A construção civil brasileira atravessa um momento de revisão profunda em seus modelos de operação. A pressão sobre custos, aliada à escassez de profissionais qualificados, levou o setor a acelerar o uso de inteligência artificial e de ferramentas de gestão integrada como estratégias centrais para manter o ritmo das obras e assegurar competitividade. O novo levantamento da consultoria Falconi, divulgado em parceria com o Ecossistema Sienge, confirma uma guinada técnica e cultural entre construtoras e incorporadoras em 2025.
Falta de profissionais impulsiona mudanças
O estudo aponta que 71% dos executivos da construção citam a escassez de mão de obra como a maior preocupação do ano, um salto expressivo em relação ao levantamento anterior. A carência de profissionais que não se limita à execução já afeta também os cargos técnicos e de liderança. Com o mercado de trabalho cada vez mais disputado, a capacitação contínua tornou-se prioridade para empresas que buscam reduzir atrasos e desperdícios.
De acordo com a pesquisa, treinamento e qualificação das equipes aparecem entre as três medidas mais adotadas pelas empresas que desejam responder rapidamente à estagnação do setor. Essa resposta, segundo analistas, é sintomática de um movimento mais amplo: a percepção de que o déficit de produtividade está diretamente ligado à defasagem de competências e à ausência de gestão profissionalizada.
IA ganha espaço nos canteiros
A adoção de ferramentas de inteligência artificial na construção civil mais que dobrou nos últimos dois anos, atingindo 38% das empresas participantes. Essa mudança indica uma transformação silenciosa, que vai além do uso pontual de softwares ou algoritmos. Soluções baseadas em IA estão sendo aplicadas para planejamento de obras, controle de custos, previsão de atrasos e otimização de insumos, tornando a operação mais previsível e eficiente.
Ferramentas como BIM (Building Information Modeling), CRM (Customer Relationship Management) e Lean Construction seguem integradas a essa nova lógica. O diferencial agora está na combinação entre dados, aprendizado de máquina e análise preditiva. O objetivo é antecipar gargalos antes que eles comprometam o andamento físico ou financeiro das obras.
Gestão eficiente se consolida como fator competitivo
Enquanto as construtoras ajustam suas margens diante das altas taxas de juros e do encarecimento de materiais, cresce a percepção de que a sobrevivência do setor depende de uma gestão profissionalizada. A pesquisa aponta que 74% dos entrevistados priorizam o aperfeiçoamento no controle de custos e desempenho das obras, uma decisão que reflete maturidade administrativa e busca de previsibilidade em um ambiente econômico de incerteza.
Esse movimento representa uma mudança de mentalidade. Se antes a eficiência era vista como consequência de prazos cumpridos, hoje ela é tratada como uma disciplina contínua. A liderança que entende gestão como ferramenta estratégica tende a alcançar melhores resultados e reduzir riscos em projetos complexos.
Tecnologia sem capacitação é investimento perdido
Apesar do avanço tecnológico, a maturidade de gestão ainda é um ponto crítico. Muitas empresas adotam softwares e plataformas sem garantir o treinamento necessário às equipes, o que compromete a aplicação real das soluções digitais. A integração entre obra e matriz, mencionada por especialistas, é um fator decisivo para transformar dados em decisões práticas e evitar o desperdício de recursos.
Essa lacuna evidencia a importância da educação corporativa no setor. Não basta ter tecnologia, é preciso formar profissionais capazes de interpretar indicadores, planejar cenários e tomar decisões baseadas em dados. Essa competência, ainda escassa, é o elo que separa empresas sustentáveis de organizações que apenas reagem a crises.
O retrato de um setor em transição
O Termômetro Falconi da Construção Civil ouviu mais de 100 executivos, incluindo diretores, CEOs e proprietários de construtoras e incorporadoras. O levantamento sugere que a construção civil vive um processo de transição estrutural, marcado pela necessidade de requalificação e pela busca de eficiência operacional. Mesmo diante de um cenário de cautela, há consenso de que a digitalização e a profissionalização da gestão são os caminhos mais seguros para o crescimento.
Fonte: pesquisa publicada pelo portal Cbic.
Perguntas frequentes
1 – Como a inteligência artificial pode ajudar na construção civil? A IA auxilia no planejamento de obras, gestão de custos, análise de produtividade e identificação antecipada de falhas, permitindo decisões mais rápidas e seguras.
2 – Por que a falta de mão de obra é o principal desafio do setor? A baixa atratividade das funções técnicas e o envelhecimento da força de trabalho têm reduzido o número de profissionais disponíveis, o que pressiona custos e compromete cronogramas.
3 – O que diferencia empresas que crescem em cenários desafiadores? Aquelas que unem gestão eficiente, qualificação constante e adoção inteligente de tecnologia conseguem preservar margens, ganhar produtividade e se destacar em competitividade.
