O Porto de Santos fechou os nove primeiros meses de 2026 com o maior volume de cargas já registrado para o período, resultado sustentado sobretudo pelas operações com contêineres, que também fizeram marca inédita. A alta acumulada ficou em torno de 2%, um ritmo modesto, porém suficiente para colocar o maior porto da América Latina diante de uma conta relevante para a infraestrutura portuária.
Carga conteinerizada puxa o resultado
A carga conteinerizada responde pela maior parte do bom desempenho. O volume medido em TEU superou o do ano anterior em mais de 3% e registrou novo recorde, inclusive em setembro, mesmo com o mês complicado.
Os granéis sólidos, que somam a maior fatia das toneladas, cresceram menos de 1% no acumulado, enquanto os granéis líquidos recuaram. O recorde veio das linhas regulares de contêineres, carga de maior valor agregado, e não das commodities a granel.
Tempo ruim
As chuvas fora do padrão para o mês obrigaram a suspensão de embarques e desembarques de produtos como milho e açúcar, que dependem de carregamento sem umidade, e o volume total de cargas ficou abaixo do registrado em setembro de 2025, com a queda concentrada nos granéis sólidos.
O curioso é que, no mesmo período, os granéis líquidos tiveram o melhor setembro da série histórica e os contêineres seguiram em recorde, o que indica que a operação fechada em tanques, dutos e terminais conteinerizados sofre menos com o clima do que a carga exposta.
Peso do porto no comércio exterior
O porto concentrou perto de 28% da corrente de comércio do país nos nove primeiros meses do ano, com a China como parceira mais frequente, presente em cerca de três de cada dez operações com origem ou destino em Santos, e o estado de São Paulo respondendo por metade do valor negociado pelo terminal.
Quando um único complexo carrega essa fatia do comércio, qualquer interrupção por clima, fila de caminhões ou falha de acesso rodoviário e ferroviário chega rápido às contas de exportadores e importadores.
Para a próxima safra
Quem projeta obras de infraestrutura e investe em terminais tem agora um retrato claro de onde a pressão aparece primeiro. A lista abaixo resume o que merece prioridade:
- Cobertura e proteção de cargas nos terminais de granéis sólidos, para reduzir paradas em dias de chuva;
- Acessos ferroviários e rodoviários com capacidade para absorver picos de contêineres;
- Dragagem e calado compatíveis com navios cada vez maiores;
- Integração de dados entre terminais, autoridade portuária e transportadores, para antecipar janelas de operação.
O recorde acumulado mostra que o porto sabe crescer, mas setembro lembra que crescimento sem folga operacional depende do tempo e dos acessos.
O gargalo se manifesta primeiro nos granéis expostos ao clima e nas ligações terrestres, não nos contêineres.
Informações do Portal Portuário.
Perguntas frequentes
1 – Por que o recorde de contêineres pesa mais do que o total de toneladas?
Porque o contêiner transporta produtos de maior valor agregado e acompanha de perto a atividade industrial e o consumo, enquanto os granéis oscilam com safra, preço e clima.
2 – Como a chuva interfere nas operações portuárias? Cargas como grãos e açúcar não podem ser expostas à umidade, então embarques e desembarques são suspensos até o tempo firmar. Cada parada reduz o volume do mês e pode gerar filas de navios.
3 – Qual é a participação do Porto de Santos no comércio exterior brasileiro? Nos nove primeiros meses de 2026, ficou perto de 28% da corrente de comércio do país, o que explica a atenção dada a qualquer gargalo no complexo.

