A infraestrutura de transportes brasileira é marcada por dimensões continentais. Nos próximos dez anos, estão previstos R$ 372 bilhões em investimentos privados em concessões de rodovias, ferrovias e mobilidade urbana, sinalizando um período de modernização e expansão. Será preciso que o ritmo das obras possa acompanhar a urgência de demandas crescentes:
Aumento do fluxo de cargas – o agronegócio e a mineração expandem a produção, exigindo rodovias e ferrovias mais eficientes.
Crescimento urbano – cidades ampliam sua malha viária e sistemas de mobilidade.
Integração logística – a necessidade de conectar portos, aeroportos e ferrovias em corredores multimodais.
Eventos climáticos extremos – chuvas intensas, enchentes e deslizamentos interrompem rotas críticas, obrigando a execução de obras emergenciais para restabelecer o tráfego.
Além disso, o setor convive com fatores externos que intensificam os desafios: a escassez de mão de obra especializada dificulta a execução de projetos complexos; e os condicionantes geotécnicos, presentes em solos heterogêneos e regiões de alta instabilidade, tornam indispensável a adoção de tecnologias modernas. Nesse contexto, os geossintéticos surgem como aliados estratégicos, capazes de oferecer alto desempenho técnico, rapidez construtiva e otimização de custos.
Geossintéticos: tecnologia avançada para desafios geotécnicos

Segundo a definição da ABNT, geossintéticos são produtos nos quais ao menos um dos componentes é um polímero sintético ou natural. Apresentam-se na forma de manta, tira ou estrutura tridimensional, sendo utilizados em contato com o solo ou outros materiais, em aplicações da engenharia geotécnica e civil.
A confiabilidade de produtos capazes de suportar solicitações extremas permite não apenas realizar obras mais rápidas e econômicas, como também mais seguras, tanto em termos de proteção do meio ambiente, quanto em termos de carregamentos aplicados.
Contenção em solo reforçado: rapidez e menor impacto ambiental
A presença de reforços geossintéticos em estruturas de contenção gera uma força de tração resistente, atuando para equilibrar o empuxo da massa do aterro, que tende a sobrecarregar a estrutura de contenção. Essa redistribuição global de tensões e deformações permite a adoção de estruturas de faces verticais (paredes) ou taludes mais acentuados, minimizando o volume de aterro compactado e permitindo a utilização de solos do próprio local da obra.

Na construção dos Contornos de Caraguatatuba e São Sebastião, no litoral norte paulista, soluções inovadoras com geossintéticos substituíram métodos mais tradicionais, aumentando a velocidade e sustentabilidade da obra.
Com 33,9 km de extensão, 10 túneis e 43 obras de arte especiais (como pontes e viadutos) o novo complexo viário compõe uma ligação estratégica entre o Vale do Paraíba e o Porto de São Sebastião.
A princípio, para quase todas as contenções, o projeto original especificava aterros com faces de concreto armado ou em paredes ancoradas. Com o estabelecimento de prazos muito restritos, foi necessário buscar alternativas mais ágeis e sustentáveis.
Foi nesse contexto que o Sistema Quadratum®, desenvolvido pela HUESKER para contenções em solo reforçado, substituiu soluções tradicionais em encontros de viadutos, greides e pés de talude.
O Sistema Quadratum combina gabaritos metálicos galvanizados às geogrelhas Fortrac®. Com montagem rápida, permitiu executar até 100 m² de face por dia, acelerando o cronograma e garantindo qualidade construtiva.

Um exemplo marcante foi a aplicação do sistema na pista inferior do Viaduto Beliche, no Contorno Sul da Rodovia dos Tamoios. O projeto original previa um muro de contenção com tirantes e face de concreto apoiada em estacas raiz. A solução em solo reforçado com geogrelhas substituiu essa alternativa, reduzindo significativamente o prazo de execução e os custos, além de permitir maior aproveitamento do espaço disponível.
Além da eficiência técnica, os ganhos ambientais nas obras dos Contornos foram expressivos. O uso do Quadratum reduziu em cerca de 1.200 toneladas a emissão de carbono, aproveitou o material pétreo das escavações dos túneis, diminuiu áreas de supressão e permitiu a utilização de equipamentos de menor porte. O resultado foi uma obra sustentável, rápida e segura.

Aumentando a vida útil de pavimentos
Em 2024, o Aeroporto de Resende, no Rio de Janeiro, havia iniciado a recuperação de suas pistas, realizando a fresagem do revestimento antigo e aplicando uma nova camada asfáltica. Em pouco tempo, trincas longitudinais e transversais apareceram ao longo da pista, oriundas da base do pavimento, já no fim de sua vida útil.
Como solução, foi indicada a aplicação da geogrelha HaTelit®C como camada intermediária de reforço, para reduzir o efeito de concentração de tensões e bloquear a propagação das trincas provenientes das camadas inferiores.
HaTelit C é uma geogrelha flexível para reforço asfáltico combinada a um geotêxtil não tecido de polipropileno (PP) ultraleve, que facilita a instalação. Seu recobrimento com teor de betume > 60% garante, em combinação com a abertura de malha de 40 x 40 mm, uma excelente aderência entre as camadas asfálticas.
Esta alta aderência é fundamental para que a geogrelha possa absorver as tensões na região da trinca e distribuí-las por uma área maior, estendendo a vida útil das áreas de tráfego e ampliando os intervalos de restauração na via.
Aterro de conquista em solos muito moles
A implantação do Contorno Viário de Florianópolis, SC, também contou com geossintéticos HUESKER na superação de desafios geotécnicos, como a presença de camadas superficiais com baixa capacidade de suporte e água aflorante

Aplicado para a implantação do aterro de conquista necessário ao acesso de maquinário para a execução de geodrenos, Basetrac® Woven, geotêxtil tecido de alto desempenho, também viabilizou o tráfego dos demais equipamentos da obra.
Estabilizando superfícies para a construção de estradas e pavimentos, esse geossintético exerce simultaneamente as funções de separação, filtração e estabilização. Pelo efeito membrana, promove a distribuição de carga, aumentando a resistência ao cisalhamento do solo.
O ótimo resultado obtido no trecho inicial levou à utilização do Basetrac Woven nos demais lotes da implantação do Contorno de Florianópolis.

Praça de pedágio da Tamoios: contenção íngreme junto a APP
Em 2015, a implantação da praça de pedágio no km 59 da Rodovia dos Tamoios (SP-099) precisava compatibilizar o relevo acidentado com as restrições de ocupação impostas pela área de proteção ambiental (APP) adjacente.
Era necessário executar uma grande obra de corte e aterro, mas sem comprometer o espaço disponível. Optou-se então pelo sistema de blocos segmentais MUROSTERRAE ®, que permitiu a construção, em apenas cinco meses, de uma contenção em solo reforçado com 25 m de altura e aproximadamente 4.900 m² de área de face.
Essa combinação entre os blocos MUROSTERRAE e as geogrelhas Fortrac reduziu a necessidade de escavações de alto custo e viabilizou a execução de estruturas muito íngremes, otimizando o uso do espaço e garantindo estabilidade.
Além do menor custo em relação às alternativas avaliadas, o sistema proporcionou rapidez construtiva e simplificação logística, já que possibilitou o aproveitamento do solo local para o aterro compactado. O resultado foi a rápida liberação da praça de pedágio para operação.
Os geossintéticos podem beneficiar diversas obras de ampliação e manutenção da infraestrutura de transportes. Rodovias, ferrovias, portos e aeroportos encontram nestes materiais aliados estratégicos para aumento de sustentabilidade, redução de custos e prazos, além de simplificar o dia a dia das equipes de engenharia. Saiba mais sobre estas soluções de alto desempenho em www.HUESKER.com.br
