Emília Andrade, engenheira ambiental e líder dos projetos de ESG da HUESKER Brasil, há alguns anos vem se dedicando a estudar as relações entre soluções com geossintéticos e impacto ambiental. Com base em publicações recentes, afirma que as aplicações com estes materiais, como alternativa às soluções tradicionais de construção, ajudam a reduzir a pegada ecológica dos projetos.
As soluções com geossintéticos não são apenas mais econômicas, eficientes e duradouras, mas também mais sustentáveis, como pela substituição de materiais naturais ou de grande impacto ambiental, como concreto e aço, por um material sintético que tem uma pegada de carbono muito menor”, explica.
Em um artigo publicado no Cobramseg 2024 – XXI Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica, comparou o impacto ambiental de muros de contenção nos Contornos de Caraguatatuba e São Sebastião, SP, inaugurados em novembro de 2024.
O estudo demonstrou que os geossintéticos podem reduzir significativamente os impactos sociais e ambientais, mantendo a viabilidade econômica em grandes projetos – nesta obra, a emissão de CO2 foi reduzida em até 73%.
Sustentabilidade em obras viárias
Agregar sustentabilidade a obras de infraestrutura rodoviária significa garantir que antes, durante e após a implantação, sejam adotadas iniciativas que reduzam os impactos ambientais, potencializem a viabilidade econômica e proporcionem condições socialmente justas.
Com 33,9 km de extensão, 10 túneis e 43 obras de arte especiais, os Contornos de Caraguatatuba e São Sebastião compõem uma ligação estratégica entre o Vale do Paraíba e o Porto de São Sebastião.
A princípio, para quase todas as contenções, o projeto original especificava aterros com faces de concreto armado ou em paredes ancoradas. Com a retomada dos trabalhos, em 2021, foi estabelecido um prazo exíguo de 26 meses para sua conclusão, tornando necessária a busca por alternativas com maior velocidade executiva e custos menores que oferecessem sustentabilidade socioambiental.
A HUESKER, empresa global de soluções com geossintéticos para obras de infraestrutura, trabalhou em conjunto com os projetistas da EGTC Infra, executora da obra, para a otimização do projeto original, implementando soluções inovadoras que aceleraram a execução e reduziram custos.
As soluções previstas inicialmente foram, então, substituídas pela implementação de muros em aterro reforçado com geogrelhas Fortrac® e face em telas de aço com o Sistema Quadratum®, priorizando a agilidade na conclusão das contenções.

Impactos ambientais e sociais em obras de infraestrutura
A construção de rodovias inevitavelmente afeta o meio ambiente e as comunidades locais.
Biomas como a Mata Atlântica são afetados por erosões e assoreamentos causados pela remoção da cobertura vegetal e movimentação de solo, além de eventual contaminação do solo e lençol freático causada por vazamentos de produtos tóxicos.
A implantação de acessos provisórios pode agravar a pressão sobre áreas lindeiras, abrindo caminho para o extrativismo e caça predatória e facilitando o surgimento de assentamentos espontâneos em áreas de proteção.
Acarretando a mineração de jazidas para empréstimo de material, a demanda por material granular pode implicar na ampliação da área afetada para a criação de depósitos, um aspecto frequentemente questionado por órgãos ambientais e pelo Ministério Público no processo de licenciamento.
Obras de infraestrutura demandam ainda outros materiais, como o concreto asfáltico, o cimento Portland e o aço, que em sua produção geram impactos ambientais significativos, incluindo emissões de gases de efeito estufa, geração de resíduos, consumo intensivo de energia e recursos naturais.
Ainda, as mudanças sociais resultantes destas obras, positivas e negativas, podem moldar significativamente a vida dos membros da comunidade local.
A conectividade e a infraestrutura de transporte, por exemplo, têm o potencial de melhorar a economia de uma comunidade. No entanto, sua construção também pode ter consequências como a interrupção e aumento de congestionamento no trânsito, emissão de ruído e emanação de poeira, afetando sua qualidade de vida.

Redução da pegada de carbono e maior sustentabilidade: vantagens mensuradas
A pegada de carbono considerada neste estudo refere-se ao CO2 incorporado de um material, que é o valor calculado a partir das diversas fases de seu ciclo de vida, como a extração de matéria-prima, processamento e transporte do material, com base na forma típica de energia utilizada.
A escolha dos materiais de construção afeta todos os aspectos da pegada de carbono de uma obra. Estudos realizados na última década demonstram significativa redução de impacto ambiental com a aplicação de soluções com geossintéticos na construção de estruturas de contenção, especialmente quanto à emissão de gases de efeito estufa e potencial de aquecimento global, chegando a uma redução de 84% nestes quesitos.
Para avaliar a sustentabilidade de sistemas de contenção nas obras dos Contornos de Caraguatatuba e São Sebastião, foram desenvolvidos cálculos de estimativa de CO2 gerado pelos materiais empregados na construção.
Para cada alternativa avaliada, calculou-se o consumo de materiais empregados por metro quadrado de face dos muros. A partir do consumo de materiais, foram avaliados os valores reportados de CO2 nas Declarações Ambientais de Produtos (EPDs) disponibilizadas pelas empresas fornecedoras de cimento, aço, galvanização e de geossintéticos. Outros materiais, como areia e agregados, tiveram seus valores adotados a partir da literatura disponível.
Os resultados comparativos estão descritos no artigo publicado, indicando uma redução significativa no carbono incorporado e no potencial de aquecimento global com a adoção do Sistema Quadratum.
Quase 300 toneladas de gases de efeito estufa foram economizadas com a substituição dos métodos construtivos tradicionais pela solução com geossintéticos (redução de 73%), além dos benefícios econômicos e da maior celeridade no cronograma de obras.
Esta diferença decorre principalmente da redução dos volumes de concreto. O uso de material granular proveniente de detonações da obra para preenchimento dos gabaritos do Sistema Quadratum também agregou à sustentabilidade, promovendo múltiplas vantagens.
Benefícios em relação ao impacto socioambiental também foram verificados com a alteração do projeto, que possibilitou o uso da área de terraplenagem das contenções como caminhos de serviço, minimizando intervenções na comunidade local e em áreas de proteção ambiental.
Os dados levantados são um forte indicativo de como soluções inovadoras podem transformar grandes projetos de infraestrutura, promovendo sustentabilidade, economia e eficiência.

HUESKER: responsabilidade social, econômica e ambiental
A engenharia moderna pensa no futuro: custos e benefícios são ponderados, recursos são conservados e o meio ambiente é protegido. Agir de forma sustentável é um compromisso com o futuro e sempre foi algo natural para o Grupo HUESKER.
Com mais de 160 anos de história, e cientes de sua responsabilidade econômica, ecológica e social, desenvolve soluções mais eficazes, mais inteligentes e sustentáveis.
A consciência ambiental, o compromisso social e a governança corporativa são igualmente importantes para a HUESKER e se refletem em ações diárias, como no tratamento justo e igualitário de seus colaboradores, a gestão ética de fornecedores, o apoio a iniciativas locais e os programas internos de ESG.
Em excelente posição para auxiliar seus clientes a operar de forma mais sustentável, a empresa disponibiliza dados e relatos de obras e ações em seu site sobre sustentabilidade.
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