O aumento expressivo das matrículas em cursos superiores voltados ao agronegócio e ao meio ambiente demonstra um movimento positivo para a qualificação profissional nesses setores estratégicos. Entretanto, a expansão do ensino superior precisa estar alinhada às necessidades reais do mercado de trabalho, principalmente diante da expectativa de uma supersafra 2024/25, que impõe desafios logísticos, tecnológicos e ambientais sem precedentes. Se não houver uma formação de qualidade, o Brasil pode enfrentar gargalos operacionais, especialmente na armazenagem, transporte e sustentabilidade da produção agrícola.
A supersafra prevista exigirá uma gestão eficiente em toda a cadeia produtiva, desde a escolha de insumos sustentáveis até a otimização dos fluxos de exportação, o que só será possível com profissionais altamente capacitados. No entanto, formar especialistas para atender à demanda crescente do setor exige mais do que conteúdos técnicos tradicionais. O desenvolvimento de habilidades socioemocionais, pensamento crítico e capacidade de adaptação será essencial para lidar com as transformações digitais e os desafios ambientais que impactam o agronegócio.
Carl Gustav Jung ressalta que o verdadeiro aprendizado e amadurecimento não ocorrem apenas pela aquisição de conhecimento técnico, mas por meio da individuação – o processo de integração entre a razão, a intuição e a experiência prática. Aplicando essa teoria ao contexto atual, os cursos voltados ao agronegócio e ao meio ambiente precisam incorporar metodologias que promovam não apenas conhecimento técnico, mas também o desenvolvimento da autonomia, resiliência e criatividade dos futuros profissionais. Como Jung pontua: “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”. Ou seja, não basta apenas expandir o ensino superior nesses segmentos; é necessário garantir que os alunos desenvolvam uma mentalidade voltada para a inovação e a solução de problemas reais.
Se essa expansão educacional não for acompanhada de uma abordagem pedagógica moderna e integrada às demandas do setor, arriscamos gerar um descompasso entre a formação acadêmica e as necessidades do mercado, criando um cenário de escassez de profissionais qualificados justamente quando mais serão necessários. O agronegócio é um dos motores da economia brasileira, e a supersafra 2024/25 pode consolidar ainda mais essa posição se houver profissionais preparados para gerenciar os desafios operacionais, logísticos e ambientais de forma eficiente.
A solução passa pela capacitação contínua, alinhamento entre universidades e empresas e investimento em ensino prático, permitindo que os profissionais cheguem ao mercado com uma visão sistêmica e competências técnicas e comportamentais adequadas à realidade do setor. A educação deve ser um processo vivo, que se adapte às inovações tecnológicas e às exigências do campo. O crescimento do agronegócio brasileiro dependerá da qualidade da formação de seus profissionais, e não apenas do número de novos alunos matriculados.
Por DENISE MARINHO Diretora de Recursos Humanos e Jurídica da Vellent Engenharia em Infraestrutura, e Sócia-Gerente do Portal Infranews.