obra precisava avançar em semanas, optou-se por colunas de brita combinadas a reforços geossintéticos.
As inclusões semirrígidas aceleraram os recalques e reforçaram a fundação, permitindo erguer o aterro sem rupturas nem assentamentos excessivos. Associadas às geogrelhas Fortrac® e ao geotêxtil tecido Basetrac® Woven, formaram uma solução robusta: com sobrecarga temporária de 1,5 m, os recalques médios de 45 cm ocorreram em apenas 30 dias, garantindo uma fundação segura para a ETA dentro do prazo.

Via Expressa Sul: reforço basal viabiliza rodovia sobre manguezal
Ao expandir a Via Expressa Sul, em Florianópolis, sobre uma área alagada, a obra enfrentou camadas de argila marinha com resistência não drenada de apenas 4 a 5 kPa e até 22 m de espessura.
Para viabilizar a construção, foi adotado o geotêxtil tecido de alta resistência Stabilenka® como reforço basal, criando condições seguras de trabalho e garantindo a estabilidade de um aterro de até 5 m de altura.
Sua aplicação também criou uma plataforma para o tráfego de equipamentos e para a instalação de drenos verticais, minimizando os recalques diferenciais durante a consolidação do solo.
Na primeira fase da expansão da Via Expressa Sul, duas camadas de Stabilenka foram combinadas com bermas de equilíbrio; na travessia do manguezal Alça da Seta, o material foi instalado até sob o nível freático, com procedimento especial em campo.
O resultado foi uma via executada com segurança, dentro do prazo, que hoje conecta o aeroporto ao centro da cidade.

Escola do Amanhã: engenhosidade garante prazo em terreno alagado
Um terreno com baixíssima capacidade de suporte, alagado e de difícil acesso, além de um prazo exíguo, foram os desafios da construção da Escola do Amanhã, em Itanhangá (RJ).
A solução foi um aterro estaqueado com geossintéticos, em que reforços bidirecionais combinados a capitéis de concreto apoiados sobre estacas transmitem as cargas do aterro a camadas mais profundas e competentes do solo, eliminando a espera pelo adensamento natural e minimizando recalques.
O uso conjunto das geogrelhas Fortrac com o Stabilenka, geotêxtil tecido capaz de alcançar módulos de rigidez superiores a 45.000 kN/m, reduziu significativamente os custos do tratamento do solo e viabilizou o projeto. Com estacas de 33 cm de diâmetro espaçadas em até 3 m, o sistema atendeu tanto às exigências geotécnicas quanto ao cronograma restrito da obra.

Parque eólico argentino: geotêxtil reduz espessura de base sob cargas excepcionais
No Parque Eólico Vientos de Olavarría, na Argentina, 19 km de caminhos internos e plataformas para 22 aerogeradores de 4,5 MW precisavam suportar cargas excepcionais, incluindo guindastes de mais de 600 toneladas.
O desafio técnico era o subleito: presença de lençol freático e CBR entre 3,5% e 5%, bem abaixo do mínimo exigido de 11%.
A solução foi incorporar o geotêxtil tecido de alta tenacidade Basetrac Woven, dimensionado pelo método Giroud-Han para suportar 20 mil repetições de eixo padrão.
Os cálculos mostraram reduções de até 39% na espessura da base — de 51 cm para 33 cm nos trechos de CBR 3,5%. Além de manter a espessura contratual, o geotêxtil garantiu a capacidade de suporte mínima, evitou a substituição de grandes volumes de solo e reduziu os prazos de execução.

BR-470: colunas Ringtrac® recuperam trecho de aterros rompidos em Santa Catarina
Durante a duplicação da BR-470/SC, no trecho que liga a rodovia aos portos de Itajaí e Navegantes, três aterros sobre solos moles com altura de cerca de 3 m sofreram ruptura global durante a fase de alteamento.
Para viabilizar a retomada da obra sem bermas de equilíbrio que extrapolassem a faixa de domínio, foi projetada a recuperação da fundação com colunas granulares encamisadas em geotêxtil tecido, o sistema Ringtrac.
As colunas, em malha triangular com espaçamento de 2,4 m e comprimento de 15 m a 25 m, penetraram na camada de areia subjacente aos estratos argilosos para transmitir as cargas a solos mais resistentes e atuaram como drenos verticais, acelerando o adensamento..
Ao todo, foram aplicados quase 40.000 m de Ringtrac e 10.000 m² de geogrelha Fortrac para o trecho, combinação já consolidada para melhoria e estabilização de solos em trechos com camadas profundas de solo mole e aterros elevados.
O monitoramento por placas de recalque, piezômetros e inclinômetros confirmou a tendência de estabilização em todas as seções instrumentadas, com recalques futuros previstos abaixo da tolerância operacional de 20 cm em 20 anos, um resultado que comprova a eficácia da solução ao longo do tempo.
Sustentabilidade: novas demandas encontram resposta na inovação
As grandes obras no Brasil estão cada vez mais inseridas em ambientes naturais, fora de áreas urbanas conurbadas e antropizadas. Isso amplia a complexidade dos projetos, que precisam respeitar cadernos de encargos ambientais e de práticas ESG (Environmental, Social and Governance), que avaliam o impacto sustentável e ético de empresas.
Esse cenário redefine prioridades e exige soluções inovadoras, capazes de unir eficiência, sustentabilidade e viabilidade econômica.
Além de responder de forma confiável aos desafios das obras de infraestrutura, as opções de solução técnica envolvendo geossintéticos oferecem um ganho do ponto de vista ambiental em relação a outras alternativas, especialmente na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE): a engenharia com geossintéticos possibilita a execução de projetos com menor consumo de recursos naturais, menos energia e menor demanda de transporte. Na prática, isso significa obras com volumes menores de materiais diversos e menor impacto ambiental nos mais diversos setores.
Nesse contexto, escolher a solução técnica adequada é, mais do que nunca, uma decisão estratégica. Para conhecer mais sobre soluções em geossintéticos aplicadas aos desafios da infraestrutura brasileira, visite o site da HUESKER: www.HUESKER.com.br.

