A Aneel determinou que Roraima seja efetivamente integrado ao SIN – Sistema Interligado Nacional de Energia a partir de janeiro de 2026. A decisão elimina o último sistema elétrico isolado do país e cria uma nova etapa de coordenação entre geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia na região Norte.
A medida fixa obrigações claras para agentes geradores, distribuidora local e para a CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, que passa a contabilizar o fluxo energético entre o sistema de Boa Vista e o SIN. A determinação inclui prazos técnicos para sistemas de medição, cadastramento de ativos e ajustes operacionais compatíveis com o padrão nacional.
O que muda na prática?
A integração altera rotinas de operação e contratos. Até agora, Roraima dependia de geração local, majoritariamente térmica, operando fora da lógica do SIN. Com a decisão regulatória, o estado passa a operar sob regras unificadas de despacho, liquidação e contabilização de energia.
Entre as mudanças mais relevantes estão:
- entrada do estado na contabilização nacional da CCEE
- adequação dos ativos ao modelo regulatório do SIN
- separação formal de ativos da Roraima Energia, conforme cronograma definido
- maior previsibilidade operacional para o sistema regional
Linha de transmissão como eixo físico
A decisão da Aneel se ancora na energização da Linha de Transmissão Manaus–Boa Vista, conhecida como Linhão do Tucuruí. A infraestrutura conecta fisicamente Roraima ao sistema nacional e encerra um ciclo de dependência de geração local isolada.
A obra atravessa território indígena Waimiri Atroari, após acordo formal com o governo federal, e passou a ser tratada como elemento essencial para a estabilidade elétrica do Norte. Sua conclusão viabiliza não apenas a conexão, mas a operação integrada em larga escala.
Fim do isolamento elétrico
Roraima foi, por anos, uma exceção no sistema elétrico brasileiro. Após o fim do fornecimento internacional de energia em 2019, o estado passou a depender integralmente de usinas térmicas e de uma pequena central hidrelétrica, atendendo cerca de 176 mil consumidores em 15 municípios.
A integração ao SIN mudou esse cenário. O estado deixa de operar à margem do sistema e passa a fazer parte do mesmo ambiente regulatório e comercial que sustenta o restante do país.
Governança, previsibilidade e controle
Do ponto de vista institucional, a decisão reforça o papel da Aneel como agente de coordenação técnica do setor elétrico. A integração exige padronização de medição, clareza contratual e aderência às regras de comercialização, pontos que afetam diretamente o planejamento energético e a segurança operacional.
Para investidores, operadores e gestores públicos, a integração de Roraima elimina uma anomalia histórica do sistema e amplia a coerência do planejamento elétrico nacional.
Fonte: G1 Economia.
Perguntas do setor
1 – Roraima passa a comprar energia no mercado regulado? Sim. A entrada no SIN exige adesão às regras de comercialização e liquidação vigentes.
2 – A geração térmica local deixa de operar? Não necessariamente. As usinas continuam disponíveis, mas passam a operar dentro da lógica do sistema nacional.
3 – A decisão afeta apenas o Norte? Não. A integração altera o equilíbrio operacional do SIN como um todo.
