A infraestrutura de transmissão de energia elétrica brasileira deverá receber novos empreendimentos em sete estados, com projetos de linhas de alta tensão, subestações e equipamentos de controle da rede.
As obras integram o Leilão de Transmissão nº 4/2026, organizado pela ANEEL, que reúne concessões com investimento estimado em R$ 8,9 bilhões.
O certame, previsto para 30 de outubro de 2026, na B3, em São Paulo, reúne oito lotes de empreendimentos. As empresas vencedoras ficarão responsáveis pela construção, operação e manutenção das instalações, conforme as condições estabelecidas nos contratos de concessão.
Mais do que a instalação de novas estruturas, os projetos evidenciam a dimensão das obras necessárias para manter a integração entre geração e consumo de eletricidade em um território com características geográficas e demandas regionais distintas.
A rede elétrica exige novas estruturas
O conjunto de empreendimentos prevê 1.866 km de novas linhas de transmissão, além de intervenções em instalações existentes e construção de subestações. Os projetos contemplam Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo.
A distribuição territorial das concessões envolve diferentes configurações de engenharia, desde interligações entre estados até instalações destinadas ao atendimento de sistemas regionais. Essa diversidade exige planejamento específico para cada trecho, considerando condições do terreno, capacidade de transporte e conexão com a rede elétrica existente.
A EPE – Empresa de Pesquisa Energética participa dos estudos que orientam o planejamento dessas instalações, considerando as necessidades do Sistema Interligado Nacional e a capacidade da infraestrutura disponível.
Engenharia além das torres de transmissão
A implantação de linhas de alta tensão exige uma sequência de serviços que começa antes da montagem das estruturas metálicas. Levantamentos de campo, análise das condições do solo, definição dos locais de instalação e execução das fundações estão entre as atividades necessárias para viabilizar os empreendimentos.
As torres precisam suportar o peso dos cabos e as solicitações provocadas por fatores ambientais, especialmente os ventos. A distância entre as estruturas depende das características de cada trecho, das condições topográficas e dos requisitos de segurança.
Outro componente importante são as subestações, responsáveis por receber, controlar e modificar os níveis de tensão da eletricidade transportada. O conjunto de concessões prevê capacidade de transformação de 12.694 MVA, unidade utilizada para expressar a potência aparente dos equipamentos elétricos.
Também estão incluídos quatro compensadores síncronos, equipamentos utilizados no controle das condições elétricas da rede. Essas instalações demandam obras civis, montagem eletromecânica, sistemas de proteção e equipamentos de supervisão.
Sete estados recebem projetos distintos
A configuração dos lotes demonstra como a engenharia de transmissão precisa responder a necessidades diferentes em cada região brasileira.
Entre os empreendimentos previstos estão:
- Bahia e Goiás: interligações entre Rio das Éguas e Iaciara, além de instalações destinadas ao atendimento de regiões baianas.
- Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná: conjunto de linhas e subestações associado a sistemas de 500 mil volts.
- Paraná: intervenções nos sistemas Curitiba Oeste, Barigui 2, Uberaba e Iguaçu.
- São Paulo: instalações e conexões relacionadas à subestação Santana.
- Paraíba: empreendimentos nos sistemas Coremas II e Cajazeiras II.
- Rondônia: participação no conjunto de concessões previsto no certame.
O lote 4 reúne a maior estimativa de investimento, com aproximadamente R$ 4,1 bilhões. A proposta contempla instalações em Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, incluindo estruturas de alta tensão e prazos de execução que podem chegar a 60 meses após a assinatura dos contratos.
Construção exige planejamento e mão de obra
A estimativa da ANEEL indica a possibilidade de geração de 20.312 empregos durante a implantação dos empreendimentos. A demanda deverá envolver trabalhadores da construção civil, engenharia, montagem industrial, transporte e serviços especializados em eletricidade.
A cadeia de fornecimento também deverá participar das obras, com necessidade de estruturas metálicas, concreto, cabos, transformadores e equipamentos utilizados nas instalações elétricas.
Os prazos de entrega variam entre 42 e 60 meses, conforme o lote. Antes da operação comercial, as empresas vencedoras precisarão desenvolver os projetos executivos, cumprir exigências ambientais, obter autorizações e realizar os testes necessários.
O modelo de concessão prevê contratos de 30 anos, período durante o qual as empresas selecionadas deverão responder pela operação e manutenção das instalações.
Transmissão acompanha a expansão da geração
O crescimento da geração de eletricidade a partir de fontes solares e eólicas exige capacidade de transporte compatível com a distribuição geográfica das usinas e dos centros consumidores.
A infraestrutura de transmissão tem função essencial na integração entre diferentes regiões. Linhas de alta tensão e subestações permitem transportar eletricidade por grandes distâncias e conectar instalações de geração aos sistemas de distribuição.
A contratação dos novos empreendimentos representa mais uma frente de obras de engenharia elétrica no país. Os resultados dependerão da execução dos projetos, do cumprimento dos cronogramas e da entrada em operação das instalações previstas.
Fonte: portal Click Petróleo e Gás.
FAQ
1. Quanto será investido nas novas obras de transmissão de energia? O investimento estimado para os oito lotes do leilão é de R$ 8,9 bilhões. O valor definitivo dependerá das propostas vencedoras e da execução dos contratos.
2. Quais estados receberão os empreendimentos? Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo estão contemplados nos projetos.
3. Qual será a extensão das novas linhas de transmissão? Os empreendimentos preveem a construção de 1.866 km de novas linhas, além de intervenções em instalações já existentes.

