Com 10,61 metros de diâmetro, a maior tuneladora em operação no país escava os túneis da nova linha metroviária de São Paulo e reforça a relevância de soluções técnicas avançadas em obras de infraestrutura urbana. A máquina, fabricada na Alemanha e operada pela concessionária responsável pelo projeto, representa um recurso da tecnologia para escavações subterrâneas em ambientes urbanos adensados.
Instalada no canteiro da Freguesia do Ó, na Zona Norte da capital paulista, a tuneladora conhecida como Tatuzão Norte iniciou sua operação no final de 2023. Projetada para avançar sob camadas de solo mole e argiloso, típicos da região metropolitana de São Paulo, a máquina opera com precisão milimétrica, escavando e instalando simultaneamente os anéis de concreto que compõem o revestimento estrutural dos túneis.
Avanço técnico para áreas densamente urbanizadas
A operação do equipamento viabiliza a execução de um dos maiores empreendimentos metroviários em andamento na cidade, a nova linha subterrânea com cerca de 15,3 km de extensão, conectando a Zona Norte ao centro, atravessando corredores educacionais e hospitalares. O modelo EPB Shield, usado na escavação, tem a vantagem de equilibrar a pressão do solo, o que permite intervenções seguras em áreas com ocupação intensa e infraestrutura urbana consolidada.
O equipamento, com cerca de 2 mil toneladas e 109 metros de comprimento, abriga em seu interior uma verdadeira central de operação com salas de comando, refeitório, sistemas de esteiras, ventilação e monitoramento. A escala da operação exige sincronia entre engenharia de campo, logística de transporte e abastecimento contínuo de segmentos estruturais. A complexidade do terreno paulistano exige que a máquina avance em ritmo preciso, monitorando em tempo real a estabilidade do solo escavado.
Eficiência no transporte e montagem do equipamento
Transportada por partes ao Brasil, a tuneladora foi montada diretamente no poço de acesso do projeto, localizado em um ponto estratégico do traçado. O processo de mobilização exigiu etapas rigorosas de controle técnico, com montagem das seções hidráulicas, elétricas e mecânicas da estrutura, além de alinhamento dos trilhos por onde a máquina progride.
No caso da atual operação da Linha 6, o volume e o peso da tuneladora demandaram planejamento detalhado desde a origem do equipamento na Europa até o início de sua escavação. Diferente de outras soluções menos sofisticadas, a tuneladora reduz interferências na superfície, importante para projetos inseridos em metrópoles com tráfego intenso e ocupação consolidada.
A escavação conduzida pelo Tatuzão Norte será acompanhada por outro equipamento gêmeo, o chamado Tatuzão Sul, com as mesmas dimensões e capacidades, ampliando a frente de trabalho da obra. Ao final do trajeto, a desmontagem da tuneladora será realizada dentro do próprio túnel, aproveitando parte dos componentes para outras aplicações industriais.
FAQ – O subsolo em movimento
1- Como funciona a maior tuneladora em operação no Brasil? A tuneladora avança por meio de um sistema de escavação mecanizada, ao mesmo tempo em que posiciona os anéis de concreto que formam a estrutura definitiva do túnel. O modelo EPB Shield estabiliza o solo durante o processo, evitando movimentações na superfície.
2 – Por que é necessário um equipamento tão grande para esta obra? O diâmetro de 10,61 metros permite a construção de túneis amplos, que acomodam via dupla e sistemas de ventilação, drenagem e escape. Além disso, a escala do equipamento garante segurança, precisão e continuidade na execução, mesmo sob áreas urbanizadas e com pouco espaço para intervenções manuais.
3 – O que acontece com a tuneladora após a conclusão da obra? Após cumprir seu percurso, a tuneladora é desmontada dentro do próprio túnel. Componentes eletrônicos e mecânicos são removidos para reaproveitamento, enquanto partes metálicas maiores, como o shield, são cortadas e comercializadas como sucata por inviabilidade logística de remoção integral.
