Engenharia portuária conta com geossintéticos como parceiros estratégicos
À medida que o Brasil avança em obras de modernização e expansão portuária, os geossintéticos emergem como elementos estratégicos para garantir eficiência, durabilidade e sustentabilidade em seus projetos de infraestrutura.

O setor portuário brasileiro vive um momento de transformação profunda, marcado por recordes operacionais, investimentos robustos e uma articulação cada vez mais eficaz entre os modelos público e privado.
Recordes consecutivos na quantidade de toneladas movimentadas refletem o efeito do aumento da eficiência pela modernização dos portos.
Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta gargalos estruturais que exigem atenção:
- Dragagem e profundidade dos canais: Essencial para receber navios de maior porte, a dragagem continua sendo um desafio técnico e financeiro.
- Acessos terrestres: Rodovias e ferrovias que conectam os portos precisam de ampliação e modernização para evitar congestionamentos logísticos.
- Capacidade de armazenagem: A infraestrutura de apoio ainda é limitada frente ao crescimento da demanda.
Geossintéticos: tecnologia essencial para a nova engenharia portuária
À medida que o Brasil avança em obras de modernização e expansão portuária, os geossintéticos emergem como elementos estratégicos para garantir eficiência, durabilidade e sustentabilidade nos projetos.
Empregados para reforçar estruturas, controlar a erosão costeira e otimizar a drenagem, esses materiais oferecem soluções técnicas superiores às alternativas convencionais — com ganhos expressivos em custo, tempo e desempenho.

Aplicações em obras portuárias
Nos ambientes costeiros, onde os solos são frequentemente moles e instáveis, os geossintéticos desempenham funções críticas:
- Reforço de cais e muros de contenção: Geogrelhas são utilizadas para estabilizar estruturas verticais e aumentar a capacidade de carga, especialmente em berços de atracação.
- Construção de aterros sobre solos moles: Geotêxteis e geogrelhas permitem a separação de camadas e o reforço do solo, viabilizando obras em áreas antes consideradas inviáveis.
- Proteção de quebra-mares e taludes: Formas geotêxteis atuam como barreiras contra erosão costeira, preservando margens e estruturas expostas à ação das ondas e marés.
- Proteção contra contaminantes: Geocompostos protegem o solo e o lençol freático contra contaminações por produtos químicos, combustíveis e outros materiais em áreas de armazenamento.
Papel relevante na construção de um dos principais terminais portuários da América Latina

Durante a implantação do Brasil Terminal Portuário (BTP) no Porto de Santos, os desafios geotécnicos e ambientais exigiram soluções de engenharia altamente especializadas. Construído sobre uma antiga área degradada e contaminada, o projeto enfrentou solos formados por argilas marinhas muito moles, com espessuras superiores a 20 m — condição típica da Baixada Santista e crítica para obras de grande porte. Para superar essas limitações, os geossintéticos para reforço de solos Fortrac® e Stabilenka®, da HUESKER, foram aplicados em diferentes fases da obra.
Na fase inicial foram utilizadas geogrelhas Fortrac T para conformação de diques periféricos, garantindo contenção segura do aterro elevado. Na área destinada à produção de pré-moldados de concreto, foram aplicadas geogrelhas unidirecionais Fortrac 400 T para reforço basal dos aterros, previamente tratados com drenos verticais para acelerar o adensamento. Essa solução permitiu suportar cargas operacionais elevadas, essenciais para o funcionamento do pátio industrial.
No setor de execução das estacas-prancha do cais, o geotêxtil de alta resistência Stabilenka 200 foi empregado para estabilizar a borda do aterro e viabilizar a plataforma de trabalho para os equipamentos de cravação, mesmo sem elementos de contenção já instalados.
A etapa mais crítica ocorreu na fase final da obra, quando um trecho da retroárea apresentou instabilidade durante o alteamento do aterro. A solução adotada envolveu a escavação de 1,5 m e reconstrução do aterro sobre uma malha de estacas pré-moldadas com capitéis, com aplicação de geogrelhas Fortrac 600 MPT em camada dupla, posicionadas perpendicularmente entre si, de forma a compor um reforço bidirecional. Essas geogrelhas garantiram alívio de empuxo, estabilidade e capacidade de carga exigida para operação portuária.
O desempenho pós-obra confirmou a eficácia da solução, consolidando o uso de geossintéticos como tecnologia essencial na engenharia portuária brasileira.
Terminal de cargas em áreas alagadas

A implantação do Terminal Embraport, na margem esquerda do Porto de Santos, enfrentou desafios geotécnicos e operacionais de alta complexidade. Construído sobre solos moles da Baixada Santista, com até 40 m de argilas de baixa resistência, o projeto exigiu soluções avançadas para garantir estabilidade e desempenho estrutural. Além disso, parte da obra foi realizada em áreas alagadas com lâmina d’água de até 5 m, o que demandou técnicas específicas de instalação submersa.
Na fase inicial, foi construído um aterro piloto de 20.000 m² para estudo do comportamento do solo. Nessa etapa, foi aplicada a geogrelha Gigagrid® 800/100-300, desenvolvida pela HUESKER, ideal para instalação subaquática e cravação posterior de drenos verticais. A metodologia executiva permitiu a união de painéis em terra e transporte por rebocadores, facilitando a execução em ambiente alagado.

Com base nos resultados do aterro piloto, o projeto executivo excluiu os drenos verticais e adotou reforço basal com geossintéticos em toda a área de implantação. Foram utilizados mais de 1.000.000 m² de geogrelhas Fortrac e 650.000 m² de geotêxteis tecidos HaTe®, ambos fornecidos pela HUESKER. O geotêxtil tecido atuou como reforço construtivo nos aterros de conquista e contenção hidráulica das bordas, garantindo agilidade na terraplenagem e controle preciso dos volumes de solo.
Essa solução permitiu avanço seguro dos aterros mesmo em condições submersas, e o Terminal Embraport tornou-se um marco da engenharia geotécnica nacional.
Proteção de atracadouro contra erosão

Facilitar a concretagem submersa em obras de controle de erosão ou revestimento de leitos e margens de rios, canais, lagos e estruturas portuárias é uma das vantagens oferecidas pelo sistema de formas têxteis Incomat®.
Na planta de fabricação de dutos e tubos para exploração de petróleo em águas profundas da Saipem, no Guarujá, SP, foi implantado um terminal para atracação de balsas.
Os procedimentos de chegada e partida das embarcações geram turbulência, que poderiam induzir erosão do leito marinho e colocar em risco as estacas-prancha do atracadouro.
Para proteger a estrutura, foi projetado um sistema contra erosão com colchões de concreto Incomat posicionados ao longo da estrutura de atracação.
Os painéis de Incomat foram fornecidos pré-fabricados nas dimensões requeridas pelo projeto, confeccionados com bocais para posicionamento dos mangotes e fechamento após concretagem, facilitando o preenchimento submerso.
Conformação de porto pesqueiro

Em Montevideo, no Uruguai, a aplicação de soluções com geossintéticos HUESKER permitiu criar um patamar com material dragado para conformar um porto pesqueiro, ganhando terreno do mar.
O principal desafio dessa obra era promover a dessecagem de lodos orgânicos com eficiência. Para isso, foi utilizada a solução SoilTain® DW, sistema de tubos geotêxteis para confinamento e dessecagem de lodos ou lamas.
Entre as vantagens da aplicação do SoilTain DW e HDW estava a possibilidade de conformação de novos patamares com geoformas e a alta eficiência de dessecagem de material dragado.
Outras vantagens deste sistema, especialmente importantes neste projeto, são a possibilidade de execução das obras com recursos locais, a viabilidade econômica e a agilidade na instalação.
Benefícios estratégicos
A adoção de geossintéticos em projetos portuários traz vantagens decisivas:
- Redução de custos e tempo de obra: Menor necessidade de escavações e transporte de agregados.
- Maior durabilidade: Resistência a ambientes agressivos como água salgada e agentes químicos.
- Aumento da capacidade de carga: Viabiliza obras sobre solos de baixa resistência.
- Sustentabilidade ambiental: Minimiza a extração de recursos naturais e previne contaminações.
- Controle de erosão: Protege margens, praias e estuários contra processos erosivos marinhos.
Se mantiver o ritmo atual, o Brasil poderá se posicionar como referência em logística aquaviária na América Latina — com portos mais profundos, acessos mais eficientes e operações cada vez mais integradas.Para contar com os geossintéticos HUESKER em projetos de implantação e modernização de infraestrutura portuária, acesse www.HUESKER.com.br e fale com nossos especialistas.

