A mobilidade urbana no Rio de Janeiro recebeu a proposta de conversão dos corredores de BRT em linhas de VLT-Veículos Leves sobre Trilhos, abrindo espaço para um redesenho expressivo do transporte de massa nas zonas Oeste e Norte da capital.
A ideia é instalar trilhos sobre as pistas já existentes, adaptando estações para receber composições modernas, silenciosas e integradas à paisagem urbana. Caso saia do papel, a cidade poderá alcançar uma das maiores redes desse modal nas Américas, interligando diferentes regiões.
Do corredor rápido ao transporte ferroviário
O plano prevê a substituição dos ônibus articulados que hoje operam nos corredores Transoeste e Transcarioca por composições de VLT. O primeiro conecta o Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, a bairros como Campo Grande e Santa Cruz. O segundo liga a Barra ao Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador.
Estudos indicam que a conversão poderá elevar a capacidade diária de atendimento para cerca de meio milhão de passageiros, ampliando a frequência e oferecendo viagens mais confortáveis e estáveis.
A proposta também inclui uma nova ligação sobre trilhos entre Botafogo e Gávea, com cerca de 12 km de extensão e 13 paradas. Esse trecho seria implantado por meio de uma PPP e contaria com um centro de operação e manutenção próprio.
Infraestrutura existente como base para o novo sistema
Um dos pontos defendidos pela Prefeitura é que boa parte da infraestrutura atual poderá ser aproveitada. Os corredores de BRT já contam com estações e faixas exclusivas, o que, segundo a gestão municipal, facilitará a implantação dos trilhos e reduzirá custos.
O BNDES elaborou estudos preliminares que estimam valores superiores a R$ 12 bilhões para a conversão completa dos corredores e implantação do novo traçado. Apesar disso, técnicos afirmam que o uso de estruturas já prontas pode representar economia relevante no processo.
Integração e ganhos para o transporte coletivo
Ao substituir o sistema de ônibus articulados pelo VLT, o município busca ampliar a capacidade de transporte, reduzir o tempo de espera e garantir maior regularidade nas partidas. Além de não emitir ruídos, o modal ferroviário é movido a energia elétrica, contribuindo para reduzir emissões e melhorar o conforto dos usuários.
A interligação com outros sistemas, como metrô e ônibus municipais, está prevista, criando conexões mais fluidas entre bairros afastados e regiões centrais.
Apesar do entusiasmo oficial, o projeto gera discussões, parte das críticas se concentra no histórico recente de investimentos no sistema BRT, muitos deles com recursos federais do antigo Programa de Aceleração do Crescimento. Há quem questione se a substituição, tão pouco tempo após essas obras, representa o melhor uso dos recursos públicos.
A implantação do VLT nos corredores demandará obras que podem alterar o deslocamento diário de milhares de passageiros. A Prefeitura afirma que manterá o funcionamento dos BRTs durante o período, com ajustes operacionais para evitar prejuízos à população.
Mobi-Rio e a reestruturação do transporte
Desde que assumiu a gestão e operação do BRT, a empresa pública Mobi-Rio tem conduzido intervenções para recuperar o sistema, que sofreu deterioração severa antes e durante a pandemia. A substituição por VLT é vista pela administração como uma evolução natural, aproveitando os investimentos já realizados na recuperação das pistas e estações, mas dando ao sistema um novo padrão de serviço.
Modelos semelhantes já foram implantados com êxito em capitais como Medellín e Paris, onde a transição para sistemas sobre trilhos resultou em aumento de demanda e maior regularidade operacional. No Brasil, o próprio VLT Carioca, que atende o centro do Rio desde 2016, é exemplo de integração e atratividade turística, transportando milhões de passageiros anualmente.
O projeto segue em fase de finalização para ser enviado à Câmara Municipal, onde passará por comissões e debates antes de uma votação. Caso receba sinal verde, a licitação para contratação poderá ocorrer ainda em 2025.
A decisão, portanto, está nas mãos de vereadores e gestores, que precisam ponderar entre o potencial de modernização e as preocupações com a aplicação dos recursos.
Informações de domínio da matéria do portal JC Online.
FAQ Trilhos em debate
1 – Como funcionará a adaptação das estações para o VLT? Será necessário ajustar a altura das plataformas e a sinalização para compatibilizar com as composições ferroviárias, mas mantendo parte da estrutura já existente.
2 – Qual a previsão de início das obras? O calendário depende da aprovação na Câmara Municipal e da conclusão da licitação. A expectativa é que o processo avance a partir de 2025.
3 – O sistema VLT substituirá todo o BRT no Rio de Janeiro? A proposta atual contempla os corredores Transoeste e Transcarioca. Outros eixos poderão ser avaliados em fases futuras.
