A ligação submersa entre Santos e Guarujá já tem contrato assinado e desenho definido. O acordo firmado entre o Governo de São Paulo e a Mota-Engil viabiliza a construção do primeiro túnel imerso do Brasil, sob o canal portuário, conectando duas cidades separadas por um deslocamento hoje lento e irregular. A obra será realizada por meio de Parceria Público-Privada – PPP, com prazo contratual de três décadas, incluindo construção, operação e manutenção.
Uma obra inédita no país
O túnel submerso previsto para o litoral paulista adota um método construtivo ainda não utilizado no Brasil. Em vez de escavação contínua, módulos de concreto são produzidos fora do local, transportados e posicionados no leito do canal. Essa solução reduz interferências na navegação e permite maior previsibilidade no cronograma. A estrutura contará com pistas em ambos os sentidos, espaço dedicado a pedestres, ciclistas e uma galeria de serviços, ampliando o uso além do tráfego de veículos.
Mobilidade urbana e tempo de deslocamento
Hoje, o trajeto entre Santos e Guarujá depende de rotas rodoviárias mais longas ou de travessias por balsa, sujeitas a filas e variações de horários. Com o túnel, o deslocamento tende a se tornar direto e contínuo. A redução expressiva no tempo de viagem muda hábitos diários, influencia decisões de moradia, trabalho e acesso a serviços públicos. Para quem acompanha projetos urbanos, trata-se de um ajuste prático na circulação regional.
Modelo contratual e responsabilidades
A PPP adotada distribui atribuições entre o poder público e a concessionária. O contrato estabelece investimentos privados, contraprestação pública e obrigações de desempenho ao longo de 30 anos. Esse formato exige controle rigoroso, indicadores claros e acompanhamento permanente. No setor de infraestrutura, o caso passa a ser observado como referência para empreendimentos de grande porte em áreas urbanas sensíveis.
Durante a execução, a obra deve mobilizar milhares de trabalhadores diretos e indiretos, além de fornecedores de insumos, serviços de engenharia, logística e apoio. Embora o foco principal seja a mobilidade, o efeito imediato é a ativação de uma cadeia produtiva extensa, com reflexos no mercado de trabalho regional e no calendário de obras públicas do estado.
O projeto obteve licença ambiental prévia emitida pela Cetesb, após análise de aspectos ligados à fauna, flora, áreas de mangue, ruído e desapropriações. O documento impõe condicionantes que acompanham o avanço do empreendimento. Em obras submersas, o controle ambiental deixa de ser acessório e passa a ser parte central do planejamento, desde a produção dos módulos até a instalação no canal.
Infraestrutura portuária e convivência urbana
O túnel será construído sob um dos canais mais movimentados do país. A convivência entre tráfego portuário, obra civil e cidades consolidadas exige coordenação fina entre órgãos públicos, concessionária e operadores do porto. Para o setor, o projeto ilustra como grandes infraestruturas podem coexistir em espaços já intensamente utilizados.
Fonte: TMC Brasil.
Perguntas do setor
1 – Quando a ligação submersa deve estar disponível ao público? A previsão contratual aponta para a entrega completa no início da próxima década, após construção e testes operacionais.
2 – Quem será responsável pela operação diária do túnel? A concessionária liderada pela Mota-Engil responderá pela operação e manutenção durante o período contratual.
3 – O túnel substituirá outros meios de travessia? A nova ligação não elimina alternativas existentes, mas oferece uma opção contínua e previsível para diferentes perfis de usuários.
