Com o passar dos anos, as empreitadas têm se tornado cada vez mais desafiadoras, seja pelos prazos ajustados, orçamentos reduzidos, interferências e modificações do proprietário na engenharia (projetos), escassez de recursos públicos, insegurança jurídica e variações de preços de insumos. Com estes obstáculos, a execução de obras tem se tornado sinônimo de prejuízos, colocando em risco até mesmo a continuidade das empresas no mercado.
Assim, neste dia, parabenizamos o Administrador Contratual que tem se tornado essencial para o cumprimento mútuo das condições contratadas, manutenção do equilíbrio econômico-financeiro e da boa relação entre as Partes.
A Importância do Profissional de Administração Contratual
Se ainda há empresas de construção que acreditam que vendem apenas engenharia e executam obras para a posteridade, é urgente uma mudança de mentalidade.
A atividade da construção civil nada mais é do que COMÉRCIO. Compramos materiais e equipamentos (ou alugamos), contratamos mão de obra, consultores e fornecedores, e combinamos esses elementos sob demanda para criar um produto que será entregue em um formato, tempo e local determinados por um terceiro – o proprietário da obra.
Nesse comércio de obra, há uma diferença importante em relação ao comércio varejista: a venda se dá em fase pontual e a entrega se dá de forma discriminada no tempo. Quando a gente vai à obra para executar a obra (materializar o comércio), a gente não tem que vender nada, só tem que entregar.
O problema surge porque, ao longo da construção, pequenos detalhes fazem toda a diferença. O que estamos entregando hoje é exatamente o que foi vendido no passado? Parece óbvio, mas na realidade, passa longe disso.
Parece muito simples também. Simples demais! Na analogia do varejo é agir como um caixa do supermercado passando-se o código de barras do produto e olhando no monitor se o produto que está nas mãos do caixa é o produto que aparece no monitor.
No supermercado se tem uma diferença ou se o produto não tem preço o caixa chama um supervisor e o produto é cadastrado. O caixa não diz: olha, pode levar que eu não tenho esse produto aqui na minha planilha (sistema) e você pode levar e depois, daqui um ano a gente faz um aditivo.
E nós, na construção, passamos por esse ridículo a cada medição! Falta preço de produto, é produto levado mais sofisticado que o que está na planilha ou no contrato.
O guardião dessas vendas é o ADMINISTRADOR DE CONTRATOS, cuja única função é garantir que os serviços feitos estão sendo devidamente remunerados. De novo: ridículo!
Na teoria, esse profissional nem deveria ser necessário. Mas, na prática, ele é indispensável, pois assegura que a mentalidade comercial esteja presente em cada etapa da obra. Ele não se preocupa apenas com o que está sendo entregue, mas também com como está sendo feito:
- Estamos usando as máquinas previstas no orçamento?
- As horas trabalhadas estão de acordo com as estimativas?
- O tempo de execução está compatível com o contrato?
Na maioria das vezes, deixamos tudo isso para ser resolvido em um aditivo. Mas, por quê? Porque nos acostumamos a entregar mais do que recebemos, enquanto os clientes se acostumaram a receber mais do que pagam!
A Administração Contratual precisa ser preventiva, não reativa. É fundamental identificar rapidamente mudanças no projeto, bloqueios de áreas e necessidade de replanilhamento. Em dois meses de contrato, tudo isso já deveria estar resolvido e formalizado. A mobilização precisa ser proporcional às condições da obra: área liberada, projeto correto e completo, e preço ajustado no contrato.
A verdade é que Administração Contratual não tem a ver com engenharia. Tem a ver com Comércio!
