Um salto de 23 posições em três anos não acontece por acaso no setor de infraestrutura. Campinas, no interior de São Paulo, deixou a 24ª colocação e alcançou o topo do ranking nacional de saneamento, dado apresentado pelo Instituto Trata Brasil. O avanço, com base em dados públicos de 2023, evidencia uma virada técnica e administrativa calcada em obras estruturantes, priorização orçamentária e decisões ágeis.
O feito chama atenção por acontecer em um setor onde a execução tende a ser lenta e burocrática. No entanto, a cidade tem conseguido responder com velocidade a um dos principais gargalos urbanos, o acesso à água tratada e esgoto sanitário.
Infraestrutura como resposta e não como promessa
A Sanasa de Campinas, autarquia responsável pela gestão do município, deu corpo a um ambicioso pacote de obras que passou a ser conhecido como Plano Campinas 2030. O nome faz alusão à meta estipulada pelo Marco Legal do Saneamento, que determina que, até 2033, 99% da população brasileira tenha acesso à água tratada e 90% ao sistema de esgoto com coleta e tratamento.
A cidade saiu na frente e já atende plenamente à universalização da água e, com índices acima da média nacional, tem conseguido tratar praticamente todo o esgoto coletado. Entre os pilares do plano estão:
- Ampliação da capacidade de reserva hídrica, com a construção de 20 novos reservatórios;
- Reforço na captação de água, com obras interligadas à barragem de Pedreira;
- Redução de perdas na distribuição, hoje abaixo de 20%, um dos menores índices do país;
- Expansão do uso de água de reúso, com protagonismo da Estação de Tratamento de Esgoto Anhumas, em processo de modernização para se tornar a maior da América Latina nesse quesito.
Sem improviso e com planejamento
Um ponto importante para essa trajetória de Campinas é a ausência de improvisos. As obras não responderam a crises, mas a uma leitura antecipada de necessidades. A cidade, que já possuía boa cobertura hídrica, apostou em eficiência, resiliência e novas formas de reaproveitamento da água.
O investimento declarado gira em torno de R$ 1,1 bilhão até 2030, mas o principal ativo da transformação foi a visão integrada da infraestrutura. Planejamento urbano, abastecimento, engenharia ambiental e modernização tecnológica passaram a dialogar com coerência.
Campinas e a nova régua do saneamento nacional
O ranking do Instituto Trata Brasil, feito em parceria com a consultoria GO Associados, analisou os 100 maiores municípios brasileiros, e Campinas conquistou nota máxima em todos os quesitos:
- Cobertura de água;
- Coleta de esgoto;
- Tratamento do esgoto coletado;
- Perdas na distribuição;
- Investimento per capita.
Isso colocou Campinas à frente de cidades como Limeira, Niterói, Franca, São José do Rio Preto, entre outras referências no setor.
A escala da virada impressiona, mas o que torna o caso relevante é sua capacidade de servir como modelo replicável. O Plano Campinas 2030 parte de fundamentos técnicos aplicáveis em outras regiões do país e pode ajudar a destravar gargalos históricos de saneamento em contextos diversos.
Água de reúso ganha protagonismo
Com a adaptação da Estação de Tratamento de Esgoto Anhumas, Campinas se posiciona como um dos polos mais avançados do continente no reaproveitamento hídrico. A produção de água de reúso triplicará nos próximos anos, fornecendo água não potável para usos urbanos como irrigação de parques, limpeza de vias e controle de incêndios.
Essa abordagem reduz a pressão sobre os mananciais e mostra uma forma mais inteligente de lidar com o ciclo urbano da água. A ETE Anhumas já trata 1.100 litros por segundo e atende cerca de 450 mil pessoas.
Novoss reservatórios para uma cidade em expansão
A implantação dos novos reservatórios em diferentes bairros, como Taquaral, Campo Grande, Santa Therezinha e Ponte Preta, melhora o fornecimento e prepara a cidade para enfrentar períodos de estiagem com maior segurança. O reforço na capacidade de estocagem permite à cidade manter a regularidade no abastecimento, mesmo em cenários de escassez.
Além disso, a descentralização do sistema reduz a vulnerabilidade e fortalece o atendimento regionalizado.
Lições para além do saneamento
O sucesso de Campinas não pode ser visto isoladamente. Ele aponta para um caminho que passa pela integração entre gestão pública eficiente, engenharia bem aplicada e decisões corajosas. A cidade provou que é possível avançar de forma consistente, mesmo num setor historicamente negligenciado.
Ao priorizar o saneamento, Campinas colhe resultados em saúde pública, preservação ambiental e desenvolvimento urbano. A infraestrutura deixou de ser um item de bastidor e passou a ocupar o centro da política pública municipal.
Informações gerais sobre o posicionamento de Campinas foram baseadas em dados públicos consultados no portal de notícias regional g1
FAQ – O que Campinas pode ensinar sobre saneamento eficiente
1 – Por que Campinas se destacou entre os 100 maiores municípios? A cidade alcançou nota máxima em todos os critérios avaliados: cobertura de água, coleta e tratamento de esgoto, baixa perda de água na distribuição e alto investimento por habitante. Isso a colocou no topo do ranking nacional do Instituto Trata Brasil.
2 – O que é o Plano Campinas 2030? É um conjunto de ações estruturais e operacionais elaborado pela Sanasa para garantir segurança hídrica e qualidade no saneamento até 2030. Inclui novos reservatórios, captação hídrica, água de reúso e redução de perdas.
3 – O modelo de Campinas pode ser replicado? Sim. A abordagem técnica, baseada em dados públicos, previsibilidade orçamentária e obras interligadas, pode servir como exemplo para outras cidades. A experiência mostra que investir em infraestrutura bem planejada gera resultados reais em pouco tempo.
