A Mota-Engil negocia a compra conjunta de ferrovia, porto e mina na Bahia, em tratativas conduzidas com o Ministério dos Transportes. O pacote reúne a Fiol 1, Ferrovia de Integração Oeste-Leste, o Porto Sul em Ilhéus e a mina Pedra de Ferro em Caetité. O desenho integra extração mineral e corredor logístico até o litoral, em um arranjo que pode reorganizar a infraestrutura ferroviária, a logística portuária e o escoamento de minério de ferro e grãos.
Pacote integrado e análise detalhada
A negociação está em fase de diligência aprofundada, com verificação de contratos, passivos e cronogramas. A estimativa de investimento gira em torno de R$ 15 bilhões, segundo informações publicadas pela imprensa nacional. A expectativa é de conclusão nos próximos meses, caso as análises confirmem a viabilidade jurídica e financeira.
O grupo português pretende assumir integralmente os três ativos. A China Communications Construction Company, que detém cerca de um terço da companhia europeia, é apontada como possível fonte de financiamento. O BNDES pode atuar como financiador, sem participação societária.
A estrutura integrada reduz incertezas de coordenação entre mina, ferrovia e porto. Para o setor de infraestrutura logística, isso significa menor risco de ativos subutilizados e maior previsibilidade de fluxo de cargas.
Ativos paralisados e nova tentativa
Os empreendimentos pertencem à Bamin, controlada pelo Eurasian Resources Group, grupo estrangeiro que interrompeu o desenvolvimento dos projetos. A Vale avaliou a aquisição nos últimos anos, mas optou por concentrar recursos em Carajás, no Pará.
A Fiol 1, com cerca de 75% das obras executadas, liga Caetité a Ilhéus em um traçado superior a 500 km. O Porto Sul, projetado como terminal privado para exportação de minério, possui licenças ambientais e área regularizada, embora esteja com cronograma atrasado. A mina Pedra de Ferro é a origem da carga mineral prevista para o corredor.
Pontos centrais do pacote:
- Conclusão de trecho ferroviário já parcialmente executado.
- Implantação de terminal portuário dedicado.
- Integração direta entre produção mineral e exportação.
- Potencial conexão futura com a Fico Fiol.
Conexão nacional e leilões previstos
A Fiol 1 é parte de um corredor maior que inclui a Fico Ferrovia de Integração Centro-Oeste e trechos adicionais da própria Fiol. O projeto completo pode superar 2 mil km, conectando áreas produtoras do Mato Grosso ao litoral baiano.
O governo federal planeja publicar edital da Fico Fiol ainda neste semestre, com investimento estimado em mais de R$ 40 bilhões. Caso confirme a aquisição da Fiol 1, a Mota-Engil passa a ter posição privilegiada para disputar novos trechos, dada a sinergia operacional.
A companhia já mantém presença no país. Em 2024 venceu o leilão do túnel Santos Guarujá e também integra o consórcio na Refinaria Duque de Caxias, da Petrobras.
Repercussão para a infraestrutura nacional
A possível transferência dos ativos indica tentativa do governo de destravar obras paradas e garantir operação coordenada entre mina, ferrovia e porto. Para investidores e executivos do setor de projetos de infraestrutura, o caso serve como referência de modelagem integrada, em que concessão ferroviária e terminal portuário caminham sob o mesmo comando.
A consolidação do corredor baiano pode alterar rotas tradicionais de exportação de minério e grãos, hoje concentradas em outras regiões. A definição da negociação será observada com atenção por concessionárias, tradings e operadores logísticos.
Fonte: Folha de S.Paulo.
Três perguntas para entender o caso
1 – Por que o governo negocia o pacote completo? Porque a integração entre mina, ferrovia e porto reduz risco de ociosidade e facilita a coordenação de investimentos.
2 – Qual a situação atual da Fiol 1? O trecho está majoritariamente construído, mas sem operação, aguardando definição societária e recursos para conclusão.
3 – O que muda para o setor ferroviário? A retomada pode fortalecer o corredor Centro-Oeste Bahia e estimular a concorrência nos próximos leilões de infraestrutura ferroviária.
